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terça-feira, 21 de julho de 2026

CAI A ÁREA QUEIMADA NO BRASIL


Um ano após os incêndios recordes de 2024, a área queimada no Brasil caiu 58% em 2025, passando de 302 mil km² para 127 mil km², segundo o Relatório Anual do Fogo, do MapBiomas. Apesar da redução, o total ainda equivale a quase metade do estado de São Paulo. A principal queda ocorreu na Amazônia, onde a área atingida recuou de 158,2 mil km² para 31,4 mil km², o menor índice da série histórica iniciada em 1985. Pesquisadores atribuem o resultado ao período chuvoso mais longo, à redução do desmatamento, ao reforço da fiscalização e às medidas de prevenção adotadas após a crise de 2024, além da cobrança do STF por planos estaduais de combate ao fogo. O Cerrado concentrou 69% da área queimada em 2025, seguido pela Amazônia (25%), Caatinga (4%), Mata Atlântica (2%), Pantanal (1%) e Pampa (0,1%). O estudo mostra ainda que 52% das áreas queimadas voltam a pegar fogo em até quatro anos. Na Amazônia, quase um terço das áreas queimadas reincide em até dois anos.

Especialistas alertam que a Amazônia não é adaptada ao fogo e sofre crescente degradação com os incêndios. No Cerrado, embora o fogo faça parte do ciclo natural, a maioria das queimadas hoje é provocada pela ação humana, tornando os incêndios mais frequentes e extensos. O Pantanal foi proporcionalmente o bioma mais afetado, com 69% de sua área atingida. O relatório destaca que secas severas, calor intenso e eventos como o El Niño aumentam o risco de incêndios, reforçando a necessidade de controlar o uso do fogo e ampliar ações preventivas. Em 2025, 79% da área queimada correspondeu à vegetação nativa, principalmente no Cerrado, que respondeu por 74,6 mil km² das áreas naturais atingidas.

 

TARIFA ADICIONAL SOBRE PRODUTOS DO BRASIL TEM INÍCIO HOJE


A partir desta terça-feira (22), entra em vigor a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O governo Lula, por enquanto, descarta medidas de reciprocidade e aposta na articulação com o setor produtivo para reduzir os prejuízos às exportações. O Planalto pretende manter o diálogo com Washington e evitar confronto direto com Donald Trump, avaliando que uma reação política poderia favorecer adversários às vésperas das eleições. A estratégia é separar a disputa comercial do embate político e preservar espaço para negociações diplomáticas. O governo intensifica reuniões com representantes da indústria e do agronegócio para avaliar os impactos sobre produção, empregos e contratos de exportação. Também prepara um pacote de apoio às empresas, com linhas de crédito, garantias e incentivos à diversificação de mercados. Japão, Canadá, Emirados Árabes Unidos e países da Ásia e do Oriente Médio são vistos como alternativas para ampliar as exportações. 

A tarifa deve atingir cerca de 3 mil produtos, afetando aproximadamente US$ 7,2 bilhões em vendas aos EUA, o equivalente a 18% das exportações brasileiras para o país. Especialistas alertam que redirecionar exportações ameniza apenas parte das perdas, devido aos custos logísticos e comerciais. O governo também acompanha a possibilidade de uma nova tarifa adicional de 12,5% pelos EUA, o que elevaria a sobretaxa para até 37,5%. Sem expectativa de avanços rápidos nas negociações com Washington, o Planalto prioriza medidas internas para reduzir os impactos econômicos, enquanto mantém a Lei da Reciprocidade Econômica como opção futura. 

TRUMP SERVE DO PODER PARA TAXAR OU PARA MATAR


Os Estados Unidos anunciaram ontem, 20, tarifas de 50% sobre uma ampla lista de produtos do Canadá, reacendendo a guerra comercial iniciada por Donald Trump. O governo americano acusa o Canadá de adotar práticas comerciais desleais, como restrições à compra de bebidas alcoólicas dos EUA, tarifas sobre carros e discriminação contra queijos americanos. Segundo autoridades, apenas China e Canadá retaliaram os EUA no início da política tarifária de Trump. As novas taxas entram em vigor em 30 dias e atingirão diversos produtos canadenses. Haverá isenção para energia, potássio, minerais críticos, pescados, além de aço e alumínio já sujeitos a tarifas de segurança nacional. No entanto, produtos enquadrados no acordo comercial EUA-México-Canadá (USMCA) perderão a isenção anteriormente concedida.

