O socialista António José Seguro deve vencer as eleições presidenciais em Portugal, segundo pesquisas de boca de urna divulgadas após o fechamento das urnas. Projeção da Universidade Católica Portuguesa indica que Seguro obteve entre 68% e 73% dos votos válidos. O candidato derrotou com ampla margem André Ventura, do partido ultradireitista Chega, que ficou entre 27% e 32%. A vantagem chega a quase 40 pontos percentuais. A abstenção projetada varia de 42% a 48%, semelhante ao primeiro turno. Municípios afetados por chuvas, que votarão depois, representam menos de 1% do eleitorado. A apuração seguirá normalmente e Seguro deve discursar ainda nesta noite. A vitória surpreende porque, no primeiro turno, a direita somou mais votos que a esquerda. A explicação está na percepção do eleitorado de que a disputa opôs moderados e extremistas. Seguro foi visto como um socialista moderado, com discurso de estabilidade e previsibilidade. Ventura, com retórica radical, não conseguiu unir a direita.
Líderes da direita moderada, como o ex-premiê Aníbal Cavaco Silva, apoiaram Seguro no segundo turno. O presidente eleito é visto como alguém que evitaria dissolver o Parlamento, usando o recurso apenas em último caso. Especialistas apontam que ele dialoga bem com diferentes campos políticos. Seguro ganhou prestígio por sua atuação durante a crise do euro, quando apoiou a governabilidade. A postura ajudou Portugal a sair da crise, mas custou sua liderança no Partido Socialista. Na campanha, afirmou não se arrepender da decisão. A eleição também contrapôs discursos imediatistas e visões de longo prazo. Seguro destacou os avanços do país desde a Revolução dos Cravos. Portugal se modernizou, fortaleceu a democracia e aposta na moderação para enfrentar desafios sociais.
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