O Tribunal de Justiça de Mato Grosso afastou por 90 dias a juíza Maria das Graças Gomes da Costa, da Vara da Infância e Juventude de Rondonópolis. A medida ocorreu após representação do Ministério Público enviada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O MP apontou indícios de atuação irregular da magistrada em processo de guarda envolvendo o marido. Ele é réu por feminicídio ocorrido em 2023. A reclamação disciplinar foi protocolada no CNJ em 19 de dezembro. Quatro dias depois, o corregedor nacional Mauro Campbell pediu informações ao TJMT. Em 26 de dezembro, o tribunal confirmou o afastamento cautelar da juíza. Segundo o MP, a magistrada teria interferido indevidamente em ações sobre a guarda da filha do marido e da vítima. Ela teria dificultado o cumprimento de decisão que concedeu a guarda à avó materna. Houve ainda relato de retirada da criança para outro local, atrasando a execução da ordem judicial.O caso chegou diretamente ao CNJ após magistrados declararem suspeição. Para o MP, isso deixou a avó materna desassistida. A representação também cita uso de arma registrada em nome da juíza pelo marido. Além disso, aponta ligações feitas por ele a partir do telefone funcional da magistrada. A vítima, Leidiane Souza Lima, foi morta a tiros ao sair para o trabalho. Ela deixou três filhos, incluindo a criança envolvida na disputa de guarda. A defesa nega irregularidades e diz que a denúncia é inverídica. Afirma que a juíza agiu com base em decisões judiciais e não usou o cargo. O TJMT e o CNJ informaram que o caso corre sob segredo de Justiça.
Nenhum comentário:
Postar um comentário