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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

PERSEGUIÇÃO SOBRE TELHADO DE AEROPORTO TERMINA EM PRISÃO


Uma perseguição sobre o telhado do aeroporto de Guarulhos terminou com a prisão de um funcionário e a apreensão de 33 quilos de cocaína. 
O caso revela como organizações criminosas utilizam empregados com acesso a áreas restritas para transportar drogas. Segundo a Polícia Federal, trabalhadores de diferentes setores são recrutados para facilitar o envio dos entorpecentes aos aviões. Entre os envolvidos estão funcionários da limpeza, auxiliares de transporte e outros profissionais. Em um dos flagrantes, o suspeito tentou esconder-se no telhado do terminal, levando uma mala com cocaína. A investigação aponta que a droga chega às aeronaves por caminhos que não são percebidos pelos passageiros. Em outro caso, um funcionário colocou malas em um contêiner destinado a Lisboa e fotografou a carga antes de ser abordado. Os policiais interceptaram a bagagem e encontraram cocaína em seu interior. A Polícia Federal também identificou uma modalidade conhecida como tráfico reverso, com drogas enviadas da Ásia, Europa e América do Norte para o Brasil. A brasileira Gabriele Amador Silva foi envolvida involuntariamente nesse esquema durante uma viagem de lazer aos Estados Unidos e ao Canadá. Sua mala foi extraviada em um voo e devolvida 18 dias depois, no aeroporto de Toronto. Ao retornar ao Brasil, Gabriele recebeu uma intimação policial e descobriu que uma bagagem com drogas havia sido enviada em seu nome. A jovem afirmou desconhecer completamente o transporte dos entorpecentes. A PF encontrou duas malas abandonadas na esteira de Guarulhos, cada uma contendo 25 quilos de haxixe.

O método de troca de etiquetas lembra o caso de março de 2023, quando duas brasileiras ficaram presas por 38 dias na Alemanha. Na ocasião, etiquetas delas foram transferidas para malas com 40 quilos de cocaína. Posteriormente, as brasileiras tiveram a inocência reconhecida e receberam indenização do governo alemão. Em 2026, Guarulhos já registrou quase cinco toneladas de drogas apreendidas, o maior volume de sua história. No mesmo período, 274 pessoas foram presas por tráfico, incluindo funcionários com acesso a áreas restritas. A Polícia Federal pretende identificar também os responsáveis pela coordenação internacional das operações criminosas. O delegado Ivo Silva ressaltou que a repressão precisa ser acompanhada de medidas preventivas. A defesa do funcionário preso no telhado negou seu envolvimento com o tráfico e afirmou que a mala não estava sob sua posse durante a abordagem. Os advogados dos demais acusados não se manifestaram. A Agência Nacional de Aviação Civil informou que estuda investimentos para reforçar a segurança do aeroporto. A concessionária GRU Airport declarou que oferece estrutura de vigilância e trabalha para aperfeiçoá-la em conjunto com os órgãos de segurança pública. 

TRUMP EXALTA SEU MANDATO EM COMÍCIO


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exaltou seu poder no segundo mandato durante um comício no Kentucky. O evento ocorreu no sábado (17), para mobilizar republicanos diante das dificuldades nas eleições de meio de mandato. “Posso fazer coisas inacreditáveis”, declarou Trump, ao destacar sua autoridade na Casa Branca. O presidente discursou em Highland Heights, apoiando candidatos republicanos, entre eles Ed Gallrein. O candidato disputa uma vaga na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Durante o comício, Trump comentou sua decisão de mudar o nome do Golfo do México para Golfo da América. Ele afirmou que não teria conseguido realizar essa mudança durante seu primeiro mandato. “Este é um mandato muito mais poderoso”, declarou o presidente. Trump também mencionou a suposta mudança do nome de um lago canadense para Lago América. A demonstração de força ocorre em meio à insatisfação de parte dos eleitores com sua administração. As tarifas comerciais e a guerra contra o Irã têm pressionado os preços nos Estados Unidos. Cresce também o número de americanos que consideram que Trump prioriza os próprios interesses. O presidente colocou sua imagem no centro da campanha republicana para as eleições legislativas. Estão em disputa as maiorias da Câmara dos Representantes e do Senado. Caso os democratas conquistem o controle do Congresso, poderão abrir investigações sobre o governo. 

