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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

INSTALAÇÃO DE CÂMERAS: PRIVACIDADE

A 17ª Câmara Cível do TJ-MG condenou uma mulher a indenizar duas vizinhas em R$ 12 mil, por danos morais, devido à instalação de câmeras que feriam a privacidade delas. 
O colegiado também determinou que os equipamentos fossem retirados ou reposicionados. As vizinhas entraram com ação alegando que as câmeras tinham visão em 360º e captação de áudio contínua, extrapolando os limites da proteção da propriedade. A ré alegou que os aparelhos estavam em seu terreno e eram “imprescindíveis” para sua segurança. Em 1ª instância, a Vara Única de Tarumirim ordenou a retirada ou reposicionamento das câmeras e fixou multa diária de R$ 500, até R$ 20 mil, mas rejeitou o pedido de indenização. As partes recorreram: as autoras pediram indenização e a ré alegou cerceamento de defesa, por não ter sido ouvida prova testemunhal.

A relatora, desembargadora Aparecida Grossi, manteve a ordem de retirada das câmeras, mas reconheceu dano moral, fixando R$ 6 mil para cada vizinha. Ela destacou que captar som e imagem da residência vizinha restringe liberdade, intimidade e prejudica atividades cotidianas. Segundo a magistrada, a casa é local de acolhimento e descanso, devendo garantir ambiente tranquilo. Ao registrar imagem e som de outra residência, há evidente violação de privacidade. Grossi ainda rejeitou a alegação de cerceamento, pois a prova testemunhal seria desnecessária, já que a ré não negou a captação de áudio e vídeo. Os desembargadores Roberto Soares de Vasconcellos Paes e Amauri Pinto Ferreira acompanharam o voto da relatora. 


BOLSONARO É CONDENADO EM R$ 1 MILHÃO

Jair Bolsonaro (PL) foi condenado ontem, 16, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a pagar R$ 1 milhão por danos morais, face a declarações racistas sobre cabelos de pessoas negras, em 2021; ele comparou o cabelo de um cidadão negro com "criatórios de baratas", em live, quando ainda era presidente. O julgamento ocorreu em Porto Alegre, dias após sua condenação no STF a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. O relator Rogério Favreto determinou que Bolsonaro e a União paguem a indenização, em decisão unânime do colegiado. O valor é inferior aos R$ 5 milhões pedidos pelo MPF e pela DPU por danos morais coletivos.

Três falas de Bolsonaro, em maio e julho de 2021, motivaram o processo. Ele associou cabelos crespos a baratas e piolhos, além de fazer comentários depreciativos em uma live. A procuradora Carmen Hessel destacou que o cabelo é símbolo da negritude e alvo histórico de racismo. O MPF afirmou que as falas atingiram a população negra em geral, não apenas o apoiador presente. A advogada Karina Kufa alegou ausência de intenção racista e disse que o apoiador nunca se sentiu ofendido. O TRF-4 também reincluiu a União como ré. A indenização será destinada a entidades sociais, e Bolsonaro terá de se retratar publicamente. Em 2017, ele já havia sido processado por ofensas a quilombolas, mas o caso foi arquivado em 2019.


MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 17/09/2025

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Câmara dos Deputados aprova PEC para driblar Justiça

Proposta restringe possibilidade de investigar parlamentares, exigindo que Câmara ou Senado autorizem processo contra seus integrantes. Texto também prevê que prisão de deputados ou senadores só ocorra com permissão das Casas, em votação secreta

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Aprovada na Câmara

Eduardo, Elmar e emendas: veja as investigações que podem ser barradas pela PEC da Blindagem

Parlamentares podem ser beneficiados caso a proposta avance também no Senado

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Sob ordem de Trump, parques podem ter de apagar referências à escravidão

Decreto determina a eliminação de informações com 'ideologia corrosiva' que menospreze americanos históricos Informações sobre racismo, sexismo, escravidão, direitos LGBTQIA+ ou perseguição aos povos indígenas

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Jerônimo envia projeto para pagar abono a professores

Jerônimo Rodrigues encaminhou à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) 
o Projeto de Lei 25.945

