NÚMERO DE CÂMERAS SUPERA O DE HABITANTES
Caminhar pela praça da Sé, em 2026, significa estar constantemente filmado e ter dados biométricos registrados por sistemas públicos. Só no trajeto entre a estação Sé e o prédio do Smart Sampa há cerca de 55 câmeras, em média uma a cada oito metros. O centro de monitoramento municipal reúne dezenas de telas com imagens de toda a cidade. A vigilância vai além do poder público e inclui celulares, câmeras corporais, ônibus, metrôs, condomínios e repartições. Estimativas apontam ao menos 9,6 milhões de smartphones e 3,8 milhões de câmeras de segurança em São Paulo. Com isso, o número de câmeras supera o de habitantes da capital. Pesquisadores alertam para a redução do debate público sobre reconhecimento facial e seus impactos sociais. Especialistas afirmam que a tecnologia ajuda investigações, mas não inibe crimes. Também há preocupação com o uso indevido de dados sensíveis e possíveis violações da LGPD. Outro efeito é a mudança de comportamento dos moradores diante da vigilância constante. Câmeras ampliam a sensação de insegurança ao expor situações antes invisíveis. Para críticos, o controle cotidiano acaba recaindo sobre a vida comum e banal dos cidadãos.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou ontem, 25, que o país não aceitará interferências estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos. A declaração foi feita durante discurso a trabalhadores do setor petrolífero em Anzoátegui. Rodríguez criticou ordens vindas de Washington e defendeu que conflitos internos sejam resolvidos pelos venezuelanos. Ela reforçou o discurso de soberania nacional diante da crise política.
Rodríguez assumiu o poder em 3 de janeiro, após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA.
Desde então, o governo interino sofre pressão do presidente Donald Trump. Apesar disso, os dois firmaram acordos energéticos e negociaram a libertação de presos políticos. No domingo, mais de 100 presos foram soltos, segundo a ONG Foro Penal. Organizações de direitos humanos, porém, criticam a lentidão do processo. Trump afirmou que os EUA passaram a controlar o petróleo venezuelano. Segundo ele, carregamentos já chegam a refinarias americanas. Rodríguez disse que a Venezuela recebeu US$ 300 milhões do acordo para recuperação econômica.
ATAQUE EM ESTÁDIO DEIXA 11 MORTOS Um ataque armado após uma partida de futebol deixou 11 mortos e 12 feridos em Salamanca, no estado mexicano de Guanajuato, ontem, 25. Homens armados invadiram o campo e atiraram contra as pessoas presentes, segundo o prefeito César Prieto. Dez vítimas morreram no local e uma faleceu no hospital. O prefeito atribuiu a violência à atuação de grupos do crime organizado. Ele pediu apoio ao governo da presidente Claudia Sheinbaum para “recuperar a paz” na cidade. As autoridades iniciaram uma operação para localizar os responsáveis. No sábado (24), foram encontradas quatro bolsas com restos humanos na cidade. Salamanca abriga uma importante refinaria da estatal Pemex. Em Guanajuato atuam o Cartel de Santa Rosa de Lima e o CJNG. O estado é um dos mais violentos do México. A violência está ligada à disputa do tráfico varejista. E também ao roubo de combustível de dutos.
ATRASO DE VOO NÃO GERA DANO PRESUMIDO
O atraso ou cancelamento de voo, por si só, não gera dano moral presumido. Para haver indenização, é necessária prova de abalo extrapatrimonial efetivo. Com esse entendimento, a 4ª Turma do STJ acolheu parcialmente recurso de companhia aérea. A Corte afastou a condenação automática por atraso de voo. Determinou-se o retorno do processo para reavaliar a existência de dano moral comprovado. O caso envolveu viagem de Chapecó (SC) a Sinop (MT), com perda de conexão. O passageiro chegou ao destino quase 24 horas depois do previsto. Ele alegou falta de assistência e acesso à bagagem durante a espera. As instâncias anteriores haviam fixado indenização de R$ 10 mil. A relatora reafirmou a aplicação do Código de Defesa do Consumidor. Contudo, destacou que a responsabilidade objetiva não é absoluta. O dano moral deve ser comprovado, pois não se presume automaticamente.
TRUMP QUER SER PRESIDENTE VITALÍCIO
Projeto cria o chamado Conselho da Paz de Trump, com presidência vitalícia, por tempo indeterminado e poderes praticamente ilimitados. Como reforço político, o genro Jared Kushner terá assento no Conselho. Influente conselheiro, atua em diplomacia e negócios imobiliários, com forte presença em Gaza. No plano externo, entraves ao acordo Mercosul–UE lembram a ironia de Talleyrand sobre o verdadeiro significado do “sim” diplomático. Já nos EUA, choca a imagem de Liam Ramos, menino de cinco anos detido pelo ICE em Minnesota, levado ao Texas apesar do apelo de um vizinho.
Salvador, 26 de janeiro de 2026.
Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.
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