Um estudo comparativo sobre os salários do funcionalismo brasileiro, divulgado em novembro pelo Movimento Pessoas à Frente e pela República.org, analisou distorções remuneratórias no serviço público e reforçou críticas feitas pelo ministro Flávio Dino, do STF. Na quinta-feira, o ministro deu prazo de 60 dias para que os Três Poderes expliquem os “penduricalhos” que permitem ultrapassar o teto constitucional. Intitulado Benchmark internacional sobre teto salarial no setor público, o estudo comparou o Brasil com Alemanha, Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos, França, Itália, México, Portugal e Reino Unido. O levantamento destaca especialmente a situação do Judiciário brasileiro. Embora a remuneração inicial de magistrados no Brasil seja a quarta maior entre os países analisados, no topo da carreira os valores se distanciam muito. Juízes brasileiros chegam a ganhar seis vezes mais que autoridades máximas do Judiciário português e quatro vezes mais que ministros de cortes constitucionais da Alemanha, França, Argentina e EUA.
Entre agosto de 2024 e julho de 2025, quase 11 mil juízes brasileiros receberam mais de US$ 400 mil (PPP), valor superior ao pago a magistrados de sete dos dez países estudados. Em 2024, alguns juízes sem cargo receberam mais de US$ 1,3 milhão PPP, principalmente por pagamentos retroativos. O estudo conclui que altos salários existem em outros países, mas critica o modelo brasileiro, baseado na criação ilimitada de parcelas adicionais. Esses “penduricalhos”, como adicionais, gratificações e indenizações, passam a superar o salário principal e são, em geral, classificados como verbas indenizatórias, ficando fora do teto constitucional e sem incidência de impostos.
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