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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

BISPOS CATÓLICOS DIVULGAM CARTA ABERTA CRITICANDO CANDIDATURA DE FLÁVIO


Um grupo de 56 bispos e arcebispos católicos divulgou uma carta aberta sobre o segundo turno das eleições, criticando a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). O manifesto afirma que a candidatura representa uma ameaça à democracia, à soberania nacional e ao bem comum. O documento não cita diretamente o nome do candidato, mas aponta posições atribuídas a ele. Entre as críticas, os religiosos mencionam sua oposição ao fim da escala 6x1, a promessa de maior alinhamento aos Estados Unidos, a defesa do acesso amplo às armas e a negação dos problemas climáticos. Até a manhã de sexta-feira (23), 56 bispos e arcebispos de diferentes regiões do país haviam assinado a carta, que permanece aberta a novas adesões. Os religiosos também convocam os católicos a votar no domingo (25), defendendo a democracia, os valores humanitários, os pobres e os ensinamentos da Igreja. O texto alerta para os riscos de mudanças profundas nos rumos do país e recorda experiências autoritárias do século 20. Sem mencionar Lula (PT) nominalmente, a carta afirma que a outra candidatura, apesar de sujeita a críticas, demonstrou responsabilidade com os pobres, o meio ambiente e a ordem democrática.

Os bispos ressaltam que a insatisfação com o governo atual não deveria justificar a entrega do país a um projeto contrário aos ensinamentos católicos. A articulação foi conduzida pelo movimento Bispos do Diálogo pelo Reino, que já havia divulgado, em agosto, um manifesto contra o conservadorismo autoritário e os discursos de ódio. A nova carta também recorda homenagens da família Bolsonaro ao general Brilhante Ustra, reconhecido como um dos principais torturadores da ditadura militar. Segundo os religiosos, Flávio é filho de um ex-presidente condenado e preso por atentar contra a democracia e mantém ideias semelhantes às do pai. O documento ainda alerta para declarações que, na avaliação dos signatários, ameaçam a ordem constitucional. Os bispos afirmam que uma eventual maioria absoluta no Congresso poderia facilitar a concentração de poder e a imposição de uma agenda ideológica.

 

RICOS GANHAM COM ECONOMIA AMERICANA DE TRUMP


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogia a economia americana às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, alegando aumento da renda, redução da inflação e criação de empregos. 
Apesar do crescimento econômico, tarifas de importação e a guerra com o Irã pressionaram os preços, prejudicando o orçamento de muitas famílias. Outro fator de expansão é o elevado investimento das empresas em inteligência artificial (IA). O Produto Interno Bruto (PIB) americano cresce a uma taxa anualizada de 2,2% e avançou 3,2% desde o fim de 2024. O desempenho supera o de outros países do G7. Entretanto, Trump reduziu parte das tarifas inicialmente anunciadas, diminuindo seus efeitos negativos. Os investimentos em centros de dados também impulsionam a economia, embora uma eventual desaceleração desses gastos possa comprometer o crescimento futuro. A inflação, por sua vez, subiu de 3% em janeiro de 2025 para 3,7%, abaixo do pico de 9% registrado em 2022, durante o governo Joe Biden. Economistas atribuem parte da alta às tarifas e ao encarecimento da energia provocado pela guerra com o Irã. O diesel chegou a US$ 6,52 por galão em setembro, enquanto produtos como carne bovina e café também ficaram mais caros. O aumento dos custos energéticos ameaça elevar ainda mais os preços dos alimentos. A renda mediana das famílias, descontada a inflação, cresceu 2,6% em 2025, alcançando US$ 87.460. Apesar disso, estudo do Institute on Taxation and Economic Policy aponta efeitos desiguais das políticas de Trump. Em 2026, famílias de renda intermediária poderão perder, em média, US$ 1.700, enquanto as mais pobres terão redução estimada de US$ 750 em seus recursos, em comparação com um cenário sem essas medidas. Já o 1% mais rico poderá ganhar US$ 12.560, principalmente devido aos cortes de impostos.

A criação de empregos também perdeu força. Desde o retorno de Trump à Casa Branca, a economia gerou, em média, 34 mil vagas mensais, contra 122 mil no último ano do governo Biden. O setor industrial empregava 12,6 milhões de pessoas em setembro de 2026, número ligeiramente inferior ao do início do atual mandato. O desemprego, entretanto, permanece em 4,2%. A redução da imigração e as deportações ajudam a explicar a estabilidade da taxa, pois diminuem a força de trabalho e a quantidade de empregos necessários para manter o desemprego controlado. Outro problema é o aumento da dívida pública. O déficit federal atingiu US$ 2 trilhões no ano encerrado em setembro de 2026, equivalente a aproximadamente 6% do PIB. As projeções indicam que poderá superar 8% até 2030. O Fundo Monetário Internacional alerta que o endividamento crescente eleva os riscos de uma futura crise financeira. Além disso, o governo americano enfrenta custos maiores para captar recursos. Os títulos públicos de dez anos passaram a oferecer rendimentos superiores a 5%, enquanto os juros das hipotecas de 30 anos subiram para 7,4%, ante 6,9% no início do mandato. Com isso, a compra de imóveis ficou mais difícil, especialmente para novos compradores. Muitos proprietários evitam mudar de residência para não perder financiamentos antigos com juros menores. Assim, embora a economia americana continue crescendo, a inflação, a desaceleração do emprego, a desigualdade na distribuição dos ganhos e o encarecimento do crédito contradizem parte do discurso otimista de Trump. 

