Pesquisar este blog

quarta-feira, 11 de março de 2026

SAIU NA FOLHA DE SÃO PAULO

Escultura instalada em Washington retrata Trump e Epstein abraçados à la Titanic

  • Obra surge dias depois da divulgação de arquivos sobre adolescente que teria sido estuprada por Trump
  • Bandeiras ao lado do monumento exibem a mesma imagem do presidente ao lado do abusador condenado
  • SALVAR ARTIGOS

  • 10
WASHINGTON

Bandeiras azuis foram estiradas em frente ao Capitólio com a imagem do presidente Donald Trump ao lado do financista condenado por abuso sexual Jeffrey Epstein. A frase "Make America Safe Again" ("Faça a América Segura Novamente", um dos slogans de Trump) estampa as peças.

No centro da instalação, destaca-se a proa de um navio com dois bonecos que caricaturam Trump e Epstein na icônica cena do filme "Titanic", em que Jack e Rose se abraçam na ponta da embarcação. A obra é assinada pelo coletivo de anônimos "The Secret Handshake".

Estátua dourada de duas figuras humanas com braços estendidos, sobre base preta, em primeiro plano. Ao fundo, o edifício do Capitólio dos Estados Unidos sob céu azul claro. Pessoas e veículos aparecem na área entre a estátua e o Capitólio.
Monumento que simula Trump abraçando Epstein simulando a famosa cena de Titanic foi instalado em frente ao Capitólio, em Washington -  Isabella Menon/Folhapress

O monumento, intitulado "The King of The World" (o rei do mundo), surgiu nas ruas de Washington nesta terça-feira (10), dias após o Departamento de Justiça divulgar documentos do FBI com o relato de uma mulher que acusa o presidente dos Estados Unidos de tê-la estuprado na década de 1980. A Casa Branca nega as acusações.

Nesta terça, em meio à tarde de sol quando a reportagem esteve no local, pessoas que passavam por ali tirava fotos e riam da escultura —capital dos EUA, Washington é uma região predominantemente democrata, onde a candidata Kamala Harris venceu Trump por 92% dos votos.

As páginas em questão haviam sido retidas do extenso acervo de documentos relacionados a Epstein sob o argumento, depois reconhecido como equivocado pelas próprias autoridades, de que se tratavam de duplicatas.

Bandeira preta com fotos em azul de Mike Pence e outra pessoa, com selo oficial e texto "MAKE AMERICA SAFE AGAIN". Pessoas e árvores ao fundo em área externa sob céu azul.
Em bandeiras espalhadas ao longo do National Mall, imagens de Trump e Epstein aparecem reiteradamente -  Isabella Menon/Folhapress

A instalação também ironiza as omissões feitas pelo Departamento de Justiça ao tornar público o material. Nas bandeiras, lê-se "Departamento dos [seguido de uma tarja branca]" — referência direta às supressões nos arquivos divulgados. A pasta foi alvo de críticas tanto pela demora na liberação dos documentos quanto pela falta de transparência: parte do conteúdo foi publicada com trechos extensamente censurados.

Em uma placa ao lado da proa, a descrição da obra —em mais uma camada irônica— afirma que o monumento busca homenagear "o vínculo entre Jeffrey Epstein e Donald Trump, uma amizade aparentemente construída em torno de viagens luxuosas, festas extravagantes e esboços secretos de nus".

A menção aos esboços faz referência a um dos documentos liberados, no qual Trump teria enviado a Epstein uma carta com tom sugestivo acompanhada do desenho de uma mulher nua. O presidente negou qualquer relação com o documento após sua divulgação.

Esta não é a primeira vez que obras do grupo "The Secret Handshake" são exibidas pelas ruas de Washington em tom crítico a relação a Epstein. Na semana passada, segundo o jornal Washington Post, outra obrada denominada "Jeffrey Epstein Walk of Shame" foi instalada também na Farragut Square, também na capital americana.

A obra emulava a calçada da fama com nomes de políticos, bilionários e outras pessoas ligadas ao abusador, morto na prisão em 2019. Além desta, em setembro do ano passado, também em frente ao Capitólio, uma outra escultura mostrava Epstein e Trump de mãos dadas com a legenda: "Best Friends Forever" (melhores amigos para sempre). 

