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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

PEC PREVÊ FIM DA ESCALA 6X1


A PEC aprovada pelo Senado prevê o fim da escala 6x1, reduzindo a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial. A proposta estabelece a escala 5x2, com dois dias de descanso por semana. A mudança deverá entrar em vigor 60 dias após a promulgação e publicação, permitindo que empresas e sindicatos se adaptem às novas regras. Os impactos variam conforme o setor, especialmente nas atividades que funcionam continuamente. Representantes empresariais alertam para aumento de custos, necessidade de novas contratações e possíveis reajustes de preços. Sindicalistas defendem que jornadas menores melhoram a saúde, reduzem afastamentos e aumentam a produtividade. No comércio e nos serviços, a FecomercioSP estima que a redução elevaria os custos da folha em R$ 76,9 bilhões nos serviços e R$ 30,4 bilhões no varejo. A entidade prevê dificuldades para supermercados, transportadoras e empresas que funcionam nos fins de semana. Na saúde, hospitais e clínicas apontam dificuldades para manter o atendimento 24 horas, podendo precisar ampliar equipes e reorganizar turnos. Bares e restaurantes estimam aumento de até 20% nos gastos com funcionários, com possíveis reajustes de 7% a 8% nos preços. A indústria de máquinas e equipamentos calcula que os custos poderão subir até 20%. Os shoppings estimam perdas de até R$ 14,8 bilhões em faturamento no primeiro ano e possível redução de 130 mil empregos formais.

Os bancários deverão ser menos afetados, pois já trabalham, em geral, 30 horas semanais. Os petroleiros também possuem escalas definidas por acordos coletivos e características específicas de cada atividade. Na construção civil, a redução da jornada pode elevar em 5,5% o preço dos imóveis, segundo estudo do setor. Incorporadoras defendem um período de adaptação de cinco anos, enquanto representantes dos trabalhadores afirmam que melhores salários podem ajudar a enfrentar a escassez de mão de obra. Os metalúrgicos do ABC já possuem jornadas de 40 horas nas montadoras, graças a acordos coletivos. Sindicalistas consideram a mudança uma importante conquista trabalhista, capaz de ampliar o descanso e reduzir doenças ocupacionais. No setor aéreo, empresas de serviços auxiliares estimam aumento de custos entre 18% e 21%, devido à necessidade de manter operações durante 24 horas. A categoria pede regras específicas para acomodar os dois dias de descanso. Enquanto empresários defendem transição e negociação coletiva, sindicatos ressaltam os benefícios sociais da redução da jornada. O desafio será conciliar melhores condições de trabalho com a continuidade dos serviços e a sustentabilidade econômica das empresas. 

CUSTOS DE ENERGIA PODE GERAR CRISE ALIMENTAR MUNDIAL


O aumento dos custos da energia está encarecendo a produção agrícola e elevando os preços dos alimentos, alimentando o temor de uma crise alimentar mundial, alertou o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida). Segundo a agência da ONU, os preços agrícolas mundiais subiram 13% no terceiro trimestre, e a tendência de alta está se acelerando.O conflito no Oriente Médio elevou os preços dos combustíveis e dos fertilizantes, aumentando os custos de produção e transporte dos produtos agrícolas. O presidente do Fida, Álvaro Lario, prevê que a inflação alimentar se intensifique nos próximos seis a nove meses, atingindo principalmente as populações mais pobres. Segundo ele, quase um terço da população mundial não consegue pagar por uma alimentação saudável. Dados da ONU indicam que cerca de 260 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar. Nos países em desenvolvimento, a alta dos alimentos compromete parcela significativa do orçamento familiar e reduz o acesso a produtos nutritivos. Os pequenos agricultores são particularmente afetados pelo encarecimento da energia, embora respondam por um terço da produção mundial de alimentos. Em diversos países em desenvolvimento, sua participação chega a 70% da produção. No Sudeste Asiático, utilizam cerca de 200 quilos de fertilizantes por hectare anualmente. 

O encarecimento desses insumos pode reduzir a produtividade e elevar ainda mais os preços. Lario afirma que os governos têm poucas alternativas imediatas, como subsidiar combustíveis e fertilizantes. O G7 anunciou US$ 2,5 bilhões para apoiar países ameaçados pela insegurança alimentar, com atenção especial ao fornecimento de fertilizantes. Além dos custos elevados, o fenômeno climático El Niño ameaça as colheitas na África, na Ásia e na América Latina, agravando os riscos de escassez. Na América Central, já foram registradas perdas de milho e feijão em El Salvador e Honduras. Na Índia, a irregularidade das monções reduz a disponibilidade de água para a agricultura. Filipinas, Indonésia e África do Sul também estão expostas a perdas de produtividade. Especialistas alertam que adaptar rapidamente os cultivos é difícil e pode custar caro. Para combater a fome, o FMI recomenda transferências de renda direcionadas às famílias vulneráveis e programas de alimentação escolar. O Fida defende investimentos de três a cinco anos para fortalecer os sistemas alimentares, ampliando a irrigação, o armazenamento, o processamento local e o acesso aos mercados. A entidade atua em cerca de 90 países e busca recursos privados para ampliar suas ações. Lario ressalta que a agricultura depende da saúde do solo e da disponibilidade de água, ambas ameaçadas pelas mudanças climáticas. Menos de 1% do financiamento climático mundial chega aos pequenos agricultores, que precisam de irrigação eficiente, sementes resistentes à seca e proteção das áreas costeiras.