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Justiça investiga Smamus e incorporadora por obra de prédio supostamente fora dos padrões do Plano Diretor de Porto Alegre

Ambos negam irregularidades em prédio cujo máximo de andares previstos 
são três, porém construção teria sido aprovada pela Prefeitura 
com até sete andares

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Já nasceram 57 bebés em ambulâncias, mas urgência regional de Ginecologia-Obstetrícia na Margem Sul divide médicos

terça-feira, 16 de setembro de 2025

RADAR JUDICIAL

ISRAEL INVADE GAZA

O Exército de Israel iniciou ontem, 15, ofensiva terrestre para ocupar a Cidade de Gaza, após semanas de bombardeios aéreos. O chefe de Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, afirmou que há aumento de evidências de crimes de guerra e contra a humanidade por parte de Israel. Türk pediu o fim da “carnificina” e disse que cabe aos tribunais decidir se há genocídio, mas destacou o acúmulo de violações. O gabinete de segurança de Israel, liderado por Netanyahu, aprovou a expansão da campanha militar, alegando que Gaza é reduto do Hamas. Netanyahu, ao lado do secretário de Estado americano Marco Rubio, afirmou que não descarta novos ataques a líderes do Hamas. Ele declarou que Donald Trump é o “maior amigo” de Israel na Casa Branca, enquanto Rubio defendeu a destruição do Hamas. Na semana passada, Israel atacou líderes do grupo no Qatar, mas não atingiu a cúpula. Os EUA disseram não ter sido informados. A ofensiva já deslocou centenas de milhares de palestinos, com 300 mil fugindo da capital, segundo Israel. A Unicef criticou o deslocamento de crianças, alertando que os campos ao sul estão superlotados e inseguros. Mesmo sob alertas de retirada, muitos palestinos resistem a sair, temendo a insegurança em outras áreas de Gaza.

ÁRABES AMEAÇAM REVIDE A ISRAEL

Líderes árabes e muçulmanos reunidos em Doha pediram revisão dos laços econômicos e diplomáticos com Israel após o ataque a líderes do Hamas no Catar, segundo um rascunho de declaração obtido pela AFP. A cúpula, convocada pelo Catar, reuniu cerca de 60 países e propôs ações legais contra Israel, alertando que a agressão ameaça a normalização das relações estabelecida pelos Acordos de Abraão. Arábia Saudita, Emirados, Bahrein, Catar, Kuwait e Omã pediram aos EUA que usem sua influência para conter Israel. O emir do Catar, Tamim bin Hamad al-Thani, afirmou que o ataque israelense prejudica negociações sobre Gaza, e o primeiro-ministro catari pediu punição internacional a Israel. O primeiro-ministro israelense, Netanyahu, o Hitler dos tempos atuais, disse assumir total responsabilidade pelo bombardeio, que mira alvos considerados terroristas. Pesquisadores e líderes regionais destacam que ações concretas substituirão a retórica. A reunião também abordou segurança coletiva e alinhamento entre Estados árabes para enfrentar ameaças comuns.

PROJETO PODERÁ ELEVAR SALÁRIOS 

Um projeto de lei do TCU em tramitação na Câmara cria verba indenizatória que pode elevar salários de servidores a até R$ 72,8 mil por mês. A medida contraria o espírito da reforma administrativa, que busca conter supersalários. Mesmo assim, a urgência foi aprovada, permitindo votação direta em plenário. O adicional, chamado de Indenização por Regime Especial de Dedicação Gerencial (IREDG), pode alcançar 25% sobre a remuneração bruta. Por ser verba indenizatória, não se submete ao teto do funcionalismo nem ao Imposto de Renda. Com reajustes previstos, o valor máximo chegaria a R$ 82,2 mil em 2029. O TCU justifica a medida para estimular servidores a assumirem cargos de chefia, já pouco atrativos por causa do abate-teto. Críticos apontam contradição, já que o órgão é responsável por fiscalizar gastos públicos. O tribunal cita precedentes no Judiciário, Ministério Público, Senado e Polícia Federal. O projeto ainda prevê novas gratificações por desempenho e qualificação. 