O governo divulgou uma lista que inclui leite e derivados, bebidas alcoólicas, roupas e móveis entre os itens tarifados. A medida será baseada na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, nunca antes usada contra parceiros comerciais. Na sexta-feira (17), Trump também ameaçou impor tarifas ao Canadá por causa da fumaça dos incêndios florestais que atingiu os EUA, mas o governo afirmou que as novas taxas têm motivação exclusivamente comercial. O certo é que Donald Trump serve do poder para impor taxas, a exemplo do Brasil ou do Canadá, ou guerrear, a exemplo do Irã.

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 21/07/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Governo aposta em saída inédita para enfrentar novo tarifaço dos EUA

Às vésperas da entrada em vigor da sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, Planalto articula apoio a setores afetados, busca novos mercados e tenta se afastar do uso eleitoral, por bolsonaristas, de conflitos diretos com Trump

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Lula testa discurso de campanha ao desafiar Rubio e sugere que EUA podem trabalhar pela candidatura de Flávio

Petista recebeu apoio do PDT e disse que 'política apodreceu' no cenário em que a família Bolsonaro é alternativa ao poder

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Área queimada no Brasil cai 58% em 2025, um ano após incêndios históricos

Redução foi puxada por queda de 80% no índice da amazônia, o menor em quatro décadas Clima quente e seco do El Niño em boa parte do país tende a facilitar espalhamento das chamas

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Eleitorado brasileiro cresce 1,4% na comparação, diz TSE

O número representa um crescimento de 1,46% em relação às últimas eleições gerais, quando o país tinha 156,4 milhões eleitores. São 2,29 milhões de eleitores a mais no comparativo.

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Fifa abre investigação contra Argentina por confusão na final da Copa

Entidade irá analisar os relatórios da arbitragem e as imagens da decisão

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Exames: Ministro da Educação não tem registo de erros em projeto-piloto e confronta antigo presidente do JNE

Luís Duque de Almeida, ex-presidente do Júri Nacional de Exames, tinha apontado que a correção digital o exame de Filosofia do ano passado que serviu de piloto tinha já enfrentado dificuldades.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

RADAR JUDICIAL


GOVERNADOR PAULISTA COM BONÉ DOS EUA

Com ampla vantagem sobre Fernando Haddad na disputa pelo governo paulista, Tarcísio de Freitas enfrenta seu primeiro desgaste político. Terá de explicar, até outubro, o vídeo em que aparece usando um boné com o slogan "Maga", da campanha de Donald Trump. O novo tarifaço americano, além dos ataques a Lula, ameaça negócios e empregos no Brasil. Aliados afirmam que Tarcísio havia sido alertado sobre o risco político do gesto. O texto também critica a política dos EUA em relação à Venezuela, apontando contradição entre a recompensa por Diosdado Cabello e a permanência do ministro no governo Maduro. Por fim, avalia que fracassou a tentativa de usar as terras raras como moeda de negociação tarifária e cita o exemplo histórico das negociações de Getúlio Vargas sobre as areias monazíticas.


EUA PERDEM O TERCEIRO MILITAR EM TRÊS DIAS

Os Estados Unidos anunciaram ontem, domingo, a morte de mais um militar, o terceiro em três dias, e realizaram a oitava noite seguida de bombardeios contra o Irã. Segundo o Centcom, o soldado morreu no norte do Iraque durante a detonação controlada de um drone iraniano abatido; outro militar ficou ferido. Desde o início da guerra, em fevereiro, já são 17 militares americanos mortos. A escalada sepulta o cessar-fogo firmado em junho. O líder iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou que Donald Trump descumpriu o acordo, enquanto Washington diz que os ataques visam enfraquecer a Guarda Revolucionária e impedir o bloqueio do Estreito de Hormuz. Os bombardeios também atingem infraestrutura civil. O Irã acusa os EUA de atacar pontes, um túnel e uma usina nuclear em construção. Em resposta, Teerã atacou instalações no Kuwait e levou Jordânia e Bahrein a acionarem suas defesas aéreas. Autoridades iranianas relatam ao menos 50 mortos e mais de 500 feridos nos ataques americanos. 