O IMBRÓGLIO DE DANIEL VOCARO

OPINIÃO DA GAZETA - As mensagens de Vorcaro podem derrubar Alexandre de  Moraes Novas revelações sobre mensagens entre o ministro do STF Alexandre  de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro colocaram oProcuradoria-Geral da República (PGR) foi alertada em novembro, logo após a apreensão do celular de Daniel Vorcaro, de que informações internas da investigação contra ele estavam sendo hackeadas e repassadas ao investigado. A Polícia Federal constatou, ao iniciar a extração de dados do aparelho, que os vazamentos ocorriam desde julho de 2025. O órgão comunicou o fato à PGR, indicando que as informações já estavam em circulação desde a primeira fase da operação Compliance Zero. Vorcaro foi preso em 17 de novembro no aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para o exterior. A PF suspeita de tentativa de fuga, enquanto ele afirma que viajaria para buscar investidores interessados em comprar o Banco Master. Os policiais apontam que, em 24 de julho, ele recebeu mensagem de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, com documentos em PDF da investigação em curso na Justiça Federal. A análise do celular também revelou que Vorcaro possuía dados sobre apurações do Banco Central envolvendo o Banco Master. Segundo investigadores ouvidos pela reportagem, a PGR foi informada de que havia uma investigação na PF sobre possíveis invasões a sistemas institucionais, hipótese confirmada após a apreensão do celular. Entre os arquivos encontrados havia prints, fotos e documentos em PDF com trechos da apuração. Procurada, a PGR não comentou o caso. A defesa de Vorcaro afirmou que não comentará conteúdos provenientes de vazamentos ilegais e destacou que os fatos já são investigados por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal

Segundo os investigadores, os indícios apontam para a existência de uma estrutura clandestina chamada “A Turma”, voltada à obtenção ilegal de informações sigilosas e à intimidação de críticos. Esses elementos embasaram a decisão de Mendonça que determinou novas prisões preventivas no último dia 4. A PF concluiu que o grupo teria hackeado senhas de servidores de autoridades e invadido sistemas para acompanhar o andamento das investigações. Devido ao nível máximo de sigilo do caso, os invasores teriam quebrado camadas de proteção e explorado vulnerabilidades para acessar dados restritos. As suspeitas de invasão aos sistemas do Ministério Público Federal e da Polícia Federal já haviam motivado pedidos de apuração. Segundo a investigação, o “Sicário” realizava consultas e extrações de dados de sistemas restritos por meio de credenciais funcionais. As informações sobre os vazamentos, já conhecidas pela PGR, também enfraquecem o argumento de falta de tempo para analisar o pedido de nova prisão de Vorcaro. A procuradoria foi avisada em 27 de fevereiro sobre a nova operação, mas solicitou mais prazo após 72 horas de análise. Mesmo assim, Mendonça considerou as medidas urgentes e autorizou prisões e buscas. Na decisão, o ministro afirmou lamentar o pedido de prazo da PGR, dizendo que as evidências e a urgência das medidas estavam claramente demonstradas. Ele também citou indícios de acessos indevidos a sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até da Interpol. Segundo o magistrado, havia risco concreto de destruição de provas, já que os investigados demonstraram capacidade de acessar documentos sensíveis e sistemas estatais. 

PROFESSOR QUE MATOU NAMORADA É ABSOLVIDO NA BAHIA

Do assassinato da mulher na BA à prisão no DF: professor ficou 14 anos  impuneO professor Igor Azevedo Bomfim, 22 anos, — solto pela Justiça em novembro de 2024 — voltou a dar aulas na rede pública do Distrito Federal como docente temporário. A reinserção gerou indignação entre familiares e amigos da vítima. Mayara foi morta em 2010, no município de Santa Rita de Cássia, no oeste da Bahia, a cerca de 1.000 km de Salvador, enquanto tomava banho. Doze dias após o crime, Igor apresentou-se a uma delegacia e confessou o homicídio. À época, alegou ter agido em “defesa da honra”, argumento historicamente usado para justificar feminicídios ou agressões contra mulheres e considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em 2023, por violar os princípios da vida, da dignidade e da igualdade de gênero. Na Bahia, o professor chegou a ser julgado, mas acabou absolvido. Em 2013, mudou-se para Brasília, formou família e passou a lecionar. Em 15 de novembro de 2024, foi detido pela Polícia Militar do Distrito Federal no Guará. Cinco dias depois, no entanto, uma decisão do Tribunal de Justiça da Bahia concedeu alvará de soltura. O nome de Igor voltou a aparecer no Diário Oficial do DF em 11 de dezembro de 2025, na lista de professores temporários aprovados em processo seletivo da rede pública. Desde o início do ano letivo, ele atuava no Centro de Ensino Fundamental 03 da Estrutural.

Após a repercussão do caso, a Secretaria de Educação do Distrito Federal informou, em nota, que o professor foi demitido ontem, 10. Segundo a pasta, no momento da contratação ele apresentou toda a documentação exigida para ingresso no serviço público temporário, incluindo certidões negativas de antecedentes criminais expedidas pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. A secretaria acrescentou que a Corregedoria instaurou procedimento sigiloso para apurar o caso. De acordo com documentos do inquérito policial, Igor demonstrava ciúmes obsessivo da companheira, comportamento que, segundo investigadores, ultrapassava os limites da normalidade. Ele a perseguia, desconfiava de sua fidelidade e monitorava seus passos. Na madrugada de 2 de novembro de 2010, após uma discussão, Igor chegou a apontar uma arma para o rosto da vítima. Desesperada, Mayara pediu a um amigo que vigiasse a casa enquanto ela tomava banho. O professor saiu da residência fingindo ir embora, mas retornou armado com um revólver calibre .38, pulou o muro dos fundos e surpreendeu a jovem no banheiro. Ainda de toalha, Mayara foi morta a tiros. Após o crime, Igor fugiu de moto para a fazenda do pai e se apresentou à polícia 12 dias depois.

