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domingo, 20 de setembro de 2026

EX-PRESIDENTE DO CHILE DESISTIU DA SECRETARIA-GERAL DA ONU


A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet desistiu ontem, 19, de sua candidatura à Secretaria-Geral da ONU; ela 
era apoiada pelo Brasil e pelo México, mas enfrentava dificuldades no processo de escolha. Em duas rodadas de consultas no Conselho de Segurança, sua candidatura apresentou desempenho desfavorável. Na mais recente votação secreta, ela recebeu apenas um apoio e três votos sem opinião. Outros 11 integrantes do Conselho manifestaram desencorajamento à sua candidatura. O Conselho de Segurança tem 15 membros, entre permanentes e não permanentes. Pelas regras da ONU, o candidato precisa ser aprovado pelo órgão sem veto dos cinco membros permanentes, que são Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China. Depois, o nome escolhido precisa ser submetido à Assembleia-Geral da organização. Segundo pessoas que acompanhavam o processo, Bachelet poderia enfrentar resistência dos Estados Unidos. Também havia possibilidade de oposição da China à candidatura da ex-presidente chilena. A resistência chinesa estaria relacionada a um relatório sobre violações de direitos humanos contra os uigures, documento produzido por Bachelet durante seu trabalho nas Nações Unidas. Ao anunciar sua desistência, Bachelet afirmou que não se arrepende de ter assumido o desafio e disse que sua candidatura buscou defender o multilateralismo e o direito internacional, destacando a defesa da democracia, dos direitos humanos e do combate às mudanças climáticas. Para Bachelet, esses princípios enfrentam atualmente fortes pressões no cenário internacional; ela afirmou que sua candidatura ajudou a colocar em debate a escolha de uma mulher latino-americana. Defendeu ainda que a próxima secretária-geral seja independente e fiel aos princípios da Carta da ONU. Bachelet agradeceu especialmente aos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Claudia Sheinbaum. Os dois líderes apoiaram sua candidatura desde o início do processo.

Ela também agradeceu aos chilenos e a pessoas de outros países que manifestaram apoio; após retirar sua candidatura, Bachelet disse que continuará atuando em questões internacionais. Entre suas prioridades, citou paz, segurança, desenvolvimento sustentável e direitos humanos.
Duas mulheres lideram atualmente a disputa pela Secretaria-Geral da ONU. Uma delas é Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica que também chefia a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. A outra é Carolyn Rodrigues Birkett, representante da Guiana na ONU. A escolha do próximo secretário-geral ainda dependerá das negociações entre os países-membros. 

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