POSTURA DOS ARGENTINOS NA PREMIAÇÃO É CENSURADA

A Espanha conquistou o bicampeonato da Copa do Mundo de 2026 ao vencer a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, com gol de Ferrán Torres. Após a decisão, a postura dos argentinos na cerimônia de premiação gerou críticas da imprensa espanhola. Segundo o jornal As, os jogadores deram as costas ao palco durante a entrega do troféu. Os atletas permaneceram voltados para a torcida argentina enquanto a Espanha comemorava o título. O periódico classificou a atitude como desrespeitosa e incomum em finais de grandes competições. Também afirmou que a Argentina priorizou jogadas ríspidas em vez do futebol durante a partida. Para o As, a equipe ignorou uma tradição de prestigiar o campeão. A derrota impediu o bicampeonato consecutivo da seleção argentina. A Espanha levantou sua segunda taça mundial sob o comando de Luis de la Fuente. O título foi considerado merecido por analistas esportivos. O colunista Mauro Beting destacou a superioridade espanhola na campanha. Segundo ele, a Espanha foi campeã com autoridade, mesmo sem depender do brilho de Lamine Yamal.

VOTO EM TRÂNSITO

A partir desta segunda-feira (20), eleitores podem solicitar o voto em trânsito para as Eleições 2026. A modalidade permite votar fora da cidade onde o título está registrado. O pedido deve ser feito até 20 de agosto, pela internet (para quem tem biometria cadastrada) ou em cartório eleitoral. O serviço estará disponível em capitais e cidades com mais de 100 mil eleitores. Quem votar em outro município do mesmo estado poderá escolher presidente, governador, senador, deputados federal e estadual ou distrital. Fora do estado, o voto será apenas para presidente. Brasileiros com título no exterior também podem solicitar o voto em trânsito, caso estejam no Brasil durante a eleição. Após o pleito, o título retorna automaticamente à seção de origem. Quem faltar à votação deverá justificar a ausência.

TROCA DE PRIMEIRO-MINISTRO NO REINO UNIDO

O novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, assumiu o cargo nesta segunda-feira (20), substituindo Keir Starmer, que renunciou após uma crise política e econômica. Em seu primeiro discurso na Downing Street, Burnham prometeu uma "nova economia" e medidas imediatas para reduzir o custo de vida. Também anunciou a elaboração de um plano de governo para os próximos dez anos. O premiê defendeu maior controle sobre os preços de bens essenciais para conter a inflação. Disse que governará para todas as regiões do Reino Unido e priorizará empregos para jovens. Burnham prometeu reformar o sistema educacional e ampliar o apoio à saúde mental. Starmer deixou o cargo afirmando sair "com elegância" e declarou apoio ao sucessor. Após a despedida, formalizou sua renúncia ao rei Charles III no Palácio de Buckingham. Burnham já havia sido confirmado como líder do Partido Trabalhista na sexta-feira (17). Ele foi o único candidato à sucessão dentro da legenda. Starmer deixou o cargo após 23 meses, com forte queda de popularidade. Seu governo enfrentou inflação, estagnação econômica, crises políticas e derrotas eleitorais.

FOTO DE TRUMP É RETIRADA DAS FOTOS OFICIAIS 

As fotos oficiais da conquista da Copa do Mundo pela Espanha, divulgadas pela Fifa e pela Federação Espanhola, não mostram o presidente dos EUA, Donald Trump, durante a comemoração do título. Embora tenha participado da cerimônia de premiação e permanecido no palco após entregar a taça, Trump foi praticamente excluído dos registros oficiais. Antes de Rodri erguer o troféu, ele conversou com o capitão espanhol e depois ficou ao lado de Gianni Infantino. Em seguida, ambos deixaram o palco enquanto os jogadores celebravam. Vídeo da Fifa mostra o momento em que os dois se afastam. Situação semelhante ocorreu no Mundial de Clubes de 2025, quando Trump permaneceu no palco durante a festa do Chelsea. A final foi o único jogo da Copa acompanhado por ele, que ainda foi vaiado ao entrar em campo para entregar a taça.

