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quinta-feira, 28 de maio de 2026

ISRAEL É PREPARADA PARA MATAR


O Exército de Israel afirmou ter realizado um ataque aéreo “preciso” contra Beirute, capital do Líbano, nesta quinta-feira (28), após ofensivas no sul do país deixarem ao menos 12 mortos e 21 feridos. Segundo militares libaneses, o bombardeio atingiu um apartamento na região de Choueifat, ao sul da capital. 
O Ministério da Saúde do Líbano informou que os ataques israelenses no sul do país mataram ao menos 11 pessoas, incluindo duas crianças. Um soldado do Exército libanês também morreu em um ataque separado na região de Nabatieh. Em Sidon, um bombardeio atingiu um prédio e matou cinco pessoas, entre elas duas mulheres, além de deixar 21 feridos, incluindo cinco crianças. Já a Defesa Civil libanesa relatou oito ataques contra a cidade de Tiro desde a noite de quarta-feira, além de bombardeios em áreas vizinhas. O cessar-fogo entre Israel e Líbano entrou em vigor em 17 de abril, mas tem sido desrespeitado por ambos os lados. Israel mantém ataques frequentes contra alvos ligados ao Hezbollah no sul libanês.

Nesta semana, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, prometeu intensificar as ofensivas contra o Hezbollah. Na quarta-feira, o Exército israelense declarou todo o território libanês ao sul do rio Zahrani como “zona de guerra”, ampliando a área potencial de operações militares. A medida foi anunciada pelo porta-voz Avichay Adraee, que ordenou a retirada de moradores da região, incluindo cidades como Tiro e Nabatieh, já atingidas por novos ataques. O rio Litani marca a área da qual Israel se retirou após a ocupação do sul do Líbano entre 1982 e 2000. A ampliação da zona militar indica uma nova fase do conflito e sugere expansão da presença israelense no território vizinho. Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, mais de 3.200 pessoas morreram desde o início das hostilidades, sendo ao menos 600 após o cessar-fogo. O conflito já deslocou mais de 1,2 milhão de pessoas.

 

O HOMEM DE VOLTA À LUA



A Nasa divulgou detalhes de módulos robóticos, drones e veículos que pretende enviar à Lua para viabilizar uma futura base lunar dos EUA. Entre as empresas contratadas estão a Blue Origin, a Intuitive Machines e a Astrobotic. Os EUA querem levar astronautas de volta à Lua antes do fim do mandato do presidente Donald Trump, em 2029, enquanto disputam com a China a nova corrida espacial. Os chineses planejam pousar astronautas na Lua até 2030 e lançaram recentemente a nave Shenzhou-23 rumo à estação espacial Tiangong. Em março, a NASA anunciou um programa de US$ 20 bilhões para criar uma base permanente no polo sul lunar até 2032, usando energia nuclear e solar. O administrador da agência, Jared Isaacman, afirmou que os EUA “nunca mais abrirão mão da Lua”. O projeto prevê três fases. Primeiro, drones e módulos robóticos irão explorar e mapear a superfície lunar. Depois, serão instalados sistemas de energia e veículos para transporte de astronautas e equipamentos científicos.

A Blue Origin desenvolverá o módulo Endurance, capaz de pousos autônomos de precisão. Já o módulo Griffin-1, da Astrobotic, deverá pousar próximo ao polo sul lunar. As missões também levarão câmeras e instrumentos a laser para auxiliar nas operações. Segundo a Nasa, a fase robótica deve durar até 2029, com 25 lançamentos e quatro toneladas de carga enviadas à Lua. Em 2032, a meta é permitir estadias humanas “semipermanentes” na superfície lunar. O polo sul da Lua é considerado estratégico por conter água congelada, que pode ser usada para consumo e produção de oxigênio. Apesar do avanço do programa Artemis, especialistas consideram o cronograma ambicioso. A SpaceX enfrenta atrasos no desenvolvimento da nave Starship Human Landing System, responsável por levar astronautas à Lua. Para o cientista lunar Simeon Barber, a etapa mais difícil continua sendo pousar humanos com segurança na superfície lunar.







