Centenas de estudantes de Sciences Po participaram de protestos pacíficos em Paris. A manifestação foi reprimida pela polícia com cassetetes e gás lacrimogêneo. Na véspera, mais de 450 mil jovens e simpatizantes protestaram em toda a França. O movimento começou no fim de setembro com o bloqueio de liceus. Os estudantes denunciaram falta de professores e prédios escolares precários. Também criticaram horários sobrecarregados e estruturas inadequadas às mudanças climáticas. Universitários aderiram aos protestos e ampliaram as reivindicações. Eles pedem aumento das bolsas de estudo e do auxílio-moradia e reivindicam novos alojamentos e vagas para todos nas universidades. Outra demanda é o fim do atual sistema de seleção universitária. Os estudantes cobram mais recursos para os restaurantes universitários. A redução das refeições para um euro aumentou a procura pelos restaurantes. Entretanto, a estrutura não foi ampliada para atender à nova demanda. Alunos não europeus também exigem tratamento igualitário. O governo retirou deles o auxílio-moradia e aumentou fortemente as anuidades. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu é acusado de ignorar as reivindicações. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, adotou uma resposta policial repressiva.
A violência empregada contra estudantes provocou críticas de pais e professores. Em Lens, um estudante de 15 anos perdeu a mão após ser atingido por uma granada. O episódio aumentou a revolta contra a atuação das forças de segurança. A Sciences Po também cancelou aulas presenciais para conter a mobilização. A direção já havia adotado postura repressiva durante protestos pró-Palestina em 2024. Lecornu tentou reduzir a pressão com um dia e meio de diálogo nas escolas. O governo também criou um site para receber reclamações dos estudantes. Os estudantes, porém, exigem medidas emergenciais e recursos imediatos. O governo acusa o movimento de ser influenciado por Jean-Luc Mélenchon. Políticos da esquerda participaram das manifestações e, em alguns casos, protegeram estudantes. Os sindicatos estudantis negam estar subordinados a partidos políticos. O movimento é apresentado como espontâneo e resultado da insatisfação crescente da juventude. Os manifestantes denunciam anos de políticas que reduziram direitos e perspectivas de futuro.

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