O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconsiderou decisão anterior e negou a visita do conselheiro do presidente americano Donald Trump, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O magistrado levou em conta manifestação do chanceler Mauro Vieira, do Ministério das Relações Exteriores, enviada ao STF. Segundo o ministro, a visita poderia configurar “indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”. Inicialmente, Moraes havia autorizado o encontro, mas a defesa de Bolsonaro pediu a alteração da data da visita. Vieira informou que autoridades americanas haviam solicitado apenas duas reuniões no Itamaraty, ambas pedidas na quarta-feira (11), e que nenhum dos encontros está confirmado. Ele também afirmou que, até então, não havia agenda diplomática registrada envolvendo Beattie no ministério. Segundo o chanceler, o pedido de visita a Bolsonaro não se enquadra nos objetivos comunicados oficialmente pelo Departamento de Estado dos EUA.
Na nova decisão, Moraes afirmou que a visita “não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro”. O ministro acrescentou que o encontro também não foi previamente comunicado às autoridades diplomáticas brasileiras, o que poderia levar à reanálise do visto concedido ao americano. Beattie é crítico do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do próprio Moraes. Ele já classificou o ministro como “principal arquiteto do complexo de censura e perseguição” contra Bolsonaro. O conselheiro de Trump deve passar por São Paulo e Brasília para entender o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro. Segundo apuração, ele também pretende se reunir com o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência. A agenda inclui discussões sobre decisões judiciais que determinaram bloqueios de perfis em redes sociais nos inquéritos sobre fake news e milícias digitais, relatados por Moraes no STF. Beattie ainda deve manter encontros no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que a partir de junho terá Kássio Nunes Marques na presidência e André Mendonça na vice.
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