Pensar pode ser entendido como uma operação com signos —palavras, sons, imagens e símbolos—, ideia formulada pelo filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein nos anos 1930. Essa reflexão influenciou Alan Turing, que propôs o “jogo da imitação”: se uma máquina não puder ser distinguida de um humano numa conversa, ela estaria “pensando”. Wittgenstein via o pensamento como parte da experiência privada, um acontecimento da consciência, e não algo material. Seu objetivo não era mecanizar o humano, mas desfazer a mística em torno de conceitos como consciência. Turing, atento a essa visão, distinguiu a inteligência humana da inteligência de máquina, prevendo a dificuldade futura de diferenciá-las na prática. A inteligência artificial parte da ideia de que pode imitar o comportamento inteligente humano, ainda que seja distinta dele.
A IA simula o pensamento ao reproduzir, por aproximação, nosso jogo de signos. Alimentada por grandes volumes de textos, imagens e vídeos produzidos por humanos, ela aprende por meio do chamado aprendizado de máquina. No século 20, a IA teve êxito em tarefas lógicas, como xadrez. A partir dos anos 2010, com redes neurais, passou a imitar linguagem, imagens e sons com maior sofisticação. Mais do que tecnologia, a IA é um espelho ampliado da humanidade. Seu impacto dependerá de escolhas sociais: pode servir ao bem comum ou aprofundar desigualdades e fragilizar a crítica.
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