A renda média do trabalho no Distrito Federal chegou a R$ 6.320 mensais em 2025, segundo o IBGE, mantendo o maior patamar do país. O valor supera em mais do dobro o registrado em 14 estados do Norte e Nordeste, como Maranhão, Bahia, Ceará e Pará. Os dados fazem parte da Pnad Contínua divulgada ontem, 8, e consideram rendimentos de trabalhos formais e informais nos setores público e privado. Em 2025, a renda média do DF ficou 77,5% acima da média nacional, de R$ 3.560. No ano anterior, essa diferença era de 57,1%. Especialistas apontam que a concentração de servidores da elite do funcionalismo em Brasília eleva historicamente a média salarial local. Ao mesmo tempo, o Distrito Federal lidera o ranking nacional de desigualdade de renda. O índice de Gini chegou a 0,557, acima da média brasileira de 0,491 e bem superior ao de Santa Catarina, estado menos desigual, com 0,406.
Segundo o pesquisador André Salata, da PUCRS, o DF reúne salários muito altos no setor público e uma massa de trabalhadores de serviços pouco qualificados, ampliando a disparidade social. O economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, afirma que a renda elevada não significa desenvolvimento produtivo homogêneo, mas reflete distorções salariais do alto funcionalismo. Daniel Duque, do FGV Ibre, destaca que funções administrativas no serviço público federal costumam pagar muito mais do que cargos equivalentes no setor privado. Dados trimestrais da Pnad mostram que empregados do setor público no DF receberam, em média, R$ 12,6 mil por mês no fim de 2025, maior valor do país. A média nacional foi de R$ 5.339. Entre militares e estatutários, a renda média no DF chegou a R$ 13,4 mil, mais que o dobro da média brasileira. Já no setor privado, a renda média no Distrito Federal foi de R$ 3.716, acima da média nacional, mas abaixo de São Paulo.
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