Santana, 20 de julho de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

PRIMEIRA-MINISTRA ITALIANA AFASTA DE DONALD TRUMP


Era difícil e tornou-se praticamente impossível a tentativa da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, de atuar como ponte entre Donald Trump e os líderes europeus. Divergências sobre tarifas, defesa e a guerra entre Israel, EUA e Irã romperam a relação entre os dois e enfraqueceram a estratégia externa da Itália. Aliados ideológicos desde antes da chegada de Meloni ao poder, ambos mantiveram proximidade até o início de 2025. A premiê foi a única líder europeia na posse de Trump e recebeu elogios na Casa Branca. O cenário mudou com os conflitos no Oriente Médio. A Itália sofreu com a alta dos preços da energia, recusou o uso de uma base na Sicília por aviões americanos e se afastou da ofensiva militar. As críticas de Trump ao papa Leão 14 agravaram a crise. Segundo o analista Leo Goretti, a derrota de Meloni em um referendo também refletiu o desgaste de sua associação com Trump. Em seguida, vieram ataques públicos do presidente americano, que acusou a premiê de buscar protagonismo e fez novas provocações.

Meloni respondeu afirmando não se arrepender da aproximação, mas a oposição classificou sua estratégia como fracassada. Especialistas avaliam que a política externa italiana perdeu protagonismo e que Meloni reduziu sua presença internacional. Nos próximos meses, Roma deverá buscar maior aproximação com potências médias, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar, Canadá, Austrália e Japão, em defesa de maior estabilidade global. Internamente, pressionada por forças mais à direita e pela proximidade das eleições de 2027, Meloni tende a endurecer o discurso contra a União Europeia, enquanto tenta reconstruir a relação com Washington.

 

UCRÂNIA LANÇA DRONES CONTRA MOSCOU


A Ucrânia lançou mais de 400 drones contra Moscou e sua região metropolitana na noite de ontem, 19, poucas horas após a Rússia bombardear Kiev e outras cidades ucranianas com mísseis balísticos. O conflito, que já dura mais de quatro anos, mantém um ciclo contínuo de ataques de retaliação entre os dois países. Segundo autoridades russas, dez pessoas ficaram feridas, entre elas uma menina de 11 anos. O ataque provocou incêndio no complexo industrial Iuzhnie Vrata e atingiu áreas residenciais em Domodedovo, Podolsk e Odintsovo. O Iuzhnie Vrata, localizado a cerca de 30 km ao sul de Moscou, é um dos maiores centros logísticos da Rússia e fica próximo ao aeroporto internacional de Domodedovo. O Comitê de Investigação da Rússia abriu um processo por "atentado" devido ao ataque em larga escala. A Ucrânia ampliou sua capacidade de operar drones de longo alcance, usados principalmente contra instalações petrolíferas russas, dificultando a proteção do vasto território do país.

Na véspera, a Rússia lançou mísseis balísticos contra Kiev, Kharkiv, Kherson e Sumy. Pelo menos seis pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, segundo autoridades ucranianas. Os ataques russos se intensificaram nas últimas semanas, enquanto a Ucrânia enfrenta escassez de sistemas de defesa aérea de fabricação americana. Os mísseis balísticos, que viajam acima da velocidade do som, reduzem o tempo de reação das defesas e da população, tornando-se uma das principais ameaças da guerra.

ELEIÇÕES PRIMÁRIAS PARA O CONGRESSO DOS EUA


As eleições primárias para o Congresso dos EUA começam a desenhar o cenário das eleições legislativas de novembro, mas ainda oferecem sinais mistos, avaliam cientistas políticos. Embora candidatos progressistas avancem em parte das disputas democratas, especialistas afirmam que o principal trunfo do partido é o desgaste do governo Donald Trump, e não uma agenda unificada. Trump voltou a questionar, sem provas, a confiabilidade do sistema eleitoral e pressiona pela aprovação do Save America Act, criticado por opositores por poder restringir votos legítimos. Historicamente, as eleições de meio de mandato favorecem a oposição. Os democratas aparecem como favoritos para retomar a Câmara, enquanto a disputa pelo Senado segue mais incerta. O avanço da ala progressista levou Trump a intensificar discursos que associam adversários ao comunismo, estratégia voltada a mobilizar sua base e desviar o foco da inflação e do custo de vida. Pesquisas mostram crescimento do eleitorado independente, que pode ser decisivo. 

