Para Emre Tiftik, do IIF, não há risco imediato para o financiamento dos EUA, mas a trajetória da dívida é insustentável no longo prazo. Oksana Aronov, do JP Morgan, aponta três fatores de pressão: déficits fiscais elevados, maior emissão de títulos pelo Tesouro e inflação persistente. Segundo ela, não há sinais de contenção da dívida nem dos juros dos títulos de dez anos. Ludovic Subran, da Allianz, afirma que investidores estão diversificando aplicações fora do mercado americano devido à preocupação com déficits e dívida dos EUA. O aumento da dívida americana também afeta o Brasil, onde investidores exigem juros maiores pelo elevado endividamento público, hoje em cerca de 80% do PIB. Globalmente, o avanço das dívidas decorre de maiores gastos militares, envelhecimento populacional e investimentos em energia. Segundo o FMI, metade dos países ampliou despesas militares nos últimos cinco anos. A Otan prevê elevar esses gastos para 5% do PIB até 2035.
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quinta-feira, 7 de maio de 2026
DÍVIDA DOS EUA CAUSA PREOCUPAÇÃO NO MERCADO
Com o endividamento público em alta e decisões erráticas de Donald Trump, os EUA enfrentam fuga de investidores de títulos do Tesouro. Desde 2025, papéis da zona do euro, Japão e emergentes ganham espaço. Se a tendência continuar, os EUA terão de pagar juros maiores para atrair investidores e rolar a dívida. Hoje, o país já possui a maior despesa com juros em relação ao PIB entre economias desenvolvidas e emergentes. A conta de juros, hoje em 3,5% do PIB, pode chegar a 4,5% até o fim da década. O valor supera os encargos previstos para a zona do euro e o Japão. Segundo o Institute of International Finance (IIF), a retirada de investidores não afeta apenas títulos do Tesouro, mas também papéis privados emitidos por empresas americanas. Enquanto compras de títulos corporativos dos EUA permanecem estáveis, empresas europeias têm sido beneficiadas, pagando juros menores que as americanas. A migração de investidores reflete o forte avanço da dívida pública dos EUA, que subiu de 119,6% para 124,1% do PIB em um ano. O nível supera a média global, a dos países ricos e a da China, principal rival geopolítico americano.
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