Falando a apoiadores nesta sexta-feira (9/1), o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, classificou como “bando de vândalos” os manifestantes que tomaram as ruas do país e afirmou que eles agem para “agradar” o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O Irã enfrenta uma onda de protestos em pelo menos metade de suas províncias, com mais de 40 mortos. Segundo Khamenei, os atos de destruição ocorrem após Trump declarar apoio aos manifestantes, o que chamou de “alegação absurda”. Em discurso transmitido pela TV estatal, o líder iraniano disse que Trump deveria “governar seu próprio país” e afirmou que o presidente americano tem as mãos “manchadas de sangue” de iranianos mortos na guerra de 12 dias com Israel. Khamenei declarou ainda que pessoas “inexperientes” acreditam em Trump e promovem vandalismo para agradá-lo, ressaltando que a República Islâmica não recuará diante de quem questione suas origens. Os protestos começaram em 28 de dezembro, em Teerã, após nova queda do rial frente ao dólar. A moeda atingiu mínima histórica, enquanto a inflação chegou a 40%, agravada por sanções internacionais, má gestão e corrupção.
Em 13 dias, manifestações ocorreram em ao menos 17 das 31 províncias, segundo a BBC. Imagens verificadas mostram atos em mais de 50 cidades, inclusive em áreas antes leais ao regime. Organizações de direitos humanos relatam entre 48 e 51 manifestantes mortos, incluindo crianças. A imprensa internacional enfrenta restrições no país, e a internet foi amplamente bloqueada. A tensão aumentou após Trump ameaçar “atacar o Irã com muita força” caso civis sejam mortos. O bloqueio da internet busca conter a mobilização, em cenário semelhante aos protestos de 2022 após a morte de Mahsa Amini.
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