O Brasil vive uma rápida transformação demográfica que tende a alterar profundamente a economia e a organização social. Em 2024, o país soma 34,1 milhões de idosos, segundo o IBGE, número que dobrou em duas décadas, invertendo a pirâmide etária. Apesar disso, o envelhecimento ocorre em um contexto de insuficiente desenvolvimento estrutural para garantir dignidade à população acima de 60 anos. Especialistas apontam que o aumento da expectativa de vida, aliado à queda da natalidade, impõe desafios crescentes ao Estado. Um dos principais gargalos é a Previdência Social. A reforma de 2019 reduziu gastos no curto prazo, mas não resolveu o problema estrutural do regime de repartição, no qual trabalhadores ativos financiam aposentados. Com menos contribuintes e mais beneficiários, o déficit previdenciário tende a crescer a partir de 2030, podendo exigir novos ajustes antes de 2040. Economistas defendem alternativas como modelos híbridos, poupança individual obrigatória para rendas mais altas, uso de lucros de estatais e impostos progressivos sobre patrimônio, herança e dividendos.A saúde pública é outro ponto crítico. O envelhecimento pressiona o SUS, já que doenças crônicas elevam custos. Investimentos em atenção primária, saúde da família, saneamento e prevenção podem reduzir internações e despesas futuras. O Ministério da Saúde planeja atualizar a Caderneta da Pessoa Idosa e ampliar o uso de avaliações padronizadas no SUS. Na segurança pública, a violência contra idosos preocupa. Em 2025, a Operação Virtude registrou mais de 28 mil ocorrências e quase mil prisões. Denúncias seguem em alta, com destaque para faixas etárias acima de 70 anos. Embora não haja políticas amplas de inclusão de idosos no mercado de trabalho, áreas como turismo adaptado, tecnologia assistiva e cuidados especializados despontam como setores promissores diante do novo perfil demográfico.
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