Nos bastidores, republicanos temem que Trump prejudique o desempenho do partido nas urnas. Durante o discurso, ele abordou o custo dos combustíveis e a guerra contra o Irã. Trump afirmou que o conflito terminará em breve, repetindo uma previsão feita anteriormente. A guerra já dura quase oito meses, segundo o relato apresentado no comício. O presidente também prometeu novas quedas nos preços da gasolina. A declaração foi recebida com aplausos pela plateia presente ao evento. Trump voltou a prometer um pagamento de US$ 5 mil para todos os adultos americanos. A promessa está condicionada à conquista das maiorias republicanas na Câmara e no Senado. A medida poderia custar mais de US$ 1 trilhão e dependeria da aprovação do Congresso. Além disso, poderia ampliar o déficit orçamentário anual americano, próximo de US$ 1,8 trilhão. Trump anunciou ainda uma promessa específica para o Kentucky, caso os republicanos vençam. Segundo ele, o Departamento de Defesa investiria na revitalização de uma fábrica de medicamentos no Estado.


PAGAMENTO DE BOLETO FALSO DEVEDOR CONTINUA COM DÍVIDA


Quem paga um boleto falso pode perder o dinheiro e continuar devendo ao credor. A Justiça pode responsabilizar os bancos quando há falhas que facilitam a fraude. Em outros casos, porém, as instituições financeiras são isentadas de responsabilidade. Levantamento identificou 1.041 decisões do TJ-SP sobre boletos falsos entre junho de 2025 e agosto de 2026. Em 50,3% dos julgamentos com resultado identificado, os consumidores obtiveram ressarcimento total ou parcial. Nos outros 49,7%, os pedidos foram considerados improcedentes. Em cinco outros tribunais, o índice de decisões favoráveis aos consumidores foi de 36,9%. A responsabilidade depende das provas e da existência de falhas nos serviços bancários. A legislação prevê que fornecedores respondam por defeitos na prestação dos serviços. A Súmula 479 do STJ estabelece a responsabilidade dos bancos por fraudes ligadas aos riscos da atividade bancária. Segundo especialistas, três situações podem responsabilizar as instituições financeiras. São elas: direcionamento da vítima por canais bancários, uso de dados sigilosos e falhas na abertura de contas fraudulentas. Informações como nome e CPF, isoladamente, não comprovam vazamento de dados bancários. Entretanto, detalhes sobre contratos, parcelas e pedidos de quitação podem indicar acesso indevido a informações. Em 2023, o STJ reconheceu falha bancária em um golpe envolvendo dados de um financiamento. A decisão restabeleceu a quitação da dívida e determinou a devolução de cobranças indevidas. Especialistas afirmam que o consumidor pode apresentar indícios e solicitar a inversão do ônus da prova. Isso pode permitir que o banco apresente informações sobre seus sistemas e mecanismos de segurança. 

A Justiça também pode afastar a responsabilidade bancária quando não existe vínculo entre a fraude e o serviço. Em outro caso, o STJ isentou um banco porque o boleto foi enviado por endereço eletrônico externo. Decisões do TJ-SP também consideraram vazamentos de dados e irregularidades nas contas beneficiárias. Quando o banco é responsabilizado, o consumidor pode pedir a quitação da dívida e a restituição dos valores. Também pode solicitar indenização por danos materiais e morais, conforme as circunstâncias. A manutenção indevida de cobranças ou a inclusão irregular em cadastros negativos pode agravar a situação. O consumidor pode pedir a suspensão das cobranças e a retirada do registro negativo. Em determinadas condições, também é possível requerer a devolução em dobro dos valores pagos indevidamente. Após identificar o golpe, a vítima deve comunicar imediatamente o banco e reunir todas as provas disponíveis. É importante guardar boletos, comprovantes, mensagens, contratos, extratos e protocolos de atendimento. Também se recomenda registrar boletim de ocorrência e conferir os dados do beneficiário antes de pagar. Se o banco não solucionar o problema, o consumidor pode procurar a ouvidoria, o Banco Central, órgãos de defesa do consumidor ou a Justiça.