PAIS CONDENADOS POR EDUCAR FILHAS EM CASA


O debate sobre educação domiciliar (“homeschooling”) voltou às redes após um casal de Jales (SP) ser condenado a prisão em regime semiaberto por educar as duas filhas, de 11 e 15 anos, em casa. A escola onde as meninas estudavam denunciou a família ao Conselho Tutelar, já que o ensino domiciliar não é permitido no Brasil. Os pais alegaram que as filhas tiveram melhor desenvolvimento intelectual fora da escola e apresentaram mais de 3 mil páginas de laudos e documentos. Segundo a defesa, as meninas estudam português, matemática, latim, música e leitura intensa, além de frequentarem coral, piano e clubes de jovens. Mesmo com pedido de absolvição do Ministério Público, o juiz entendeu que houve abandono intelectual e condenou os pais a 50 dias de detenção. A defesa recorreu e afirma que a pena ainda não começou a ser cumprida. O caso reacendeu a polarização sobre o “homeschooling”. Defensores afirmam que os pais devem ter liberdade para escolher como educar os filhos e sustentam que o desempenho acadêmico costuma ser superior ao da escola tradicional.

Críticos dizem que a escola é essencial para a convivência democrática, diversidade de opiniões e proteção contra violência doméstica. Também alertam para aumento das desigualdades e sobrecarga da educação pública. Atualmente, o ensino domiciliar não é regulamentado no Brasil. Em 2018, o STF decidiu que a prática não é inconstitucional, mas depende de lei específica. Um projeto em tramitação no Senado busca autorizar o modelo, prevendo avaliações periódicas, fiscalização e acompanhamento pedagógico. Hoje, famílias que adotam o “homeschooling” podem responder por abandono intelectual ou violação do direito à educação. O modelo já é regulamentado em mais de 60 países, como Estados Unidos, Portugal, França e Japão, mas as regras variam conforme cada local.

 

INJEÇÃO VETERINÁRIA APLICADA EM MULHER


Uma tutora acionou a Justiça após receber, por engano, uma injeção veterinária destinada à sua cachorra em uma clínica de Vinhedo (SP). O caso ocorreu em janeiro de 2024, no Hospital Veterinário PetSon, quando a mulher levou a cadela Olívia para atendimento por dores na pata. Segundo o processo, a veterinária aplicaria medicamentos injetáveis no animal, que estava no colo da dona, mas acabou injetando o conteúdo da seringa no braço da tutora. A profissional reconheceu o erro e informou que o produto era um antibiótico de uso veterinário, identificado como enrofloxacino. A mulher relatou dor e ardência imediatas e procurou atendimento na Santa Casa de Vinhedo, onde recebeu medicação contra reação alérgica. Dias depois, buscou novo tratamento no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, realizando exames e uso de antibióticos e corticoides devido ao edema no braço.

O caso foi registrado na Polícia Civil como lesão corporal culposa. Segundo o processo, houve termo circunstanciado e acordo da veterinária com o Ministério Público, com pagamento de um salário mínimo, sem indenização direta à vítima. A ação judicial, protocolada em maio de 2026, pede R$ 52.357,18 em indenização. Desse total, R$ 2.357,18 correspondem a despesas médicas e medicamentos, e R$ 50 mil são por danos morais. A defesa do hospital afirmou que o episódio foi isolado, que a cliente recebeu assistência desde o início e destacou que a clínica atua há mais de 13 anos sem casos semelhantes. Também informou que ainda não foi formalmente citada no processo e, por isso, não comentará aspectos técnicos ou jurídicos neste momento. 

