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sábado, 11 de julho de 2026

SAIU NA FOLHA DE SÃO PAULO

Thomas L. Friedman

Editorialista de política internacional do New York Times desde 1995, foi ganhador do prêmio Pulitzer em três oportunidades

SALVAR ARTIGOS

Thomas L. Friedman

Trump está passando os EUA para trás

  • Presidente vem explorando posição para ganho financeiro e lesa apoiadores com criptomoedas
  • Caso vençam as midterms, democratas devem fazer da união nacional uma prioridade

 


THE NEW YORK TIMES

Quando o sol brilhava, e eu passeava
E os campos de trigo ondulavam, e as nuvens de poeira rolavam
Enquanto a neblina se dissipava, uma voz cantava:
Esta terra foi feita para você e para mim.

Woody Guthrie, em "This Land Is Your Land"

Nosso país é construído sobre documentos escritos —a Declaração de Independência, a Constituição e a Carta de Direitos, para citar os mais importantes. Então, para celebrar o 250º aniversário dos Estados Unidos, minha esposa, Ann, organizou um evento especial no Planet Word, o museu imersivo de linguagem que ela fundou em Washington para promover a alfabetização.

Homem de terno azul escuro e gravata azul está parado entre colunas brancas altas, com arbustos verdes ao redor. Ele olha para frente com expressão neutra.
O presidente dos EUA, Donald Trump, chega para um evento no Jardim das Rosas da Casa Branca -  Mandel Ngan - 6.jul.26/AFP

O cantor e compositor Nolan Williams Jr. puxou um coro junto com clássicas canções americanas, incluindo, é claro, "This Land Is Your Land", de Woody Guthrie. Apesar do calor de quase 38°C, uma multidão notavelmente diversa de 300 pessoas lotou o salão principal do museu, e jovens e idosos cantaram juntos com entusiasmo.

Havia tanta alegria e camaradagem no ambiente —e tantos participantes saindo e dizendo uns aos outros o quanto gostariam que o país inteiro pudesse refletir essa mesma harmonia todos os dias. Tantas pessoas perguntaram depois: "Por que não estamos cantando essas músicas juntos no National Mall?"

O que me leva —lamento dizer— a uma variação bem diferente de "This Land Is Your Land" ouvida no National Mall mais tarde naquela noite. Na minha cabeça, era a versão Trump, com letras que diziam: "Esta terra é minha terra, esta terra é minha terra / Da Califórnia à ilha de Nova York / Da minha criptomoeda ao 747 do Qatar / Esta terra pertence a mim e aos meus".

Uma coisa sobre o presidente Donald Trump: ele é consistente. Ele nunca te surpreende positivamente. Ele nunca esteve remotamente interessado em ser o presidente de todo o povo, apenas de sua base. Ele nunca tenta vencer somando, apenas dividindo —apenas por nós contra eles.

Como meu colega de redação Shawn McCreesh relatou do Mall: "Trump usou o aniversário da nação para espalhar medo sobre os democratas quatro meses antes das eleições de meio de mandato (ele falou muito novamente sobre 'comunismo') e exigir que o Congresso aprovasse uma lei que dificultaria o voto".

Shawn continuou: "O que deveria ser a peça central da celebração do 250º aniversário da nação foi, de certa forma, apenas mais um comício de Trump".

Neste mesmo 4 de Julho, dois outros colegas de redação, Eric Lipton e David Yaffe-Bellany, relataram que quase "1 milhão de pessoas que compraram a memecoin do presidente Trump perderam dinheiro até o final de junho, de acordo com um relatório da empresa de análise de criptomoedas Nansen. Suas perdas totalizam US$ 3,81 bilhões".

Meus colegas apontaram que o cálculo veio depois que Trump assinou uma declaração financeira revelando que a mesma aposta em cripto lhe rendeu um pagamento de US$ 636 milhões. No total, seus empreendimentos comerciais lhe renderam pelo menos US$ 2,2 bilhões em 2025.

Esta é uma grande história, e meu instinto me diz que Trump também sente que isso pode ser uma grande história: de como ele passou para trás seus próprios apoiadores!

Desde o início do segundo mandato de Trump, tem sido amplamente noticiado que ele vem explorando a Presidência para ganho financeiro, mas a história precisava de um número real e vítimas reais. Agora tem ambos —US$ 2,2 bilhões em ganhos totais para Trump e pelo menos US$ 3,81 bilhões em perdas para seus investidores.

Isso é um slogan de campanha. Trump sabidamente se gabou de que poderia atirar em alguém no meio da Quinta Avenida e seus apoiadores ainda estariam com ele. Eles também continuarão com ele quando ele os lesar?