CORREIOS EM CRISE

Os Correios atribuem a crise financeira atual à falta de investimentos no governo Jair Bolsonaro (2019-22). Em resposta a requerimento do deputado Luiz Carlos Motta (PL-SP), a estatal prevê alívio com R$ 1,6 bilhão previsto em orçamento. Entre 2019 e 2022, foram aplicados R$ 447 milhões, contra R$ 792 milhões em 2023/24. Segundo Geverson Albuquerque, assessor da presidência, a restrição comprometeu a competitividade. Para enfrentar a situação, a empresa promete racionalizar despesas. Entre as medidas estão jornada reduzida de seis horas com corte salarial e incentivo a desligamento voluntário. O prejuízo no primeiro semestre chegou a R$ 4,37 bilhões. Reportagem revelou atrasos em aluguéis de agências. Também houve falta de pagamento a terceirizados. Funcionários enfrentaram dificuldades no plano de saúde. A crise culminou em forte desgaste da gestão. O presidente Fabiano Santos pediu demissão.

TRUMP DEMITE MAIS UMA QUE NÃO VOTOU EM SEU NOME

Maurene Comey, ex-procuradora federal e filha do ex-diretor do FBI James Comey, processou o governo Trump após ser demitida em julho. Ela alega que a exoneração teve motivação política ligada ao histórico do pai, adversário do republicano. A ação foi apresentada no tribunal federal de Manhattan contra o Departamento de Justiça e o Executivo. Segundo seus advogados, não houve justificativa oficial para a demissão. Procuradora por dez anos em Nova York, atuou em casos como os de Epstein, Ghislaine Maxwell e Sean “Diddy” Combs. Duas semanas após a condenação de Combs, ela recebeu email de demissão. O comunicado citava apenas o artigo 2 da Constituição dos EUA, sem explicações adicionais. Ela afirma ter sempre obtido avaliações positivas, inclusive em abril deste ano. Ao questionar a decisão, ouviu que a ordem “veio de Washington”. No processo, pede reintegração ao cargo e acusa interferência política.


Santana, 16 de setembro/2025

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.


TRIBUNAL REJEITA DEMISSÃO DE LISA COOK

Um tribunal de apelações dos EUA rejeitou, ontem, 15, a tentativa de Donald Trump de demitir Lisa Cook, diretora do Federal Reserve. 
É a primeira vez desde 1913 que um presidente tenta afastar um membro do Fed, o que ameaça a independência da instituição. A decisão garante que Cook participe da reunião de política monetária desta semana, que deve discutir corte de juros. O tribunal negou pedido do Departamento de Justiça para suspender liminar que bloqueou a demissão. A Casa Branca deve recorrer à Suprema Corte. A juíza Jia Cobb decidira que acusações de fraude hipotecária não eram base legal suficiente para a remoção. A lei de 1913 só prevê afastamento “por justa causa”, nunca testada em tribunais. Primeira mulher negra no colegiado, Cook processou Trump e o Fed, alegando perseguição política. Trump pressiona por cortes agressivos de juros; o Fed prioriza o combate à inflação. O governo defende que o presidente tem poder para remover diretores, o que enfraqueceria a autonomia do banco central.

Na corte de apelações, dois juízes de Biden votaram contra o governo, e um indicado por Trump foi favorável. A Suprema Corte já autorizou Trump a demitir chefes de agências, mas reconheceu status especial do Fed. O governo queria afastar Cook antes da reunião do banco central. Advogados alegaram que isso daria credibilidade ao Fed; defensores dela alertaram sobre risco de instabilidade. Cobb afirmou que só condutas no cargo podem justificar demissão, não fatos anteriores à nomeação. Trump e William Pulte a acusam de preencher incorretamente formulários de hipoteca. Segundo eles, ela obteve juros menores e benefícios fiscais indevidos. Documentos, porém, contradizem parte das acusações. Em Atlanta e Ann Arbor, autoridades locais não confirmaram fraude. Mesmo assim, o Departamento de Justiça abriu investigação criminal em Michigan e na Geórgia. 

