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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

VENEZUELA NÃO É GRANDE PRODUTORA DE COCAÍNA

Venezuela cresce na produção de cocaínaSob forte escolta da DEA, o ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou a Nova York no sábado (3) para responder a acusações de narcoterrorismo. A cena marca o auge de uma ofensiva militar e judicial que Washington diz combater “drogas que matam americanos”.
O Departamento de Justiça acusa Maduro, a mulher, o filho e aliados de narcoterrorismo, tráfico internacional e porte ilegal de armas. Em setembro, Donald Trump afirmou que a operação visava o tráfico ligado a overdoses nos EUA. Dados oficiais, porém, contradizem essa narrativa. Informações internacionais e do próprio governo americano indicam que a Venezuela não é grande produtora de cocaína. O país tampouco figura entre as principais rotas da droga para a América do Norte. Segundo a ONU, os fluxos mais relevantes para os EUA passam por Colômbia, Panamá, México e El Salvador. A Venezuela aparece sobretudo como rota da droga destinada à Europa. Relatórios da DEA reforçam esse quadro. Mais de 80% da cocaína apreendida nos EUA tem origem na Colômbia. A Venezuela sequer é mencionada nesses levantamentos. Entre as principais rotas de entrada, o Pacífico concentra maior volume e pureza que o Caribe. Ainda mais distante da Venezuela está a crise que mais mata americanos: os opioides sintéticos.

Cerca de 75% das mortes por overdose nos EUA estão ligadas a opioides, como o fentanil. Em 2023, foram cerca de 105 mil mortes por esse tipo de droga. O fentanil é produzido majoritariamente no México com insumos da China. Não há registros de produção ou trânsito relevante da substância pela Venezuela. Mesmo assim, em setembro de 2025, Trump ordenou ataques a embarcações no Caribe. A Casa Branca afirma que elas transportavam drogas da Venezuela para os EUA. Foram ao menos 35 ofensivas, com 115 mortos. Especialistas em direito internacional consideram as ações ilegais. A acusação sustenta que Maduro liderava o Cartel de los Soles, cuja existência é contestada. Também aponta cooperação com o Tren de Aragua, designado terrorista por Trump em 2025. Especialistas descrevem o grupo como facção local, restrita à Venezuela e países andinos. Documentos de inteligência dos EUA negam evidências de cooperação estatal organizada. Os dados sugerem que o narcotráfico não explica, sozinho, a intervenção americana. A contradição se acentua com o indulto de Trump a Juan Orlando Hernández, condenado por tráfico.

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