Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, relatou a um interlocutor cobranças para realizar pagamentos ligados à compra do resort Tayayá, empreendimento do qual o ministro do STF Dias Toffoli era sócio por meio da empresa Maridt. Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do banqueiro indicam repasses que somaram R$ 35 milhões ao resort, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. O cunhado de Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel, atuava como operador financeiro e organizava os pagamentos. Em maio de 2024, o banqueiro cobrou solução para o aporte no fundo Tayayá e disse estar em “situação ruim”. Zettel apresentou uma lista para aprovação, com menção a “Tayaya - 15”, valor que a PF interpreta como R$ 15 milhões. Vorcaro determinou que tudo fosse pago no mesmo dia. Em agosto, voltou a questionar se o pagamento havia sido concluído. O cunhado afirmou ter transferido valores ao intermediário responsável pelo aporte final. Irritado, Vorcaro cobrou explicações sobre o destino do dinheiro. Zettel respondeu que os recursos estavam no fundo dono do Tayayá e que transferiria as cotas. Ao prestar contas, o pastor informou que já haviam sido pagos R$ 20 milhões anteriormente e mais R$ 15 milhões depois.
Relatório da PF também cita a advogada Roberta Rangel, ex-mulher de Toffoli, em diálogos com outros interlocutores. Há indícios de que ela teria atuado em assuntos jurídicos para o Banco Master quando ainda era casada com o ministro, embora não haja confirmação de contrato formal. Procurados, Vorcaro e a advogada não comentaram. Toffoli afirmou, por nota, que o negócio ocorreu antes de relatar processo envolvendo o banco, que não conhecia o gestor do fundo comprador e que não recebeu valores de Vorcaro nem de Zettel. Segundo o ministro, as operações foram declaradas à Receita Federal e realizadas a valor de mercado. O resort Tayayá, em Rio Claro (PR), tornou-se ponto central na saída de Toffoli da relatoria do caso Master. Em 2021, a Maridt Participações, empresa do ministro e de seus irmãos, vendeu metade da participação no empreendimento ao fundo Arleen por cerca de R$ 3 milhões. O Arleen integra cadeia de fundos apontada como ligada à estrutura financeira de Vorcaro, tendo Zettel como controlador. Em fevereiro do ano passado, a Maridt deixou definitivamente a sociedade, vendendo a parte restante ao empresário Paulo Humberto Barbosa. A empresa tem capital social de R$ 150 e inclui familiares do ministro em sua diretoria.
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