TRUMP INSISTE EM PROCESSAR JORNAL

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que processará o New York Times em US$ 15 bilhões (cerca de R$ 80 bilhões) por difamação e calúnia. 
Segundo ele, o jornal teria ultrapassado todos os limites ao menti-lo e atacá-lo sistematicamente. Em sua rede social, Truth Social, Trump escreveu: "O New York Times tem tido liberdade para mentir, difamar e me atacar por tempo demais, e isso acaba, AGORA!". Ele acusou o jornal de ter se tornado um "porta-voz do Partido Democrata Radical de Esquerda". Trump também criticou o apoio do periódico à candidatura de Kamala Harris na eleição de 2024. Ele destacou que o endosso foi colocado no centro da capa do jornal, algo que classificou como "inédito". Segundo Trump, o processo será movido na Flórida, estado de maioria republicana. A BBC procurou o New York Times para comentar, mas não obteve resposta. Trump afirma que outros veículos também o difamam com manipulações de documentos e imagens. O ex-presidente é crítico de longa data da mídia que considera parcial à esquerda.

Não é a primeira vez que tenta judicializar acusações contra o New York Times. Em 2023, um juiz rejeitou uma ação de Trump contra o jornal, considerando as alegações improcedentes. Esse processo, de US$ 100 milhões, acusava o jornal e sua sobrinha Mary Trump de obter ilegalmente seus registros fiscais. A ação estava ligada a uma série de reportagens sobre as finanças de Trump, premiadas com o Pulitzer. Trump também processou a CNN em 2023, pedindo US$ 475 milhões por difamação. Na ocasião, alegou ter sido comparado a Adolf Hitler em programas da emissora. Um juiz federal rejeitou essa ação, assim como outras tentativas anteriores do ex-presidente. Trump insiste que há um sistema midiático articulado para prejudicá-lo politicamente. Agora, ele aposta em uma ação bilionária para enfrentar seu maior alvo: o New York Times. 

O PRESO MAIS ANTIGO DO BRASIL

Hoje com 82 anos, Francisco Costa Rocha, o “Chico Picadinho”, cumpre quase cinco décadas ininterruptas de prisão. 
Seu nome ficou associado à crueldade e morbidez pelos crimes cometidos em São Paulo nas décadas de 1960 e 1970. Ele assassinou e esquartejou duas mulheres, sendo capturado pela segunda vez em 1976. Desde então, nunca mais deixou a prisão. Sua situação jurídica é marcada por derrotas sucessivas em pedidos de liberdade. Neste ano, teve negada a 20ª tentativa de sair, diante de laudos que apontam psicopatia incurável. Peritos afirmam que não há perspectiva de melhora e que ele representa risco de reincidência. O primeiro crime ocorreu em 1966, contra a bailarina austríaca Margareth Suida. Após uma noite de sexo e álcool, ele a estrangulou e esquartejou com lâmina de barbear. Foi condenado a 18 anos, mas cumpriu apenas oito. Em 1974, solto, voltou a matar dois anos depois. A vítima foi Ângela de Souza e Silva, prostituta levada ao seu apartamento. Após o estrangulamento, repetiu o ritual macabro de mutilações.

Um ex-detento chamado para ajudar a descartar o corpo denunciou o crime. Chico foi preso imediatamente e condenado a mais de 20 anos. Exames psiquiátricos o classificaram como portador de transtorno de personalidade antissocial. Em 1998, mesmo após cumprir o tempo máximo de pena, foi interditado judicialmente. A Justiça decretou medida de segurança em regime de custódia. Numa audiência, chegou a admitir que mataria novamente em liberdade. Atualmente, cumpre internação no Hospital de Custódia de Taubaté. Sua rotina envolve a biblioteca, onde lê, organiza livros e pinta. É descrito hoje como calmo, disciplinado e silencioso. Vive isolado, sem visitas há 20 anos, e tem poucos vínculos afetivos. Apesar da idade e de problemas de saúde, segue lúcido. Envelhece em regime fechado, vigiado e considerado perigoso até o fim da vida. 



