O Exército de Israel retirou ontem, 12, as acusações contra cinco soldados suspeitos de torturar um palestino detido durante a guerra contra o Hamas na Faixa de Gaza. A decisão foi anunciada em meio ao foco do país na guerra contra o Irã. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, elogiou a decisão. “O Estado de Israel deve caçar seus inimigos, não seus próprios combatentes heroicos”, disse em comunicado. O caso ganhou repercussão internacional após manifestantes de direita, incluindo integrantes do gabinete de Netanyahu, invadirem instalações militares para protestar contra a investigação. A chefe do departamento jurídico do Exército, Yifat Tomer-Yerushalmi, havia divulgado um vídeo do suposto abuso à imprensa local. A procuradora-geral militar renunciou em outubro e foi presa posteriormente pelo vazamento das imagens, ação que afirmou ter feito para combater propaganda contra o departamento jurídico militar. Seu sucessor, o major-general Itai Ofir, decidiu retirar as acusações citando “circunstâncias excepcionais” que prejudicaram a possibilidade de conduzir o processo garantindo julgamento justo.
As imagens vazadas de câmeras de segurança do centro de detenção militar de Sde Teiman detention facility mostram soldados levando um prisioneiro para um canto enquanto bloqueiam a visão de suas ações. Os militares respondiam por acusações de abuso grave e de causar lesões ao detento. Segundo a denúncia, um dos soldados teria ferido o prisioneiro com um objeto pontiagudo. O detento palestino foi libertado e voltou a Gaza após o acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas em outubro. Nem o prisioneiro nem os soldados tiveram os nomes divulgados. Líderes palestinos não comentaram imediatamente a decisão. A Association for Civil Rights in Israel havia pedido o fechamento do centro Sde Teiman por denúncias de abusos contra detentos palestinos. O Exército reduziu gradualmente o uso da instalação desde junho de 2024, embora organizações de direitos humanos continuem relatando casos de tortura em centros de detenção israelenses.
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