 

EUA ENVIAM SOLDADOS PARA AMÉRICA LATINA


Os Estados Unidos enviarão centenas de soldados à América Latina para treinar forças locais e ampliar o combate ao narcotráfico. O primeiro contingente integra um batalhão de 600 militares da 10ª Divisão de Montanha, sediada em Nova York. Os soldados começarão as atividades em uma instalação de treinamento na selva do Panamá. Depois, participarão de exercícios militares na Colômbia e em Honduras. Também poderão apoiar forças especiais americanas em operações contra suspeitos de tráfico de drogas. O Pentágono prepara ainda centenas de militares para integrar um novo comando de operações no Hemisfério Ocidental, sediado em Miami. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, criou um escritório para supervisionar as ações contra os cartéis. A iniciativa inclui a transferência de drones MQ-9 Reaper da África para a Colômbia e o Equador. Especialistas consideram o envio de 600 soldados uma mobilização excepcional para a região. A expansão ocorre enquanto Donald Trump pressiona governos latino-americanos a intensificar operações militares contra organizações criminosas. O general Francis L. Donovan afirmou que os Estados Unidos pretendem ampliar as ações, passando de ataques a embarcações para ofensivas terrestres. Embora vários países apoiem a aliança contra os cartéis, poucos autorizaram oficialmente operações conjuntas em seus territórios. Colômbia e Honduras estão entre os que concordaram com essa possibilidade. A presença militar americana, porém, provoca preocupações sobre a soberania nacional e recorda o histórico de intervenções de Washington na região. O governo Trump também busca ampliar sua influência diante do crescimento econômico e estratégico da China na América Latina. O general Joseph A. Ryan afirmou que os Estados Unidos procuram recuperar posições econômicas, militares e estratégicas anteriormente perdidas. Os soldados começarão pelo Panamá, seguirão para exercícios na Colômbia e depois treinarão com forças hondurenhas.

Parte dos contingentes poderá proteger helicópteros americanos e reforçar unidades de operações especiais. Embora os deslocamentos sejam temporários, existe a possibilidade de uma presença militar mais permanente. Oficiais americanos demonstram preocupação com a falta de objetivos claramente definidos para a campanha. Um ataque contra soldados dos Estados Unidos poderia provocar uma escalada militar e ampliar o envolvimento do país no conflito. As forças americanas já enfrentam compromissos no Irã, na Europa e na Ásia. Em agosto, o Comando Sul anunciou uma força-tarefa para ampliar a cooperação militar contra o narcotráfico. A iniciativa dá continuidade à campanha no Caribe e no Pacífico Oriental, que realizou 71 ataques contra embarcações e matou pelo menos 239 pessoas. Os Estados Unidos alegam que as embarcações transportavam drogas, mas não apresentaram provas conclusivas dessa acusação. Especialistas afirmam que os ataques tiveram pouco impacto sobre a disponibilidade de cocaína no mercado americano. Juristas também questionam a legalidade das operações, argumentando que suspeitos de tráfico não podem ser deliberadamente tratados como alvos militares. A ampliação dos ataques para áreas terrestres aumenta o risco de vítimas civis e danos a escolas, estradas e outras infraestruturas. Assim, a ofensiva antidrogas poderá aprofundar a presença militar americana na América Latina e provocar novas tensões políticas e jurídicas. 

MINISTRO É ACUSADO DE PATICIPAR DE FESTA COM GAROTAS DE PROGRAMA


Vorcaro teria custeado festa para o ministro Kassio Nunes Marques, segundo reportagem da revista piauí, Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, custeou e organizou uma festa com garotas de programa para o ministro do STF Kassio Nunes Marques, em 28 de fevereiro de 2025, num tríplex no Itaim Bibi, em São Paulo. Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro indicariam que ele coordenou os preparativos, envolvendo sete profissionais, entre motoristas, chef, mordomo, faxineira, arquiteto e agenciadora de mulheres. A festa teria reunido 15 convidados e custado R$ 27 mil, dos quais R$ 21,1 mil foram gastos com carnes e caviar. As mensagens não esclarecem se Vorcaro participou do encontro. Segundo diálogos com o mordomo, um quarto foi disponibilizado ao ministro e a cinco mulheres por volta das 20h50. Às 22h08, o funcionário relatou que os presentes estavam nus na piscina e que uma mulher havia passado mal, mas se recuperado. Depois, afirmou que o ministro não tinha pressa para sair e pretendia prolongar o encontro. Kassio teria deixado o local por volta das 23h15. Posteriormente, o mordomo enviou a Vorcaro fotografias de preservativos usados e de uma peça íntima encontrada sob um travesseiro. Questionado sobre o episódio e seus possíveis efeitos na atuação relacionada ao caso Master, o ministro negou ter autorizado terceiros a falar em seu nome e afirmou não ser responsável por conversas ou ações alheias.

Em nota, declarou nunca ter votado a favor de Vorcaro, lembrando que votou pela manutenção de sua prisão. Também negou ter trocado mensagens com o banqueiro ou solicitado favores, acrescentando que seu filho nunca recebeu benefícios do Banco Master. O magistrado criticou a reportagem por considerar que ela estabelece associações indevidas com sua atuação na Presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O caso surge após outra reportagem, publicada pelo UOL em 13 de outubro, apontar que Vorcaro teria financiado, desde 2023, uma rede internacional de prostituição, com investimentos de pelo menos R$ 4,3 milhões. Segundo a publicação, a rede envolvia intermediários, uma casa noturna paulistana e mulheres de diferentes nacionalidades, incluindo russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas. O ex-banqueiro também negou essas acusações, afirmando que nunca explorou ou desrespeitou mulheres e classificando as informações como uma narrativa falsa sobre sua conduta.