O ministro do STF Alexandre de Moraes procurou interlocutores do presidente Lula para negar que tenha atuado contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo. Messias, advogado-geral da União, teve seu nome rejeitado pelo Senado por 42 votos a 34, em derrota significativa para o governo. Moraes é próximo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que liderou a articulação contrária à indicação. No Planalto, porém, cresceu a percepção de que o ministro teria dado respaldo político ao movimento de Alcolumbre. Moraes enviou mensagem ao próprio Messias lamentando o resultado, mas não obteve resposta até o fim de semana. Ele também conversou com integrantes do primeiro escalão do governo para rebater a versão de que teria atuado contra a indicação. O ministro demonstrou incômodo com reportagens que sugeriam sua participação na derrota. Aliados saíram em sua defesa junto a Lula, classificando como injusta a avaliação de que ele interferiu. Segundo esses interlocutores, não há registro de ação direta de Moraes junto a senadores contra Messias. Eles afirmam ainda que o ministro não teria influência suficiente no Senado para liderar tal articulação. De acordo com essa versão, o embate foi conduzido essencialmente por Alcolumbre.
Moraes teria ficado em posição delicada por sua proximidade com o senador. Assim, evitou atuar contra, mas também não se empenhou em favor de Messias. Magistrados dizem que ele tentou reduzir tensões ao participar de um almoço com Alcolumbre e Messias. O encontro ocorreu na casa do ministro Cristiano Zanin. Alcolumbre compareceu mesmo sabendo da presença de Messias. Na ocasião, indicou que a aprovação seria difícil, sem prometer apoio. Apesar das explicações, Lula mantém a convicção de que Moraes participou da articulação. Para o presidente, a vitória fortalece Alcolumbre politicamente. Isso ampliaria suas chances de permanecer no comando do Senado até 2027. Esse cenário reduziria riscos de pautas contra Moraes, como pedidos de impeachment. Outro ponto citado é a aprovação de mudanças na dosimetria de penas. A medida pode permitir revisões em condenações relacionadas a tentativa de golpe. Alcolumbre também conduziu a sessão que derrubou veto de Lula sobre o tema. No Planalto, avalia-se ainda que houve um recado político ao STF. A leitura é que o ministro André Mendonça estaria isolado em processos sensíveis. Isso indicaria menor influência interna do que se supunha. A assessoria de Moraes foi procurada, mas não respondeu.
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