ECONOMISTA CRITICA PROPOSTAS ECONÔMICAS DE FLÁVIO


A economista Monica de Bolle, do Peterson Institute for International Economics, critica as propostas econômicas de Flávio Bolsonaro (PL) às vésperas do segundo turno presidencial. Para ela, as declarações do candidato são contraditórias e geram desconfiança sobre seu plano de governo. Segundo a economista, Flávio adota uma estratégia de “gerar o caos”, anunciando medidas com elevado impacto fiscal, como a retomada do Perse e o programa Vira Pix, que promete devolver parte dos gastos das famílias. Monica alerta que o Vira Pix poderia comprometer a Caixa Econômica Federal e ampliar significativamente a dívida pública. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também considera a proposta impossível de cumprir. Ao analisar o plano enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a economista apontou contradições nas medidas fiscais e riscos para o Bolsa Família, que, segundo ela, não se sustenta no formato apresentado. Monica, autora do livro “Como matar a borboleta azul”, criticou ainda a equipe econômica coordenada por Daniella Marques, classificando-a como fraca e sem experiência suficiente. Para ela, há informações enganosas nas propostas, inclusive sobre o fim da escala de trabalho 6×1. A economista também questionou a alternativa apresentada por Flávio à redução da jornada, que prevê negociações individuais sobre horas trabalhadas e a prevalência dos acordos sobre a legislação. Na avaliação dela, o modelo prejudicaria os trabalhadores. Monica argumenta que o candidato demonstra pouco compromisso com os direitos trabalhistas. A assessoria de Flávio não respondeu às críticas nem esclareceu como pretende conciliar redução de impostos, cortes de despesas e manutenção de programas sociais.

Apesar do entusiasmo de setores do mercado financeiro com a possibilidade de ajuste fiscal, a economista alerta para os riscos de um governo de extrema-direita a partir de 2027. Ela compara a trajetória política de Flávio à de Viktor Orbán, ex-líder húngaro que chegou ao poder com promessas econômicas liberais, mas promoveu medidas que enfraqueceram instituições democráticas. Durante seu governo, Orbán ampliou a influência sobre o Judiciário, alterou a composição do Tribunal Constitucional e reduziu a independência institucional, além de exercer controle sobre a mídia. Embora a Hungria tenha registrado recuperação econômica entre 2014 e 2019, o processo ocorreu, segundo Monica, acompanhado de custos para a sociedade e a democracia. Para a pesquisadora, o avanço da extrema-direita brasileira decorre também da falta de preparação do governo Lula após a eleição de 2022. O movimento cresceu nas plataformas digitais sem uma resposta política suficientemente eficaz. Mesmo em caso de vitória de Lula, Monica prevê dificuldades diante de um Congresso com forte presença da direita. Para ela, o cenário político mudou profundamente, tornando os próximos anos desafiadores em qualquer hipótese.

 

EUA INSTALAM ESCRITÓRIO EM ASSUNÇÃO


O Paraguai assinou um acordo com os Estados Unidos para instalar, em Assunção, um escritório de combate ao narcotráfico e ao crime organizado. A iniciativa integra o Escudo das Américas, aliança criada pelo presidente Donald Trump, e amplia a presença americana na América do Sul. O Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL) será o primeiro do tipo no Paraguai e funcionará como polo regional de coordenação de programas de segurança no Cone Sul. O acordo foi assinado pelo subsecretário de Estado americano, Christopher Landau, e pelo chanceler paraguaio, Ruben Ramírez Lezcano. O presidente Santiago Peña também viajou a Washington para reuniões com o diretor da CIA, John Ratcliffe, e outras autoridades de segurança. Os Estados Unidos destinarão US$ 5,5 milhões, aproximadamente R$ 27,7 milhões, para ações contra o financiamento do terrorismo, reforço das fronteiras e aprimoramento da análise de provas digitais. O pacto também prevê assistência para monitorar o espaço aéreo paraguaio e interceptar aeronaves suspeitas de transportar drogas. Um assessor americano especializado em contraterrorismo será enviado a Assunção para acompanhar os programas de segurança. A professora Cristina Pecequilo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), considera a iniciativa parte de uma reformulação da presença americana na América Latina, com maior ênfase militar. Segundo ela, a localização do Paraguai é estratégica para o Brasil, devido à usina de Itaipu, ao Mercosul e à proximidade das fronteiras. A presença americana também pode aumentar a pressão sobre países que não integram a aliança. Pecequilo alerta que a instalação do escritório envolve questões delicadas de soberania e representa a intenção de Washington de ampliar sua influência regional sob o argumento do combate ao narcotráfico.

A professora Denilde Holzhacker, da ESPM, também manifesta preocupação com os limites da cooperação. Para ela, o Brasil precisa avaliar possíveis impactos sobre a segurança fronteiriça e o relacionamento com o Paraguai. O sociólogo paraguaio José Carlos Rodríguez considera que o país possui soberania limitada e avalia a instalação do escritório como um possível retrocesso democrático. Ele lembra que, durante a ditadura paraguaia, os Estados Unidos também justificavam sua atuação pelo combate às drogas e à subversão. Rodríguez afirma que o Partido Colorado, que governa o Paraguai, historicamente mantém afinidade com a direita americana e que a presença dos Estados Unidos volta a ganhar força sob a influência do trumpismo. Fundado em março de 2026, o Escudo das Américas reúne Estados Unidos e 14 países latino-americanos. Em setembro, a aliança propôs sanções coletivas contra 24 organizações criminosas consideradas ameaças à segurança regional. Entre os grupos sancionados estão a Mara Salvatrucha, o Tren de Aragua e as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho. Para Pecequilo, a proximidade da presença americana exige atenção brasileira. Embora não identifique, por enquanto, movimentos agressivos contra o Brasil, ela ressalta que a instalação de estruturas estrangeiras já representa uma demonstração de poder e hegemonia na região.