O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogia a economia americana às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, alegando aumento da renda, redução da inflação e criação de empregos. Apesar do crescimento econômico, tarifas de importação e a guerra com o Irã pressionaram os preços, prejudicando o orçamento de muitas famílias. Outro fator de expansão é o elevado investimento das empresas em inteligência artificial (IA). O Produto Interno Bruto (PIB) americano cresce a uma taxa anualizada de 2,2% e avançou 3,2% desde o fim de 2024. O desempenho supera o de outros países do G7. Entretanto, Trump reduziu parte das tarifas inicialmente anunciadas, diminuindo seus efeitos negativos. Os investimentos em centros de dados também impulsionam a economia, embora uma eventual desaceleração desses gastos possa comprometer o crescimento futuro. A inflação, por sua vez, subiu de 3% em janeiro de 2025 para 3,7%, abaixo do pico de 9% registrado em 2022, durante o governo Joe Biden. Economistas atribuem parte da alta às tarifas e ao encarecimento da energia provocado pela guerra com o Irã. O diesel chegou a US$ 6,52 por galão em setembro, enquanto produtos como carne bovina e café também ficaram mais caros. O aumento dos custos energéticos ameaça elevar ainda mais os preços dos alimentos. A renda mediana das famílias, descontada a inflação, cresceu 2,6% em 2025, alcançando US$ 87.460. Apesar disso, estudo do Institute on Taxation and Economic Policy aponta efeitos desiguais das políticas de Trump. Em 2026, famílias de renda intermediária poderão perder, em média, US$ 1.700, enquanto as mais pobres terão redução estimada de US$ 750 em seus recursos, em comparação com um cenário sem essas medidas. Já o 1% mais rico poderá ganhar US$ 12.560, principalmente devido aos cortes de impostos.A criação de empregos também perdeu força. Desde o retorno de Trump à Casa Branca, a economia gerou, em média, 34 mil vagas mensais, contra 122 mil no último ano do governo Biden. O setor industrial empregava 12,6 milhões de pessoas em setembro de 2026, número ligeiramente inferior ao do início do atual mandato. O desemprego, entretanto, permanece em 4,2%. A redução da imigração e as deportações ajudam a explicar a estabilidade da taxa, pois diminuem a força de trabalho e a quantidade de empregos necessários para manter o desemprego controlado. Outro problema é o aumento da dívida pública. O déficit federal atingiu US$ 2 trilhões no ano encerrado em setembro de 2026, equivalente a aproximadamente 6% do PIB. As projeções indicam que poderá superar 8% até 2030. O Fundo Monetário Internacional alerta que o endividamento crescente eleva os riscos de uma futura crise financeira. Além disso, o governo americano enfrenta custos maiores para captar recursos. Os títulos públicos de dez anos passaram a oferecer rendimentos superiores a 5%, enquanto os juros das hipotecas de 30 anos subiram para 7,4%, ante 6,9% no início do mandato. Com isso, a compra de imóveis ficou mais difícil, especialmente para novos compradores. Muitos proprietários evitam mudar de residência para não perder financiamentos antigos com juros menores. Assim, embora a economia americana continue crescendo, a inflação, a desaceleração do emprego, a desigualdade na distribuição dos ganhos e o encarecimento do crédito contradizem parte do discurso otimista de Trump.