A sua próxima consulta, o médico pode usar um assistente de inteligência artificial que grava a conversa e gera rascunhos de prontuários. Esses “escribas de IA” já são usados por cerca de 30% dos médicos nos EUA. A principal vantagem é reduzir a carga de trabalho, o estresse e o esgotamento dos profissionais de saúde. Para os pacientes, a expectativa é de consultas mais atentas e registros mais completos, embora ainda haja pouca pesquisa sobre impactos reais no atendimento. O uso dessas ferramentas levanta preocupações sobre privacidade, consentimento e precisão das informações. Em geral, o áudio e a transcrição ficam armazenados apenas temporariamente, sendo apagados após semanas ou meses. Por exemplo, alguns sistemas mantêm os dados por 14 dias, enquanto outros podem guardar por até 90 dias. No prontuário do paciente permanece apenas o resumo revisado pelo médico, não a gravação original. Pacientes têm acesso às anotações, mas normalmente não ao áudio ou à transcrição. Também é possível pedir ao médico permissão para gravar a consulta por conta própria. Quanto ao consentimento, nem sempre o médico é legalmente obrigado a avisar sobre a gravação, dependendo da legislação local. Mesmo assim, muitos profissionais pedem autorização por questões de transparência e confiança. Esse pedido pode ser simplificado, sem detalhar que há gravação de áudio.
O paciente pode recusar ou solicitar a interrupção da gravação em momentos sensíveis. Isso é importante, pois algumas pessoas podem se sentir desconfortáveis em falar abertamente sendo gravadas. Sobre privacidade, empresas de IA geralmente seguem leis específicas de proteção de dados. Ainda assim, informações de saúde são alvos valiosos para hackers. O risco aumenta se o médico usar ferramentas fora dos sistemas oficiais da instituição. Por isso, é recomendável perguntar se há contrato formal com a empresa de IA. As anotações geradas pela IA devem sempre ser revisadas e aprovadas pelo médico. Isso é essencial porque erros podem ocorrer durante a transcrição. A IA pode confundir falas ou omitir detalhes importantes, especialmente com várias pessoas falando. Mesmo quando correta, a ferramenta pode introduzir imprecisões no resumo final. Estudos indicam que anotações feitas por IA podem conter erros potencialmente graves. Por isso, pacientes devem revisar seus prontuários sempre que possível. Esse cuidado vale também para registros feitos por humanos. Com a expansão dessas tecnologias, a supervisão médica se torna ainda mais crucial. Isso inclui usos futuros, como apoio a diagnósticos, prescrições e decisões clínicas.
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