PALESTINOS MORTOS PRÓXIMOS DA LINHA DE ARMISTÍCIO COM O HAMAS


Cerca de um terço dos palestinos mortos por Israel desde o cessar-fogo de outubro estava próximo à linha de armistício com o Hamas, segundo o escritório de direitos humanos da ONU. 
A organização afirma que há indícios de que civis estejam sendo alvejados apenas por se aproximarem da área, o que poderia configurar crimes de guerra. Israel mantém tropas posicionadas atrás da chamada “linha amarela”, criada após a trégua, mas o Exército tem avançado os limites da zona militar para dentro de Gaza. Mapas israelenses indicam que a área restrita já cobre quase dois terços do território. O plano de cessar-fogo mediado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, previa retirada gradual das tropas israelenses, mas isso ainda não ocorreu. Pelo contrário, a ampliação da zona militar aumentou o temor entre palestinos deslocados que vivem próximos à fronteira improvisada. Dados da ONU apontam 453 mortes confirmadas desde o cessar-fogo até 5 de fevereiro. Destas, 152 ocorreram perto da fronteira, incluindo homens, mulheres e crianças.

O chefe do escritório da ONU para os territórios palestinos, Ajith Sunghay, afirmou que muitos civis não representavam ameaça aos militares israelenses e foram mortos enquanto realizavam atividades cotidianas. Segundo ele, a localização exata da linha militar também é incerta para os moradores. Israel afirma que as “zonas de amortecimento” em Gaza, Síria e Líbano servem para evitar novos ataques como o realizado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Mesmo após a trégua, ataques israelenses continuaram em Gaza. Autoridades locais afirmam que cerca de 900 palestinos morreram desde o cessar-fogo. No mesmo período, quatro soldados israelenses foram mortos por militantes, segundo o Exército israelense. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 28/05/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

PEC do fim da escala 6 x 1 depende, agora, de aprovação no Senado

Com placar elástico nas votações em dois turnos, Câmara dá aval à proposta que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Vinhos, champanhe, bife de ouro: PF lista encontros entre Castro e Vorcaro em ano de aportes do Rioprevidência no Master

Mensagens obtidas pela Polícia Federal identificaram indícios de 'laços de amizade' o ex-governador e o banqueiro

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO P AULO/SP

Segunda fase da Carbono Oculto mira bancos paralelos do crime organizado no setor de combustíveis

Operação Fluxo Oculto é a segunda fase da Operação Carbono Mandados são cumpridos em São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Magistrados apresentam lista tríplice de mulheres para vaga aberta no STF

A ideia é apresentar os nomes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias.

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Porto Alegre terá ações de conscientização para o Dia Livre de Impostos 2026

Postos e supermercados receberão mutirões para mostrar o impacto dos impostos nos itens de consumo diário

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Sem oferta pública, pacote fiscal não resolve problema estrutural da habitação

Incentivos que Governo lançou para promover oferta de casas no país constituem uma resposta à classe média mais favorecida, dizem especialistas. Portugueses com menores rendimentos ficam excluídos.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

FLÁVIO BOLSONARO VAI BUSCAR APOIO FORA DO PAÍS


O encontro entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca, foi interpretado por especialistas como um gesto político relevante para a disputa eleitoral brasileira de 2026, mas com alcance limitado junto ao eleitorado de centro. 
Analistas avaliam que a imagem de Flávio ao lado de Trump fortalece sua posição dentro do campo conservador, embora dificilmente reverta a crise causada pelas denúncias envolvendo pedidos de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair BolsonaroPesquisas recentes apontaram queda de Flávio nas intenções de voto após a divulgação das mensagens pelo The Intercept Brasil. O senador nega irregularidades. Especialistas afirmam ainda que o encontro acende alerta diplomático, por sugerir possível preferência política de Trump por um candidato alinhado ideologicamente a ele, o que pode ser interpretado como tentativa de influência dos EUA na eleição brasileira. A reunião ocorreu três semanas após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca. Diferentemente da agenda de Lula, porém, o encontro com Flávio não apareceu na programação oficial americana. Segundo Flávio, a conversa durou cerca de 1h40 e foi marcada por “enorme cordialidade”, embora não haja confirmação oficial da Casa Branca sobre o formato do encontro. 

