A cidade de Cabedelo, na Paraíba, passou a ser monitorada à distância por integrantes do Comando Vermelho instalados no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Investigações da
Polícia Federal e do Ministério Público apontam que a facção se infiltrou em áreas estratégicas da prefeitura e passou a controlar parte da rotina da população. Mais de dez operações já foram realizadas para combater corrupção e crime organizado na cidade de cerca de 60 mil habitantes. Segundo autoridades, Cabedelo vive um “colapso institucional”, marcado por medo, ausência de serviços públicos e domínio territorial de criminosos. Áudios e vídeos obtidos nas investigações mostram integrantes da facção monitorando ruas por meio de cerca de 30 câmeras clandestinas, apelidadas de “besouros”. O esquema permitia acompanhar a movimentação da polícia e de rivais em tempo real. O principal nome citado é Flávio de Lima Monteiro, o Fatoka, apontado como líder da Tropa do Amigão, braço do Comando Vermelho no Nordeste. Foragido desde 2022, ele fugiu após romper a tornozeleira eletrônica no mesmo dia em que recebeu liberdade judicial. Mesmo escondido no Complexo do Alemão, Fatoka continuaria comandando ações criminosas na Paraíba, incluindo planos de expansão para bairros de João Pessoa. Segundo investigadores, o grupo realiza “ponteamento”, prática de mapear territórios e eliminar rivais.
Moradores vivem sob ameaça constante. Vídeos mostram homens armados circulando pelas ruas e efetuando disparos em áreas residenciais. Em um dos casos, um morador teve o carro atingido por tiros e fez um apelo para que inocentes fossem poupados. As investigações também revelam infiltração da facção na Prefeitura de Cabedelo. Os últimos quatro prefeitos foram alvo de apurações por suspeitas de corrupção, loteamento de cargos e desvio de recursos públicos. O esquema envolveria a empresa Lemon Terceirização e Serviços Ltda., usada para empregar indicados da facção, manter funcionários fantasmas e desviar verbas públicas. O prejuízo estimado aos cofres municipais chega a R$ 270 milhões. Segundo depoimentos, pessoas ligadas a Fatoka tinham contratações garantidas na prefeitura e na Câmara Municipal. Em troca, a facção oferecia proteção armada a gestores em áreas dominadas pelo crime. Enquanto isso, serviços públicos ficaram abandonados, com equipamentos de saúde e espaços esportivos deteriorados. A atual gestão afirma que pretende anular contratos suspeitos sem interromper serviços essenciais. A defesa de Fatoka nega envolvimento nos crimes e afirma que não há provas contra ele. Ex-prefeitos investigados também negam qualquer ligação com organizações criminosas
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