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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

ESTADOS UNIDOS: PODER POLICIAL REGIONAL

Um Estudo de Polícia Comparada: Brasil e Estados Unidos da AméricaA invasão da Venezuela pelos Estados Unidos marca, segundo o brasilianista Brian Winter, o retorno de Washington como poder policial regional, inspirado no Corolário Roosevelt. Essa lógica, dominante por quase 200 anos da política externa americana, teria sido apenas interrompida no período pós-Guerra Fria. Winter afirma que a decisão é arriscada e a mais importante tomada pelos EUA na América Latina em mais de 35 anos. A prisão de Nicolás Maduro, figura altamente impopular, torna difícil prever os impactos regionais, mas pode influenciar eleições, investimentos e relações diplomáticas. Ele destaca que a implosão da Venezuela contribuiu para o deslocamento político da América Latina à direita, desacreditando projetos de esquerda. A crise migratória venezuelana afetou fortemente países como Colômbia, Peru e Chile, influenciando disputas eleitorais. A operação lembra a invasão do Panamá, mas difere pela impopularidade de Maduro e pela reação regional ainda incerta. Winter acredita que os EUA não pretendem ocupar a Venezuela, mas sim instalar um governo alinhado a seus interesses.

Trump, apesar de criticar “guerras inúteis”, demonstra maior tolerância a intervenções no Hemisfério Ocidental, tratando a região como área estratégica de segurança. Ainda assim, enfrenta limites impostos por sua própria base política. Sobre o Brasil, Winter avalia que a reação crítica de Lula segue a tradição do Itamaraty, baseada na defesa da soberania e do multilateralismo. O impacto nas relações com os EUA ainda é incerto. Por fim, ele ressalta que o poder americano é limitado e que os desdobramentos na Venezuela permanecem imprevisíveis, tanto para a região quanto para a política interna dos países envolvidos.

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