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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

INFLAÇÃO NA ARGENTINA

Inflação da Argentina fecha 2024 em 117,8%O Indec planejava estrear uma nova metodologia para calcular a inflação na Argentina, mas uma crise com o governo de Javier Milei suspendeu a mudança, levou à troca de comando e abriu uma crise interna no instituto. Ontem, 10, foi divulgado o IPC tradicional, com alta de 2,9% em janeiro, acima dos 2,8% de dezembro. Em 12 meses, a inflação acumulou 32,4%. A divulgação foi ofuscada pela suspensão da atualização da cesta de bens e serviços, baseada em pesquisa de 2017–2018. A metodologia atual usa dados de 2004. Em janeiro, alimentos e bebidas lideraram os aumentos (4,7%), puxados por carnes, verduras e legumes. Restaurantes e hotéis vieram em seguida (4,1%). Na Cidade de Buenos Aires, o índice local ficou em 3,1%, o maior desde março de 2025, influenciado por serviços ligados à temporada de verão. O novo IPC daria mais peso a habitação, energia, transporte e comunicações, e reduziria a participação de alimentos, bebidas, roupas e calçados. Também seria menos sensível ao câmbio e a preços internacionais.

A mudança foi suspensa uma semana antes da divulgação, levando à renúncia do diretor do Indec, Marco Lavagna, no cargo desde 2019. Houve tensão entre Lavagna e o ministro da Economia, Luis Caputo. Lavagna defendia a publicação do novo índice, enquanto Caputo e Milei preferiram manter o modelo atual. O governo argumenta que a pandemia alterou hábitos de consumo e que a mudança deve ocorrer após o fim do processo de desinflação. A atualização teria impacto direto em aluguéis, salários, aposentadorias e tarifas, atrelados ao IPC. Economistas criticaram a decisão e apontaram semelhanças com intervenções do passado. Até aliados de Milei, como Domingo Cavallo, questionaram a postura do governo. Apesar da desaceleração recente, a inflação segue sensível, agravada pela maxidesvalorização do peso no início do governo Milei. 

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