Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas de Madri e outras cidades espanholas neste ontem, 3, exigindo medidas mais efetivas para enfrentar a crescente crise de habitação. Os protestos ocorreram após a oposição derrubar dois decretos apresentados pelo governo de Pedro Sánchez. A crise ganhou força depois do despejo de uma mulher de 87 anos em Madri. O caso tornou-se símbolo das dificuldades enfrentadas por inquilinos no país. Em Madri, o governo estimou em cerca de 70 mil o número de participantes. Protestos previstos em Barcelona e L'Hospitalet foram cancelados devido às fortes chuvas. Manifestantes exibiram cartazes defendendo a convocação de uma greve geral. As medidas de Sánchez incluíam proteção a inquilinos considerados vulneráveis. A proposta previa impedir despejos dessas pessoas até 2030. Também estabelecia a extensão do congelamento dos aluguéis por dois anos. As regras valeriam para contratos que já estão em vigor. O pacote ainda previa regras mais rígidas para os aluguéis de curta duração. A oposição argumentou que as medidas não resolveriam a crise habitacional e afirmou que elas poderiam restringir o funcionamento do mercado imobiliário. A derrota dos decretos aumentou a pressão política sobre o primeiro-ministro.
A imprensa espanhola informou que Sánchez avalia convocar eleições antecipadas. O premiê estaria observando a dimensão dos protestos antes de decidir. O gabinete do primeiro-ministro se recusou a comentar a possibilidade. Em Valência, manifestantes entraram em confronto com a polícia. As forças de segurança usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersá-los. Cerca de 30 manifestantes chegaram a entrar na Cidade das Artes e das Ciências. Eles foram posteriormente retirados pela polícia do complexo cultural. Em outras 50 cidades espanholas, manifestações ocorreram sem registros de confrontos. O movimento reúne organizações de inquilinos e grupos contrários aos custos elevados da moradia. Valeria Racu, do Sindicato dos Inquilinos, defendeu novas mobilizações. Segundo ela, uma greve geral poderá ser convocada após negociações com sindicatos. A crise habitacional amplia a pressão social e política sobre o governo Sánchez.
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