Conteúdos políticos feitos com IA se multiplicam na rolagem das redes sociais. Vídeos, imagens e avatares simulam figuras públicas, como críticas ao presidente Lula, montagens com Flávio Bolsonaro e personagens sintéticos usados por pré-candidatos. Romeu Zema, por exemplo, critica o STF com avatares de ministros, enquanto Augusto Cury usa personagens fictícios para abordar a polarização. A cinco meses das eleições, esse tipo de material se consolida como ferramenta central da disputa política. Levantamento do Observatório IA nas Eleições identificou 137 conteúdos políticos com IA entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026. Apenas 27% sinalizaram o uso da tecnologia; a maioria circulou sem aviso no Instagram, TikTok e X. Segundo especialistas, houve aumento no volume e no realismo dos conteúdos, ampliando seu impacto. Em março, o TSE definiu regras, como proibir uso de IA 72h antes e 24h depois das votações e exigir identificação de conteúdo sintético. Também foram previstas punições a perfis falsos ou automatizados. Ainda assim, a Justiça enfrenta dificuldades para diferenciar sátira, meme e desinformação.
Casos recentes já geraram disputas judiciais envolvendo deepfakes. O PT acionou o TSE contra vídeos que associavam Lula a crimes e criticou perfis como “Dona Maria”, avatar criado por IA com grande engajamento. A série “Os Intocáveis”, de Zema, também gerou reação de ministros do STF. Conteúdos semelhantes se espalharam em estados, atingindo adversários políticos. Na Bahia, perfis não oficiais usam IA para atacar candidatos. A Justiça determinou remoção de páginas e conteúdos ofensivos, com decisões favoráveis a diferentes grupos. Casos semelhantes ocorreram em outros estados, como Alagoas, envolvendo deepfakes em disputas locais. Especialistas avaliam que o uso de IA deve crescer até as eleições. O principal desafio será acompanhar a velocidade de produção e garantir respostas rápidas da Justiça diante de possíveis danos informacionais.
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