Para Jonathan Hanson, da Universidade de Michigan, o Partido Republicano permanece fortemente alinhado a Trump, enquanto os democratas vivem disputa entre moderados e progressistas. Robert Shapiro, da Universidade Columbia, considera prematuro interpretar as primárias como tendência nacional. Ele avalia que o avanço da esquerda fortalece o discurso republicano de que os democratas estariam excessivamente à esquerda. Apesar das divisões internas, ambos os especialistas apontam que a baixa popularidade de Trump, marcada pela inflação, economia e guerra contra o Irã, favorece os democratas. Ainda assim, destacam que o partido continua sem apresentar uma agenda clara ao eleitor. No Senado, a desistência do democrata Graham Platner, no Maine, após acusações de agressão sexual, complicou uma disputa considerada promissora. Mesmo assim, analistas avaliam que os democratas têm melhores perspectivas para conquistar a maioria na Câmara do que no Senado. 

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO AUMENTAR GRATIFICAÇÕES


O Tribunal de Contas da União (TCU) enviou ao Congresso um projeto de lei que aumenta entre 35% e 40% as gratificações pagas a servidores que ocupam cargos de chefia e direção. A proposta, com impacto anual estimado em R$ 27,7 milhões a partir de 2027, foi apresentada no mesmo dia em que o tribunal autorizou que essas gratificações sejam calculadas separadamente do teto constitucional, permitindo remunerações acima do limite legal. O reajuste beneficia 913 funções de confiança. A maior gratificação (FC-8) passará de R$ 8.987 para R$ 12.133, enquanto a menor (FC-1) subirá de R$ 1.554 para R$ 2.176. Segundo o TCU, os valores estão defasados em relação aos pagos na Câmara, Senado e Executivo, sendo necessário atualizá-los para atrair e reter servidores qualificados. A decisão do tribunal contrariou parecer técnico interno e foi vista como um novo "superpenduricalho". O entendimento já começou a produzir efeitos, com o Senado determinando sua aplicação na folha de pagamento de julho.

Nos bastidores, ministros do STF consideraram a medida um retrocesso após decisões recentes para limitar penduricalhos na magistratura e no Ministério Público. A iniciativa também foi interpretada como reação ao veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a reajustes anteriormente previstos para servidores do TCU. O projeto não cria novos cargos, apenas reajusta os valores das funções de confiança, cuja aprovação depende agora do Congresso Nacional. 

MAIOR RENDA MÉDIA NO BRASIL


Juízes, diretores-gerais e médicos especialistas estão entre os profissionais com maior renda média no Brasil, segundo levantamento do economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, com base na Pnad Contínua do IBGE referente ao primeiro trimestre de 2026. Os juízes registraram rendimento médio de R$ 34,8 mil por mês, seguidos por diretores e gerentes gerais (R$ 24,6 mil) e médicos especialistas (R$ 24,2 mil). A renda média da população ocupada foi de R$ 3.918 mensais. Assim, os ganhos dos magistrados equivalem a quase nove vezes a média nacional. No ranking de 425 ocupações, apenas atletas e esportistas apareceram acima dos juízes, com média de R$ 60,6 mil. O economista ressalta que esse resultado pode ter sido influenciado pela presença de atletas de elite na amostra. Segundo Imaizumi, as ocupações mais bem remuneradas exigem alta qualificação, maior responsabilidade e costumam gerar maior impacto econômico. Na outra ponta, as menores rendas concentram-se em atividades com baixa qualificação e forte presença da informalidade.

