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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

IRÃ EM GUERRA

Os protestos no Irã continuam.Manifestações são as maiores desde 2022;  lojistas, comerciantes de bazares e estudantes entoaram slogans contra o  governo.Com protestos contra o governo espalhados pelas 31 províncias do Irã, o líder supremo Ali Khamenei adotou um discurso duro, afirmando que Teerã não tolerará cidadãos que ajam “como mercenários a serviço de estrangeiros”. Em pronunciamento, ele acusou o presidente dos EUA, Donald Trump, de incentivar a instabilidade e disse que atos de vandalismo ocorreram apenas para “agradar o coração” do americano, que havia ameaçado intervir caso houvesse mortes na repressão. Segundo a ONG Iran Human Rights, ao menos 45 manifestantes e dois policiais morreram até quinta-feira. Redes de ativistas afirmam que os protestos já alcançaram cerca de 300 cidades, com Teerã vivendo sua noite mais violenta desde o início da crise. O governo respondeu com repressão e cortes sistemáticos de internet e telefonia, tentando dificultar a organização dos atos, que são descentralizados e convocados por aplicativos de mensagem. As manifestações ganharam força a partir de 28 de dezembro, impulsionadas pela crise econômica: inflação anual de 42,5%, forte desvalorização do rial e encarecimento do custo de vida. Uma grave crise hídrica também agravou o descontentamento.

Rapidamente, as pautas passaram a questionar o regime, retomando o histórico de protestos de 2009, 2017, 2019 e 2022-23, este último marcado pela morte de uma jovem presa por uso considerado inadequado do véu islâmico. Os atos começaram no oeste curdo do país, mas se espalharam para grandes cidades como Teerã, Isfahan e Mashhad. Em Fars, manifestantes derrubaram uma estátua do general Qassem Suleimani, símbolo do regime. Sem liderança clara, os protestos têm recebido apoio do ex-príncipe herdeiro Reza Pahlavi, que, do exílio, pediu mobilizações pacíficas, embora seu peso político seja incerto. O regime enfrenta ainda um momento de fragilidade: a morte do presidente Ebrahim Raisi em 2024, confrontos recentes com Israel, sanções econômicas severas e bombardeios americanos a instalações nucleares agravaram a crise. Enquanto o presidente Masoud Pezeshkian tenta adotar um tom conciliador, Khamenei e a Guarda Revolucionária reforçam a repressão, mantendo o país sob forte tensão. 

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