Para o professor Vinicius Rodrigues Vieira, da FGV e da FAAP, o simples fato de Trump receber um pré-candidato brasileiro já representa uma sinalização política importante. A articulação da reunião teria sido feita pelo deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA e mantém relações com grupos conservadores ligados a Trump. A professora Regiane Bressan, da Unifesp, avalia que o encontro reforça o alinhamento ideológico de Flávio com a direita americana e busca consolidar apoio entre eleitores conservadores brasileiros. Os especialistas consideram, porém, que a foto dificilmente ampliará o apoio de Flávio entre eleitores moderados, embora possa enfraquecer adversários da direita, como Romeu Zema e Ronaldo CaiadoOutro ponto sensível foi o pedido feito por Flávio para que os EUA classifiquem o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O governo Lula rejeita essa possibilidade por considerar que ela poderia abrir espaço para maior interferência americana em território brasileiro. Analistas afirmam que, caso os EUA adotem essa classificação durante a campanha eleitoral, o gesto poderia beneficiar politicamente Flávio Bolsonaro e aumentar as tensões diplomáticas entre Brasília e Washington. Para especialistas, o episódio cria desconfiança sobre a relação entre Brasil e EUA e pode esfriar a agenda bilateral até as eleições de 2026.

CAROLINA DO SUL E ALABAMA ROMPEM COM O PARTIDO


A pressão de Donald Trump para que estados republicanos redesenhem distritos eleitorais antes das eleições de meio de mandato sofreu dois reveses ontem, 26, na Carolina do Sul e no Alabama. Na Carolina do Sul, senadores republicanos romperam com o partido e votaram com democratas para barrar um novo mapa que enfraquecia o distrito representado desde 1992 por James ClyburnNo Alabama, um painel de juízes federais suspendeu um mapa republicano que eliminava um dos dois distritos com grande população negra. Segundo os magistrados, houve discriminação intencional contra eleitores negros. A ofensiva republicana ganhou força após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que enfraqueceu a Lei dos Direitos do Voto, legislação criada nos anos 1960 para impedir mudanças eleitorais prejudiciais a minorias raciais. Apesar das derrotas, republicanos ainda avançam em estados como Texas, Flórida, Tennessee, Missouri, Carolina do Norte e Ohio, buscando ampliar a estreita maioria do partido na Câmara dos Representantes. Hoje, os republicanos controlam 217 cadeiras e contam com o apoio frequente de um deputado independente para manter a maioria simples da Casa.

Nos EUA, não existe regra constitucional que imponha prazo mínimo para mudanças eleitorais entrarem em vigor antes das eleições, ao contrário do Brasil, cuja Constituição exige antecedência mínima de um ano. Na Carolina do Sul, a proximidade das primárias ajudou a derrubar o novo mapa. Alguns eleitores já começaram a votar antecipadamente. O senador republicano Richard Cash afirmou que não aceitaria interromper uma eleição já em andamento. Já o senador Tom Davis criticou a rapidez do processo e disse que o mapa foi elaborado sem debate adequado. Enquanto isso, no Tennessee e na Flórida, decisões judiciais mantiveram mapas eleitorais favoráveis aos republicanos. Nos EUA, deputados são eleitos por distritos eleitorais, definidos pelos estados de acordo com a população. O redesenho desses distritos, controlado em muitos casos pelos Legislativos estaduais, tem forte impacto político e pode favorecer democratas ou republicanos conforme a distribuição dos eleitores.

