Nove ministros do Supremo Tribunal Federal e 12 parentes diretos são sócios de ao menos 31 empresas. Treze são escritórios ou institutos jurídicos e seis atuam no mercado imobiliário. O total pode ser maior por causa de sócios ocultos. É o caso de Dias Toffoli, ligado à Maridt, dona do resort Tayayá vendido a fundo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A Folha mapeou empresas em nome de ministros, filhos e cônjuges e achou três com indícios de ligação indireta. Também encontrou companhias em nome de ex-cônjuges com separação recente. A Lei Orgânica da Magistratura permite participação societária, mas proíbe gestão direta. Parentes não têm essa restrição legal. Em sessão, Alexandre de Moraes defendeu a legalidade e chamou críticas de má-fé. Toffoli ironizou dizendo que juízes não podem ser obrigados a renunciar heranças. Ministros não comentaram oficialmente; apenas dois familiares responderam. Apesar de legal, a participação pode gerar suspeição ou conflito de interesses. A relação de Toffoli com o Tayayá motivou seu afastamento de relatoria após investigação da PF. O ministro com mais empresas é Gilmar Mendes, sócio direto ou indireto de seis companhias, incluindo participações educacionais e agropecuárias. Cristiano Zanin e sua esposa possuem empresas patrimoniais e instituto de cursos. Kassio Nunes Marques participa de duas empresas administradas por familiares. André Mendonça é sócio de instituto de cursos após entrar no tribunal. Flávio Dino integra instituto jurídico criado no Maranhão. Luiz Fux e Edson Fachin não têm empresas próprias, mas filhos mantêm escritórios e companhias. Familiares de Moraes também possuem sociedades advocatícias e educacionais. Especialistas apontam que, embora permitido, o cenário mantém debate sobre imparcialidade judicial.
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