 

VOTO DE PESSOAS PRESAS

Direito ao voto e presos provisórios - Pastoral Carcerária (CNBB)O artigo 40 do Projeto de Lei 5.582/2025, aprovado pelo Congresso Nacional em 24 de fevereiro, altera o Código Eleitoral (Lei 4.737/1965) para proibir o voto de pessoas presas, mesmo sem condenação definitiva. O texto, enviado para sanção presidencial, é considerado inconstitucional por advogados criminalistas ouvidos pela revista Consultor Jurídico, por violar o princípio da presunção de inocência. Além de retirar o direito de voto de presos sem condenação transitada em julgado, o chamado PL Antifacção aumenta penas por participação em organização criminosa ou milícia e prevê apreensão de bens de investigados em certas situações. Welington Arruda lembra que a Constituição estabelece, no artigo 15, que a suspensão dos direitos políticos só ocorre em caso de condenação criminal transitada em julgado. O dispositivo também prevê perda do direito a voto em casos de cancelamento de naturalização, incapacidade civil absoluta, recusa de obrigação legal e improbidade administrativa. Segundo ele, o projeto transforma a prisão cautelar em motivo para suspensão do direito de voto. Arruda ressalta que a prisão provisória tem natureza processual, destinada a garantir o andamento do processo, e não a antecipar efeitos de uma condenação. O advogado afirma ainda que o rol constitucional de hipóteses de suspensão de direitos políticos é taxativo, o que impede a criação de novas restrições por lei ordinária.

Luís Henrique Machado, professor de Processo Penal do IDP, também critica a proposta. Para ele, retirar o direito a voto de presos provisórios equivale a antecipar punição e representa exclusão política incompatível com a cidadania democrática. Na mesma linha, o professor Rodrigo Faucz afirma que restringir a cidadania de quem ainda não teve condenação definitiva é claramente inconstitucional e impede parte da população de reivindicar direitos. Aury Lopes Júnior sustenta que a medida viola frontalmente a presunção de inocência e configura excesso punitivo do Estado. Já Rogério Fernando Taffarello, professor da FGV-SP e sócio do escritório Mattos Filho, ressalta que prisões antes do trânsito em julgado têm natureza processual e não se confundem com cumprimento de pena. Caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vete o artigo 40 do PL Antifacção, o Congresso ainda poderá derrubar a decisão do Executivo. 

TSE: DOIS VOTOS PELA CONDENAÇÃO DO GOVERNADOR

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomará, nesta terça-feira (10), às  19h, o julgamento do processo que pede a cassação do mandato do governador  do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), por abusoO Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou dois votos pela condenação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), em ação que apura abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques e será retomado no dia 23. A análise do caso começou em novembro do ano passado, quando a relatora, Isabel Gallotti, votou pela cassação da chapa formada por Castro e o então vice-governador Thiago Pampolha (MDB). Na sessão mais recente, o ministro Antônio Carlos Ferreira acompanhou o voto da relatora. O processo também envolve o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) e o ex-presidente da Fundação Ceperj, Gabriel Rodrigues Lopes. A ação investiga a contratação, por decreto, de cerca de 27,6 mil funcionários temporários na Ceperj e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Segundo o processo, as contratações custaram R$ 519 milhões apenas no primeiro semestre de 2022. De acordo com o Ministério Público Eleitoral, parte desses trabalhadores teria atuado como cabos eleitorais na campanha daquele ano. Durante a sessão, Antônio Carlos Ferreira apresentou uma versão resumida de seu voto, originalmente com 62 páginas. Para o ministro, as contratações representaram uso indevido da máquina pública. Ele afirmou que houve um método estruturado de promoção pessoal e perpetuação de poder custeado com recursos públicos. Segundo o magistrado, decretos estaduais, atos normativos, depoimentos e relatórios do Tribunal de Contas apontam o caráter eleitoral das medidas. 

Entre os indícios estão pedidos de apoio político a beneficiários do programa e a realização de panfletagem. O governador pretende deixar o cargo até abril para disputar uma das duas vagas ao Senado pelo Rio de Janeiro. A pré-candidatura foi anunciada em 24 de fevereiro pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Uma eventual condenação pode resultar na cassação do mandato de Castro. Também pode levar à declaração de inelegibilidade dele, de Rodrigo Bacellar e de Gabriel Rodrigues Lopes. Além disso, o tribunal poderá determinar a realização de novas eleições no estado. Antes de encerrar a sessão, a presidente do TSE, Cármen Lúcia, afirmou que o processo não ficará parado. Ela garantiu a retomada do julgamento no dia 23. A ministra também reservou uma sessão extra no dia 24. A medida foi tomada caso seja necessário concluir a votação do caso.