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domingo, 10 de maio de 2026

PERIGO DE DESABASTECIMENTO GLOBAL


A escalada dos conflitos no Oriente Médio e os bloqueios no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, reacenderam o temor de desabastecimento global e pressionaram os preços da energia. Nesse cenário, os biocombustíveis voltam ao centro da disputa geopolítica e o Brasil ganha protagonismo na transição energética baseada em biomassa. 
Estudo do Observatório de Bioeconomia da FGV, com apoio do Instituto Equilíbrio e da Agni, estima que os biocombustíveis podem adicionar até R$ 403,2 bilhões ao PIB brasileiro entre 2030 e 2035, gerar 225,5 mil empregos e evitar o desmatamento de 480 mil hectares no Cerrado e na Amazônia. A projeção considera a produção de 64 bilhões de litros de combustíveis renováveis, incluindo etanol de cana, milho, segunda geração e biodiesel. Segundo o pesquisador Cícero Lima, os biocombustíveis podem gerar retorno de R$ 62 para cada R$ 1 investido. Especialistas afirmam que a alta do petróleo e os riscos de desabastecimento ampliaram o peso estratégico da bioenergia. Além da questão ambiental, o debate passou a incluir soberania energética e segurança no fornecimento de fertilizantes e alimentos.

O economista Leandro Gillio, do Insper, aponta um paradoxo: enquanto o mundo defende a transição energética, governos ampliam subsídios aos combustíveis fósseis para conter a inflação. Os analistas comparam o momento aos choques do petróleo dos anos 1970, quando o Brasil criou o Proálcool. Segundo eles, o avanço da bioenergia pode ampliar em até 70% o setor, impulsionando transporte, agropecuária e indústria. O Brasil também é visto como competitivo na produção de SAF, combustível sustentável de aviação, além de biodiesel e diesel verde. Especialistas defendem que veículos híbridos movidos a etanol podem ter emissões equivalentes ou menores que carros elétricos europeus. O estudo da FGV estima redução de 27,6 milhões de toneladas de CO2 com a substituição de combustíveis fósseis. Para os especialistas, porém, o crescimento do setor dependerá de estabilidade regulatória, crédito e rastreabilidade ambiental. 

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