 

RÉU PRESO SEM CULPA FORMADA POR MAIS DE DOIS ANOS


O excesso de prazo na instrução criminal, causado pela demora do Estado na produção de provas e sem contribuição da defesa, configura constrangimento ilegal e pode justificar a revogação da prisão preventiva. Com esse entendimento, a 11ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu Habeas Corpus e autorizou a liberdade provisória de um réu acusado de feminicídio, lesão corporal e ameaça. Ele responderá ao processo em liberdade, mediante medidas cautelares. O acusado estava preso preventivamente há mais de dois anos. Segundo o Ministério Público, o crime ocorreu em setembro de 2023, em Praia Grande (SP), quando ele teria matado a ex-mulher a facadas diante do filho de nove anos do casal. A vítima possuía medida protetiva por ameaças anteriores. Após o ataque, o homem teria tentado suicídio, ferindo o próprio pescoço.

A defesa sustenta versão diferente. Os advogados afirmam que o réu foi atacado primeiro pela ex-companheira enquanto estava no sofá, reagindo em seguida. O processo depende de laudo pericial de DNA para identificar a origem do sangue encontrado na sala e nas armas do crime. Embora o material tenha sido coletado dez meses antes, a Polícia Civil ainda não apresentou o exame. Diante da demora, o juiz Felipe Esmanhoto Mateo expediu sete requisições cobrando o documento, mas os órgãos policiais alegaram dificuldades para localizar as amostras. Sem previsão de retomada da instrução, a defesa alegou constrangimento ilegal pelos 911 dias de prisão sem culpa do acusado. O relator, desembargador Alexandre Carvalho e Silva de Almeida, acolheu o pedido. Segundo ele, apesar da gravidade do caso, o réu é primário e não pode suportar o ônus da ineficiência estatal na produção da prova científica. 

FALHA NO USO DE IA, SEGUNDO ADVOGADOS


Pesquisa do Superior Tribunal de Justiça (STJ) revelou que ao menos 13 tribunais de apelação já utilizam inteligência artificial para analisar a admissibilidade de recursos especiais. O levantamento foi apresentado no III Encontro com Tribunais de Justiça e Tribunais Regionais Federais sobre recursos dirigidos aos tribunais superiores. Outras dez cortes afirmaram não usar IA, entre elas o Tribunal de Justiça de São Paulo. Nos tribunais que adotam a tecnologia, os sistemas auxiliam na triagem, classificação, análise de requisitos formais e elaboração de minutas de decisões. O próprio STJ utiliza o sistema Logos, capaz de ler petições, identificar teses jurídicas e sugerir minutas. O tribunal detectou tentativas de “prompt injection”, estratégia usada para inserir comandos ocultos em petições a fim de influenciar a IA. Os casos são investigados administrativa e criminalmente. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais aparece entre os mais avançados no uso da tecnologia, empregando assistentes próprios e plataformas do Google para sugerir aplicação de precedentes e súmulas. Já o TJ de Rondônia usa IA não generativa treinada com histórico de recursos aceitos e rejeitados.

No Paraná, o sistema Simba-Jud reúne agentes virtuais que fazem contagem de prazo, verificam gratuidade de Justiça, localizam procurações e sugerem padrões decisórios. Os tribunais relatam ganhos de eficiência e celeridade na análise de recursos ao STJ e STF. Por outro lado, cresce a reação da advocacia diante de falhas atribuídas ao uso da IA. O ministro Rogerio Schietti manifestou preocupação com erros graves em petições produzidas com auxílio tecnológico e comunicou a OAB. Também se multiplicam recursos questionando se decisões judiciais teriam sido produzidas por inteligência artificial sem supervisão humana. Em um habeas corpus, o ministro Antonio Saldanha classificou como “desrespeitosa” a acusação de que decisão teria sido integralmente produzida por IA. Segundo ele, os sistemas apenas auxiliam na elaboração de relatórios e localização de teses. A ConJur identificou apenas um caso em que o STJ reconheceu erro do sistema Logos. No AREsp 2.923.529, a Presidência admitiu que a análise automatizada não percebeu diferenças processuais relevantes, agravadas pela digitalização desordenada dos autos no TJ de Goiás.

