Um movimento atípico marca o início de 2026 no mercado financeiro brasileiro, com forte entrada de dólares no país. A moeda americana já caiu 3,7% frente ao real no ano, chegando a R$ 5,287 na última sexta-feira (23). Na Bolsa, o fluxo estrangeiro líquido soma R$ 12,35 bilhões até 21 de janeiro, quase metade do total de 2025. Esse movimento impulsionou o Ibovespa ao recorde histórico nominal de 178.858 pontos. Analistas atribuem o fenômeno a uma realocação global de investimentos, com saída de recursos dos EUA em busca de diversificação diante das tensões geopolíticas do governo Donald Trump. O dólar perdeu força globalmente, segundo o índice DXY. O receio de congelamento de ativos americanos, após o precedente da Rússia, levou países a reduzir exposição a títulos do Tesouro dos EUA. Parte desses recursos encontrou destino no Brasil, que oferece mercado profundo e ativos ainda baratos. Mesmo com a alta da Bolsa, o múltiplo P/L segue abaixo da média histórica, o que atrai investidores. Segundo especialistas, uma melhora fiscal poderia ampliar ainda mais esse fluxo.
Outros mercados latino-americanos tiveram desempenho superior, com destaque para o Peru. Ainda assim, a América Latina lidera a rentabilidade global em 2026. O dólar mais fraco ajudou a conter a inflação no Brasil e pode abrir espaço para cortes na Selic. Metais preciosos, como ouro e prata, também se valorizaram diante do cenário de incerteza global. Apesar do momento positivo, analistas alertam para riscos, como decisões do Fed e o cenário político brasileiro. Ainda assim, há expectativa de continuidade do fluxo estrangeiro no curto prazo.
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