O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu ontem, 6, o arquivamento do inquérito contra o senador Chico Rodrigues (PSB-RR) por falta de provas. O parlamentar foi flagrado em 2020, durante operação da Polícia Federal, com dinheiro em espécie escondido na cueca. Segundo a PGR, não foi possível comprovar a origem ilícita dos valores apreendidos. A manifestação foi enviada em 28 de dezembro ao ministro Flávio Dino, relator do caso no STF.Para Gonet, sem a comprovação da origem criminosa, não há crime de lavagem de dinheiro. O pedido de arquivamento é parcial. A PGR solicitou o envio de parte do caso à Justiça Federal de Roraima para apuração de outros fatos. Entre eles estão suspeitas de direcionamento de contratos emergenciais à empresa Quantum Empreendimentos em Saúde. Há indícios de superfaturamento e peculato.
Chico Rodrigues foi indiciado pela PF em 2021 por suspeita de desvio de recursos da Covid-19. Em operação realizada em outubro de 2020, a PF encontrou cerca de R$ 30 mil na residência do senador. Parte do dinheiro estava guardada em cofres e parte em suas roupas íntimas. Segundo a PGR, esconder o dinheiro não caracteriza, por si só, tentativa de obstrução de investigação. Também não houve comprovação de embaraço à apuração de organização criminosa. A operação Desvid-19 investigou desvios de recursos de emendas parlamentares. Os valores eram destinados ao combate à pandemia em Roraima. Cada congressista tem direito a R$ 15 milhões anuais em emendas. Em 2025, a destinação de emendas à PF chegou a R$ 37 milhões. Entre os parlamentares que enviaram recursos está Chico Rodrigues. A assessoria do senador afirmou que o pedido partiu da PF de Roraima. Disse ainda que a prática é comum e recorrente. Rodrigues nega envolvimento em qualquer irregularidade.
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