MELHORES HOSPITAIS DO MUNDO

A revista americana Newsweek divulgou a versão 2026 de seu ranking anual dos melhores hospitais do mundo. 
O Brasil aparece com 22 instituições, sendo cinco públicas e 17 privadas.
Entre os destaques estão o Hospital das Clínicas da Unicamp, em Campinas, e o Hospital São Paulo da Unifesp, além de privados como Albert Einstein e Sírio-Libanês. O levantamento é feito em parceria com a empresa de dados Statista. São avaliadas 12 especialidades médicas, incluindo cardiologia, oncologia, pediatria, neurocirurgia, urologia, cirurgia cardíaca, endocrinologia, gastroenterologia, pneumologia e ortopedia. O ranking reúne desde os 300 melhores hospitais em cardiologia e oncologia até os 125 melhores em neurocirurgia e urologia.

A metodologia considera recomendações de profissionais de saúde, dados de acreditação e certificações, além dos resultados dos PROMs. Os PROMs (Patient-Reported Outcome Measures) são indicadores que medem a percepção dos pacientes sobre sintomas, qualidade de vida e satisfação com o tratamento. A pesquisa foi realizada online entre maio e julho de 2025,
abrangendo hospitais em todo o mundo. O ranking não segue uma ordem de classificação, mas oferece uma visão global da excelência médica. 

MINISTRO CRITICA VOTO DE FUX

O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, criticou o voto de Luiz Fux no julgamento da trama golpista. 
Segundo ele, condenar apenas Mauro Cid e Braga Netto e absolver os demais é incoerente. Afirmou que, se integrasse a Primeira Turma, condenaria Jair Bolsonaro e outros acusados inequivocamente. As declarações foram dadas em São Paulo, na inauguração da sede do IDP, do qual é sócio. Disse que divergências em julgamentos são normais, mas não devem sustentar projetos de anistia. Gilmar destacou que o julgamento deu exemplo ao mundo sobre punição a ataques à democracia. Fux divergiu dos colegas e defendeu a condenação apenas de Cid e Braga Netto. Barroso e Gilmar compareceram no dia seguinte para reforçar a unidade do Supremo. Para Gilmar, o STF precisa se manter unido diante dos maiores ataques às instituições em 40 anos. Ele criticou falas de Tarcísio de Freitas, que chamou Moraes de tirano em ato bolsonarista. Segundo Gilmar, não há tirania no Supremo, mas sim uma tentativa golpista desmontada.

Advogados de Bolsonaro e Braga Netto reconheceram a gravidade dos atos. Gilmar classificou como “neocolonialismo tecnológico” o uso da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras. Considerou absurda a imposição de sanções externas sem relação com política comercial. Comparou com o caso dos “Epstein Files”, dizendo que não faz sentido em negociações. Para ele, a democracia brasileira sai mais forte com o resultado do julgamento. As sanções, afirmou, não afetam a vida institucional do país. Sobre a anistia, evitou se posicionar e disse confiar nos presidentes da Câmara e do Senado. Reforçou a importância do respeito à institucionalidade. Gilmar concluiu que o Brasil deve seguir aplicando suas próprias leis. 

DEFENSORIA SEM COMPETÊNCIA PARA IMPROBIDADE

A 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu que defensorias públicas não têm legitimidade para propor ação de improbidade administrativa. 
O colegiado rejeitou recurso da Defensoria Pública de São Paulo, que atuava em caso sobre suposta tortura em presídio paulista. O TJ-SP já havia entendido que, com a edição da Lei 14.230/2021 (Nova LIA), a legitimidade para ajuizar ações de improbidade ficou restrita ao Ministério Público. No STJ, a defensoria argumentou que a ação de improbidade é espécie de ação civil pública e que sua atuação complementaria a do MP. A instituição alegou ainda que a Nova LIA enfraqueceu a proteção da moralidade administrativa ao limitar os legitimados. O ministro Gurgel de Faria explicou que a Lei 11.448/2007 incluiu a defensoria nas ações civis públicas em geral, mas não nas de improbidade. Segundo ele, as ações de improbidade têm caráter punitivo e regras próprias, distintas das ações civis públicas.