Condutores de veículos e máquinas de tração animal tiveram a menor média, de R$ 790 mensais. Também ficaram abaixo de R$ 1.000 pescadores (R$ 940) e trabalhadores da conservação de frutas e legumes (R$ 969). Ao todo, 22 ocupações apresentaram rendimento inferior ao salário mínimo de R$ 1.621. Entre elas estão trabalhadores da preparação do fumo, da pecuária e da agricultura. Segundo o economista, a mecanização do campo e a contratação de temporários ajudam a explicar os baixos rendimentos médios. Ele também afirma que profissionais de maior renda podem omitir parte dos ganhos em pesquisas domiciliares, o que tende a reduzir as médias observadas.

 

REINO UNIDO COM TROCA-TROCA DE PRIMEIRO-MINISTRO


A partir de hoje, 20, o Reino Unido terá o quinto primeiro-ministro em apenas quatro anos: Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester. A sucessão de líderes reflete a instabilidade política iniciada após a saída de Boris Johnson, em 2022, seguida pelos governos de Liz Truss, Rishi Sunak e Keir Starmer. Burnham assume em um cenário de insatisfação popular, agravado pelos efeitos do Brexit e da pandemia, com perda de confiança nos partidos tradicionais e pressão pelo custo de vida. O novo premiê promete imprimir um estilo mais próximo da população, inspirado em sua gestão em Manchester. Entre as mudanças, pode dispensar o tradicional púlpito em seu primeiro discurso e realizar sessões de perguntas com eleitores em diferentes regiões do país.

Antes da posse, Starmer fará seu pronunciamento de despedida e apresentará a renúncia ao rei Charles III. Ele deverá destacar avanços como a redução da imigração, das filas no sistema público de saúde, medidas contra a pobreza infantil e a restrição do uso de redes sociais por adolescentes. Ainda nesta segunda-feira, Burnham anunciará seu gabinete, incluindo um ministério voltado à inteligência artificial. As escolhas para áreas como Economia, Interior e Relações Exteriores indicarão as prioridades do novo governo, que terá como desafios imediatos o custo de vida, os preços da energia e a descentralização do poder para além de Londres. 

A AUTOMATIZAÇÃO E OS LIMITES DA "IA"


A inteligência artificial deixou de ser uma tecnologia restrita às grandes corporações e passou a integrar a rotina de empresas de diferentes portes. Mais do que automatizar tarefas, as novas soluções conectam processos, integram áreas e transformam dados em decisões estratégicas. Nesse contexto, Gabriel Borges Aguiar, CEO da TECTO Tecnologia, defende o conceito de "IA 360", modelo em que a inteligência artificial atua de forma integrada em toda a operação, do comercial à gestão, centralizando informações em um único ecossistema. Segundo ele, a IA já é capaz de executar processos completos por meio da integração com sistemas como ERP, CRM e plataformas financeiras. A tecnologia consulta dados, atualiza registros, executa tarefas e toma decisões operacionais como um colaborador faria. Para Gabriel, a redução dos custos de implantação tornou a IA acessível também às pequenas empresas. "Quem ainda vê a inteligência artificial apenas como tendência corre o risco de perder competitividade", afirma. Além de aumentar a produtividade e reduzir custos, a IA melhora a qualidade dos processos. Um dos principais ganhos, segundo o executivo, é a capacidade de monitorar atendimentos, gerar indicadores e fornecer feedbacks personalizados, promovendo melhoria contínua das equipes.

A Corrêa Materiais Elétricos é um exemplo dessa transformação. Em parceria com a TECTO, implantou um ecossistema de IA integrado às áreas comercial, financeira, operacional e administrativa, obtendo redução de custos, aumento das vendas e maior controle da gestão. A empresa oferece soluções modulares, como o Vendedor IA, que automatiza todo o funil comercial via WhatsApp; o Cobrança IA, voltado à recuperação de crédito; o Proposta IA, que automatiza a elaboração de propostas; e o Gerente IA, responsável por gerar análises e relatórios em tempo real. Gabriel destaca que a inteligência artificial não substitui profissionais qualificados, mas assume tarefas repetitivas, permitindo que as pessoas se concentrem em atividades estratégicas, criativas e de relacionamento. Para empresas que desejam iniciar essa transformação, a recomendação é começar por um processo de alto volume, medir os resultados e expandir gradualmente o uso da tecnologia.