 

PEDIDO AFASTAMENTO DE DESEMBARGADOR NO PARANÁ


A seccional paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil pediu ao Conselho Nacional de Justiça o afastamento cautelar do desembargador Francisco Carlos Jorge, do Tribunal de Justiça do ParanáO magistrado é investigado sob suspeita de ter vendido uma decisão judicial em troca de um quadriciclo. A denúncia foi apresentada pela Construtora Zoller, de Curitiba, que afirma ter reunido provas como depoimento do vendedor, notas fiscais e fotos do veículo com familiares do desembargador. Francisco Carlos Jorge nega irregularidades e afirma não haver provas de benefício indevido. No pedido protocolado nesta segunda-feira (25), a OAB-PR solicita o afastamento do desembargador durante as investigações e a proibição de contato dele com o processo e as partes envolvidas. Subsidiariamente, pede a redistribuição dos casos sob sua relatoria. A entidade sustenta que o magistrado desrespeitou ordem de suspensão do TJPR e atuou em causa de interesse próprio, comprometendo a imparcialidade exigida pela magistratura. A disputa judicial começou em 1993, em ação contra a Construtora Zoller por atraso de aluguel. A empresa afirma que vencia o processo até 2024, quando decisões anteriores foram revertidas após a contratação de um novo advogado pela parte contrária. Segundo a construtora, a mudança ocorreu após decisão de Francisco Jorge em embargos de declaração, o que teria reativado dívida estimada em R$ 14 milhões — valor contestado pela empresa, que calcula débito de R$ 288,5 mil.

Os advogados afirmam que, dias após o julgamento, o novo advogado da parte adversa escolheu um quadriciclo em Curitiba. O veículo teria sido pago em dinheiro por terceiros e depois transferido para o nome do filho do desembargador, após troca por um modelo mais caro. As informações constam em notas fiscais e no depoimento do administrador da loja entregues ao CNJ. Em manifestação pública, Francisco Carlos Jorge disse que as acusações se baseiam em “ilações e conjecturas”, classificou o relatório como apócrifo e afirmou que a aquisição do veículo por seu filho foi lícita. O desembargador também alegou que divergências sobre decisões judiciais devem ser discutidas nos autos, e não em procedimentos disciplinares. 

ACABOU A APOSENTADORIA COMPULSÓRIA REMUNERADA


Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu na terça-feira, 26, acabar com a aposentadoria compulsória remunerada como punição máxima para magistrados. Os ministros confirmaram decisão do ministro Flávio Dino e rejeitaram recurso da Procuradoria-Geral da República. Com isso, o Conselho Nacional de Justiça deverá aplicar a perda do cargo e do salário em casos graves de infração disciplinar. A aposentadoria compulsória deixará de ser a principal sanção para juízes acusados de irregularidades. A medida era criticada porque afastava o magistrado, mas mantinha remuneração proporcional ao tempo de serviço. A decisão vale para juízes e ministros de todos os tribunais, exceto os integrantes do STF. Nos últimos 20 anos, 126 magistrados foram aposentados compulsoriamente por condutas como venda de sentenças, assédio moral e sexual e favorecimento a facções criminosas.

Segundo Dino, a Reforma da Previdência de 2019 extinguiu a aposentadoria compulsória como punição disciplinar. O ministro afirmou que a Constituição não prevê transferência compulsória para a inatividade com recebimento de salário como sanção administrativa. O caso começou após ação de um juiz afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para anular decisão do CNJ que determinou sua aposentadoria compulsória. No recurso, a PGR alegou que a decisão deveria ser analisada pelo plenário do STF e argumentou que a medida pode expor o Judiciário e o Ministério Público a pressões políticas. A Procuradoria também afirmou que houve interferência na competência do Congresso para definir punições aplicáveis à magistratura. Desde a decisão de Dino, o CNJ discute como aplicará a nova regra em processos disciplinares futuros.