A Lei 14.230/2021 passou a permitir a conversão da ação de improbidade em ação civil pública, reforçando a diferença entre os instrumentos. Faria ressaltou que isso demonstra a necessidade de tratamento jurídico separado. O ministro diferenciou o caso das ADIs 7.042 e 7.043, em que o STF reconheceu a legitimidade do MP e das pessoas jurídicas lesadas para agir. No entanto, essa ampliação não incluiu as defensorias públicas. Por fim, destacou que a conversão da ação de improbidade em ação civil pública deve ser feita no primeiro grau, antes da sentença, com recurso cabível de agravo de instrumento.


MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 16/09/2025

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Embaixador do Brasil na Argentina diz que relação "tem peso"

Em entrevista ao Correio, o embaixador Julio Bitelli contou que ambos os países seguem negociando temas comuns, como a compra do gás de Vaca Muerta e acordos do Mercosul

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Com segurança privada em alta, país já tem mais vigilantes do que policiais enquanto aguarda regulamentação do setor

Em apenas cinco meses, entre dezembro de 2024 e maio, houve um aumento de 10% no total de vigilantes empregados no país, segundo dados da Polícia Federal

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Projeto de lei propõe penduricalho para servidores do TCU e abre brecha para salários de R$ 70 mil

Texto cria adicional de 25% sobre remuneração bruta para profissionais em cargos de confiança Proposta teve urgência aprovada na Câmara, com voto favorável do relator do GT da reforma administrativa

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

STF suspende repasses de emendas a cidades baianas após auditoria da CGU

O ministro Flávio Dino determinou ontem a suspensão do repasse de emendas 
parlamentares a nove municípios brasileiros

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

MEC divulga os 456 cursos semipresenciais autorizados

Listagem indica os cursos superiores que podem ser oferecidos 
nesse formato no país, e que estão registrados e aprovados 
no Cadastro e-MEC

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Procura de casas por estrangeiros foca-se agora nas pequenas cidades

A Madeira é o destino preferido dos estrangeiros para viver em Portugal, mas cidades como Viana, Bragança ou Vila Real estão a despertar o interesse destes investidores, revela estudo do Idealista. 


segunda-feira, 15 de setembro de 2025

RADAR JUDICIAL

ISRAEL DESTRÓI  E MATA MAIS 40 PESSOAS

Israel atacou um prédio residencial na Cidade de Gaza ontem, 14, atingido por míssil em meio a moradores e jornalistas. Autoridades palestinas afirmam que, pelo menos 40 pessoas morreram, sendo 28 na Cidade de Gaza. Segundo Israel, o edifício era usado por integrantes do Hamas, e civis foram alertados para evacuar. Moradores, no entanto, dizem que o espaço abrigava famílias deslocadas da Faixa de Gaza. A guerra começou em outubro de 2023, após ataque do Hamas que matou mais de 1,2 mil pessoas em Israel. A ofensiva israelense já deixou mais de 63 mil palestinos mortos, a maioria civis. Imagens mostram o momento exato da explosão do prédio. Profissionais de imprensa estavam próximos durante o ataque. O episódio intensifica a escalada do conflito.

INVADIDA CASA DE CINEASTA EM ISRAEL
 
O cineasta palestino Basel Adra, vencedor do Oscar com o documentário Sem Chão, relatou que sua casa foi invadida por militares israelenses no sábado, 13, enquanto acompanhava o irmão no hospital, após ataque de colonos. Segundo ele, colonos tentaram atropelar seu irmão com um quadriciclo e agrediram familiares. Adra publicou um vídeo do ataque e levou o irmão para atendimento médico. Depois, soldados israelenses entraram em sua casa, onde estavam sua esposa e filha de 9 meses. À noite, ele foi impedido de retornar para casa devido a barreiras militares. O Exército afirmou que investigava relatos de pedras lançadas por palestinos. Familiares disseram que colonos levaram ovelhas para destruir a plantação. Um primo denunciou nas redes que se tratava de “limpeza étnica”. No fim de agosto, Israel autorizou novos assentamentos na Cisjordânia. O filme Sem Chão retrata expulsões de palestinos e foi codirigido por Adra e Yuval Abraham. 

