“Precisamos reaprender a envelhecer.” A frase da servidora pública Cristina Segatto, 67 anos, resume a transformação vivida no Distrito Federal, onde a população idosa cresce e impulsiona a chamada economia prateada — conjunto de produtos, serviços e atividades voltados aos maiores de 60 anos. No DF, esse público reúne alta escolaridade, renda acima da média nacional e forte presença digital, segundo dados do IBGE. Hoje, 13,9% dos 2,9 milhões de moradores da capital são idosos, e projeções da UnB indicam que, em 2040, um em cada quatro habitantes terá mais de 60 anos. A nova série do Correio, “Moderno é envelhecer”, mostra como esse envelhecimento redefine Brasília. A primeira reportagem destaca o idoso como motor econômico essencial, movimentando setores como saúde, turismo, educação continuada e bem-estar. Cristina Segatto, epidemiologista da Secretaria de Saúde do DF, segue ativa no mercado e utiliza inteligência artificial para organizar aulas e documentos. Ela também usa tecnologia para lazer e convivência com os netos. Segundo a professora da UnB Diana Vaz de Lima, muitos aposentados abrem consultorias e negócios próprios, aproveitando a experiência acumulada ao longo da vida. Dados do Sebrae apontam que quase 40 mil idosos empreendem no DF, principalmente no setor de serviços. Um exemplo é Isabel Di Pilla, 70 anos, dona de uma academia de jiu-jitsu em Sobradinho II. Campeã mundial master em Las Vegas em 2025, ela afirma: “Se eu desacelerar, morro”. Planeja abrir novas unidades nos próximos anos.
A busca por novos conhecimentos também marca essa geração. Terezinha da Silva, 66 anos, começou o curso de jornalismo na UnB após se aposentar como cuidadora de idosos. Seu sonho é cobrir o Congresso Nacional. “Ainda tenho potencial”, afirma. O consumo da população idosa também cresce, especialmente em saúde, alimentação, moradia e transporte. Projeções indicam que, em 2034, os idosos responderão por 43% dos gastos em saúde no Brasil. Apesar do cenário promissor, cresce também a inadimplência. Em março de 2026, o DF registrou mais de 283 mil idosos negativados, segundo a Serasa. Especialistas alertam para a importância do equilíbrio financeiro.
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