A Argentina lançará até o fim de 2026 um programa de cidadania por investimento, tornando mais uma tentativa do governo Javier Milei de atrair recursos. O objetivo é obter dólares para ajudar a enfrentar a elevada dívida do país. Os candidatos poderão doar US$ 350 mil ao Tesouro argentino, sem reembolso. Outra opção será comprar um título público de cupom zero de US$ 800 mil. O Ministério da Economia informou que o programa funcionará no quarto trimestre. O anúncio foi feito pelo ministro do Interior, Diego Santilli, em Paris. A medida coloca a Argentina entre os países que oferecem os chamados passaportes dourados. Esse tipo de programa permite obter cidadania mediante investimentos ou pagamentos. Defensores da transparência apontam riscos de corrupção e problemas de segurança. A União Europeia já considerou ilegal o programa de cidadania de Malta. A Argentina busca novas fontes de financiamento após a reestruturação da dívida de 2020. O país continua sem acesso regular aos mercados internacionais de capitais. Entre agora e o fim de 2027, terá US$ 29 bilhões em dívidas a vencer. Um consórcio de consultorias estima que o programa possa arrecadar US$ 2,5 bilhões. O valor seria obtido ao longo dos próximos cinco anos, segundo a estimativa. A Argentina possui cerca de 46 milhões de habitantes e integra o G20. Seu passaporte permite entrada sem visto em mais de 160 países. Consultores afirmam que essa característica tornaria o programa mais atrativo. O governo promete uma avaliação rigorosa dos interessados na cidadania.
A análise deverá considerar segurança nacional e integridade do sistema financeiro e será avaliado o impacto sobre a imagem internacional da cidadania argentina. O programa, porém, não foi submetido ao debate do Congresso argentino, daí porque, a iniciativa poderá enfrentar críticas da oposição política. A controvérsia ocorre antes das eleições presidenciais previstas para 2027. Consultores reconhecem que programas desse tipo costumam virar tema eleitoral. O governo espera apresentar resultados financeiros para defender a iniciativa. A medida reforça a busca de Milei por alternativas para captar dólares e reduzir a dívida.
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