O líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou ontem, 13, que o regime cubano manteve contatos com o governo de Donald Trump, após meses de bloqueio de petróleo que agravaram a crise energética na ilha. Segundo Díaz-Canel, houve “intercâmbios entre autoridades dos dois governos”, em meio ao colapso energético causado pela falta de combustível. As negociações não são inéditas. Desde a Revolução Cubana de 1959, que derrubou o ditador Fulgencio Batista, aliado de Washington, governos dos dois países já mantiveram diálogos esporádicos. Apesar das tentativas de sucessivos presidentes americanos, o modelo político da ilha pouco mudou ao longo das décadas. Agora, porém, analistas afirmam que o momento pode ser mais favorável aos Estados Unidos, que intensificaram a pressão diplomática sobre Havana no segundo mandato de Trump. Nos EUA, a oposição democrata tenta limitar possíveis ações militares. O senador Tim Kaine apresentou proposta baseada na War Powers Act para impedir bloqueios navais ou ataques sem autorização do Congresso. Em Cuba, a crise econômica se arrasta há mais de cinco anos, marcada por escassez de remédios, falta de alimentos e apagões frequentes. A situação se agravou após aliados tradicionais enfrentarem seus próprios problemas. Irã e Rússia estão envolvidos em conflitos, enquanto a China evita confronto direto com Washington. Já a Venezuela, que por anos forneceu petróleo subsidiado à ilha, deixou de enviar combustível após a crise que levou à prisão do ditador Nicolás Maduro no início de janeiro. Pressionado pelos EUA, o México também suspendeu remessas de petróleo no fim de janeiro, acelerando a deterioração energética cubana.
Trump afirmou que deseja ajudar os cubanos e disse que o regime estaria próximo de negociar. Segundo o jornal USA Today, pessoas próximas ao governo americano indicam que um acordo econômico pode ser anunciado em breve. Entre as medidas discutidas estariam relaxamento de restrições de viagem e negociações nas áreas de portos, energia e turismo — iniciativas que não exigiriam aprovação do Congresso. A possível abertura divide opiniões entre exilados cubanos nos EUA. O ativista Ramón Saúl Sánchez, do Movimento Democracia, criticou a ideia e afirmou que ela pode salvar um regime que estaria enfraquecido. Analistas veem semelhanças com o que ocorreu recentemente na Venezuela, onde o poder permaneceu com aliados do regime, incluindo a vice-presidente Delcy Rodríguez. Para o analista político Brian Winter, editor da revista Americas Quarterly, Trump pode tentar promover uma transição econômica negociada em Cuba sem recorrer à intervenção militar. Ele afirma que Washington vê a ilha como questão estratégica, especialmente pela proximidade do regime cubano com China e Rússia. Especialistas também apontam desafios internos para qualquer mudança, como a presença ainda influente de Raúl Castro, irmão de Fidel Castro. Além disso, cresce na ilha um debate sobre as causas da crise. Enquanto parte da população culpa o governo cubano, outros apontam o impacto das sanções americanas. Para a historiadora Sara Kozameh, da University of California, San Diego, as pressões dos EUA podem reforçar o nacionalismo entre os cubanos. Segundo ela, muitos jovens passaram a associar as dificuldades econômicas não apenas ao regime, mas também às sanções impostas por Washington.
A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu, na manhã de ontem, 14, um advogado de 53 anos suspeito de se passar por delegado para enganar, dopar e estuprar uma jovem de 23 anos com a promessa de um emprego.
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O STF (Supremo Tribunal Federal) publicou ontem, 13, decisão da ministra Cármen Lúcia que considera inconstitucional a flexibilização legal que permitia a realização de eventos sem limite de barulho na cidade de São Paulo. Com isso, deixam de ter validade jurídica futuras permissões especiais de ruído para festividades religiosas, shows, eventos esportivos, ensaios de Carnaval, festas juninas e atividades em instituições de ensino incluídas por emenda parlamentar. A decisão responde a recursos apresentados pela Câmara Municipal de São Paulo e pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que haviam aprovado as liberações em um projeto de lei de 2024. O texto original tratava de alterações no Plano Diretor e na Lei de Zoneamento da capital paulista. A Câmara informou que ainda não foi oficialmente intimada e que a Procuradoria da Casa irá analisar o teor da decisão. A prefeitura não comentou o caso até a publicação do texto.