Os Estados Unidos apreenderam, nesta semana, o petroleiro Skipper, que transportava quase 2 milhões de barris de petróleo bruto da Venezuela para Cuba, como parte de uma colaboração entre os dois países. O Skipper fez uma parada antes de seguir para a Ásia, depois de transferir parte do petróleo para o Neptune 6, que seguiu para Cuba. A Venezuela tem fornecido petróleo a Cuba a preços subsidiados há décadas, em troca de médicos, instrutores e seguranças cubanos. Nos últimos anos, grande parte do petróleo destinado a Cuba foi redirecionada para a China, com os lucros sendo usados para obter moeda forte para a Venezuela, embora o destino exato desses recursos seja difícil de rastrear. A apreensão do Skipper pelos EUA é vista por Cuba como um "ato de pirataria", enquanto o governo dos EUA afirmou que o objetivo era enfraquecer Maduro e cortar seu acesso a fundos.
O empresário panamenho Ramón Carretero, envolvido na negociação do petróleo entre os dois países, foi sancionado pelos EUA. Carretero, que intermediou o comércio de petróleo, é uma figura chave nesse fluxo de recursos. A Cubametales, empresa estatal cubana, comprou grande parte do petróleo venezuelano destinado à ilha. No entanto, o petroleiro não entregou a carga em Cuba, sendo desviado para a China após uma parte da carga ser descarregada. A operação do Skipper reflete uma rede flexível entre a Venezuela, Cuba, Irã e Rússia, que compartilham uma relação de comércio de petróleo, evitando sanções internacionais. A Rússia, por exemplo, tem fornecido nafta à Venezuela, essencial para a exportação do petróleo venezuelano. Esse comércio está fortemente ligado à necessidade de manter o fluxo de receitas do petróleo, enquanto enfrenta restrições internacionais.





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O professor de História Régis Marques conheceu a Escola Estadual Parque dos Sonhos em 2016, ao ser convidado para assumir a direção da unidade em Cubatão. Ao pesquisar sobre o local, encontrou notícias de furtos, invasões e até a presença de traficantes em festas da escola, apelidada de “Parque dos Pesadelos”. Mesmo receoso, aceitou o desafio. A escola, inaugurada em 2014, ficava em área isolada e era alvo constante de invasões; pinos de cocaína e objetos usados eram encontrados no pátio. No início, havia só 116 alunos, muitos fugindo da violência. Régis definiu como meta transformar a escola em referência em cinco anos. Professores duvidaram, mas ele começou pelo básico: recuperar muros, pisos e mobiliário. Sem verba, enviaram 135 ofícios e arrecadaram R$ 100 mil. A escola abriu-se à comunidade com cursinhos e atividades aos fins de semana. Moradores passaram a ajudar como voluntários. Com o tempo integral, o currículo foi ampliado para 23 projetos, como culinária, badminton e patinação, além de ações de escuta e acolhimento aos alunos. Inspirado em modelo cubano, o projeto “A escola vai à sua casa” levou professores a visitar famílias e entender dificuldades que afetam a vida escolar. Os corredores ganharam grafites de figuras ligadas aos direitos humanos, como Gandhi, Mandela, Malala, Mujica, Marielle Franco e Paulo Freire, integrando o trabalho da Semana da Não Violência, que discute justiça restaurativa e diálogo.