LULA PODE CASSAR MEDALHA

Caberá ao presidente Luis Inácio Lula da Silva assinar a ordem de cassação da medalha Ordem do Pacificador que Jair Bolsonaro (PL) exibiu ao STF. Isso ocorrerá se Bolsonaro perder posto e patente do Exército, punição para militares condenados a mais de dois anos de prisão. O ex-presidente foi sentenciado a 27 anos de cadeia pelo Supremo. A cassação da medalha é prevista no decreto 4.207/2002, assinado por Fernando Henrique Cardoso. Lula não terá alternativa caso o Superior Tribunal Militar considere Bolsonaro indigno do oficialato. A honraria foi obtida por manobra do general Lourena Cid, pai de Mauro Cid, para livrá-lo de processo de racismo movido por Preta Gil. Em 2013, Bolsonaro pediu a Cid que intercedesse junto ao comandante do Exército, alegando ter salvado um soldado negro nos anos 1970. O general Enzo abriu sindicância, mas não quis conceder a medalha. A situação mudou com a posse do general Villas Bôas, que autorizou a honraria. Ela é destinada a atos de abnegação, coragem e risco de vida. Assim, Lula aplicará um decreto de FHC após condenação relatada por ministro indicado por Temer. Ironia: Bolsonaro votou pelo impeachment de Dilma e dedicou o voto ao torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra.

STJ: PRAZO PARA MS, CONTADO A PARTIR DE CADA ATO

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o prazo de 120 dias para impetrar mandado de segurança em relações jurídicas de trato sucessivo deve ser contado a partir de cada ato de exigência fiscal, e não da publicação da lei que criou o tributo. A decisão, unânime, foi fixada no julgamento do Tema 1.273, que reuniu os Recursos Especiais 2.109.221/MG e 2.103.305/MG. A tese acolheu o argumento da OAB, que considerou inviável um prazo único, sob risco de comprometer a segurança jurídica e a ampla defesa. Segundo a entidade, a contagem, a partir da publicação da norma, limitaria o acesso à Justiça, principalmente para micro e pequenas empresas, sujeitas a exigências fiscais sucessivas. O julgamento teve a participação de representantes da OAB, como Jonny Cleuter Simões Mendonça e Alberto Simonetti Neto. O presidente da OAB Nacional, Beto Simonetti, afirmou que a decisão reafirma a missão constitucional da entidade na defesa das garantias legais da cidadania. Ele destacou a atuação firme da OAB para assegurar o mandado de segurança como instrumento contra abusos do poder público. O conselheiro Alberto Simonetti Neto reforçou que a entidade segue vigilante em favor da advocacia e da sociedade. Já o procurador Jonny Cleuter ressaltou que a vitória no STJ demonstra o papel da OAB na defesa do Estado Democrático de Direito. Ele afirmou ser essencial preservar o mandado de segurança como remédio constitucional contra exigências fiscais ilegais ou abusivas.

ANULADA QUITAÇÃO EM ACORDO EXTRAJUDICIAL

A 7ª Turma do TST anulou cláusula de quitação geral em acordo extrajudicial, assinado por cuidadora após demissão em Balneário Camboriú (SC). A decisão ocorreu porque a trabalhadora não tinha advogado na assinatura, requisito legal previsto na CLT. Com isso, o processo retorna à Vara do Trabalho para análise dos pedidos feitos na inicial. A cuidadora pediu vínculo de emprego e verbas trabalhistas referentes a 2018-2020. Após a dispensa, firmou acordo de R$ 7,9 mil com a filha da idosa, com quitação total. A empregadora usou o acordo para pedir a improcedência, aceita em 1ª instância. O TRT-12 manteve a decisão, entendendo válida a transação, já que não houve contestação do documento. A trabalhadora recorreu ao TST. O relator, ministro Evandro Valadão, destacou que a CLT exige advogados nos acordos extrajudiciais. Sem essa representação, o acordo não extingue obrigações trabalhistas nem gera quitação geral.

Santana/Ba, 15 de setembro de 2025.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.