Donald Trump tem feito de Minnesota um alvo frequente de ataques verbais e políticos. O presidente já chamou o governador democrata Tim Walz de “incompetente” e fez declarações xenófobas contra a comunidade somali do estado, afirmando que imigrantes teriam “QI baixo” e “não contribuem com nada”. Especialistas apontam que a ofensiva é essencialmente política. Minnesota não está entre os estados com maior número de imigrantes em situação irregular: ocupa a 23ª posição no ranking nacional, com cerca de 130 mil pessoas, o equivalente a 2,2% da população, segundo o Pew Research Center. Mesmo assim, o estado foi alvo de uma operação com cerca de 2.000 agentes do ICE. Para o cientista político Pedro Santos, trata-se de uma “revanche política militarizada”, com Trump usando o estado como bode expiatório. As ações recentes do ICE têm se concentrado em estados governados por democratas. Para a socióloga Silvia Pedraza, o foco está sobretudo nas “cidades gêmeas” de Minneapolis e St. Paul, tradicionalmente progressistas e com forte presença de imigrantes.
Minnesota vota majoritariamente em democratas e rejeitou Trump nas eleições de 2016, 2020 e 2024. Walz, que poderia ter sido vice de Kamala Harris, apoiou protestos contra as operações federais —algo que, segundo analistas, pesa na retaliação presidencial. Desde dezembro, vídeos de detenções dentro de casas geraram protestos. Após mortes de dois cidadãos americanos, houve recuo parcial das ações, que continuam com táticas menos ostensivas. Trump também explora uma investigação bilionária de fraudes em programas públicos durante a pandemia, envolvendo empresários —alguns de origem somali— para generalizar acusações contra imigrantes. Autoridades locais afirmam colaborar com as investigações e criticam o uso político do caso. Além disso, políticas estaduais como aborto legal, maconha recreativa e programas de diversidade contrariam diretamente a agenda conservadora do presidente.
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