Por anos, Stephen Miller foi uma figura influente do conservadorismo no entorno de Donald Trump. Hoje, tornou-se um dos personagens mais polêmicos do governo americano. Arquiteto da agenda linha-dura de imigração, Miller ampliou sua influência no início acelerado do novo mandato de Trump, tanto na política interna quanto externa. Para a esquerda, porém, ele é um vilão político. Em Washington, cartazes o retratam como símbolo do fascismo. Democratas pedem sua renúncia, enquanto até republicanos questionam seu julgamento e eficácia. Miller enfrentou forte reação após acusar falsamente o enfermeiro Alex Pretti, morto por agentes de imigração em Minneapolis, de terrorismo. Vídeos contradisseram sua versão, forçando um raro recuo público. Mesmo assim, críticos o acusam de incentivar respostas violentas do ICE. Congressistas democratas afirmam que suas políticas colocam vidas em risco. Em maio, Miller pressionou por uma meta de 3.000 prisões diárias de imigrantes sem documentos, intensificando operações em grandes cidades. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, disse agir sob orientação direta dele e do presidente.
Pesquisas indicam queda na aprovação da política migratória: 58% dos americanos consideram excessivas as táticas do ICE. Isso coloca Miller no centro das críticas às vésperas das eleições legislativas. Ainda assim, ele segue como um sobrevivente político. Próximo de Trump desde 2016, permaneceu leal após a derrota de 2020 e no retorno ao poder. Hoje, Miller ocupa o cargo de chefe adjunto de gabinete para políticas públicas e atua também em temas de segurança e política externa, papel incomum, mas tolerado por Trump. Defensor do uso do poder americano no hemisfério ocidental, suas declarações sobre força militar e “civilização ocidental” geram desconforto até entre aliados. Apesar das acusações de racismo e etnonacionalismo, sua posição segue protegida pela confiança pessoal do presidente. Quando a era Trump terminar, dizem aliados, Miller estará entre os últimos a sair.
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