E, não tenha dúvida, ele estava mirando neles, como o New York Times também relatou: "Três dias antes de sua posse, Trump revelou um segundo investimento da marca Trump —a memecoin $Trump, um tipo de moeda comemorativa com pouco valor prático. 'É hora de celebrar tudo o que defendemos: VENCER!', Trump escreveu nas redes sociais. 'Junte-se à minha comunidade Trump muito especial. PEGUE SEU $TRUMP AGORA!' Mas isso acabou sendo um mau conselho".

Trump certamente está apavorado com a possibilidade de os democratas ganharem a Câmara ou o Senado ou ambos e lançarem investigações sobre o quanto ele usou seu cargo, e explorou seus próprios apoiadores, para ganho pessoal grotesco.

Portanto, na minha opinião, os temas certos para os democratas nas midterms são dois: se vencerem, vão expor o quanto Trump tem lesado seus próprios apoiadores; e se vencerem, farão da união do país uma prioridade.

Acredito que a busca pela unidade nacional é a força política mais subestimada no país hoje. Não é por acaso que a CNN relatou no mês passado que "quase metade dos americanos dizem que não se consideram parte de nenhum dos dois principais partidos políticos, o maior nível de independência partidária medido pelas pesquisas da CNN em mais de uma década".

Tenho certeza de que isso é verdade porque ouvi o melhor analista político que conheço fazer a mesma observação. Seu nome é Barack Obama. O que me leva a uma terceira variação de "This Land Is Your Land". Foi o discurso de Obama na cerimônia de inauguração de seu Centro Presidencial em Chicago, à qual compareci. Minha passagem favorita de Obama foi esta:

"À medida que os algoritmos continuam nos alimentando com um fluxo constante de distração e indignação, à medida que apenas as vozes mais altas e mais extremas recebem atenção, alimentando nossos preconceitos, apelando para nossos instintos mais básicos e tribais, é tentador ceder ao cinismo e até ao desespero, parar de tentar", disse o ex-presidente.

"Começamos a pensar que apelos à democracia e à participação cívica são bregas, antiquados, chatos e ingênuos, que a própria ideia de trabalhar em prol do bem comum é uma aposta de otário, e que para ganharmos, alguém tem que perder", continuou.

"Eu entendo. Não sou imune à raiva ou à dúvida, mas sei disso: quando perdemos a fé uns nos outros, quando paramos de acreditar que votar importa, que a cidadania importa, que nossas vozes coletivas importam, que como tratamos uns aos outros não importa mais, e entregamos nosso poder de decidir nossos próprios futuros, abrimos a porta para os mais implacáveis, ou os mais descuidados, ou os mais temerosos entre nós, que veem alguns grupos e algumas pessoas como mais iguais que outros, e veem o governo como nada mais do que uma forma de dividir os despojos e punir inimigos e manter aqueles que são diferentes em seu lugar."

O fato é, porém, como Obama disse, "não acredito que essa seja a história da América que prevalece no final. (… ) Continuo convencido de que a esmagadora maioria dos americanos não está procurando raiva e divisão perpétuas. Eles estão procurando justiça e bom senso e respeito mútuo, que no fundo de nosso ser queremos encontrar uma maneira de nos voltarmos uns para os outros novamente, não mais para longe".

Então, democratas, vocês têm sua missão. É não deixar Trump atraí-los para uma raiva cega e ideias extremistas. Ele se alimenta disso. Apenas foquem em quanto ele tem lesado todos nós enquanto nos divide. E em quanto os democratas pretendem unir o país inteiro.

Porque esta terra foi feita para você, e para mim.

RADAR JUDICIAL


LÍDER DO IRÃ PROMETE VINGANÇA CONTRA TRUMP

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou neste sábado (11) que a vingança pela morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, é uma exigência do povo iraniano. Em mensagem publicada no X, prometeu que os responsáveis pelo ataque dos EUA "não terão uma morte tranquila". Mojtaba ainda não apareceu em público desde o início dos bombardeios e, segundo agências iranianas, ficou com o rosto desfigurado. A declaração amplia a tensão entre Teerã e Washington. Na sexta-feira (10), Donald Trump ameaçou destruir o Irã caso o país tente assassiná-lo. Durante o funeral de Ali Khamenei, apoiadores iranianos entoaram palavras de ordem contra Trump. O Irã também afirmou que não retomará negociações enquanto os EUA não cumprirem compromissos sobre o Líbano, o Estreito de Ormuz e a normalização das exportações de petróleo. Segundo Teerã, não há disposição para negociar antes de uma mudança de postura de Washington.


CHINA PLANTOU 66 BILHÕES DE ÁRVORES

A China plantou cerca de 66 bilhões de árvores desde 1978 no projeto Grande Muralha Verde, criado para conter o avanço dos desertos de Gobi e Taclamacã. A iniciativa elevou a cobertura florestal de 5% para 14% até 2023, reduzindo tempestades de poeira e melhorando a qualidade do ar. Um estudo mostra que florestas plantadas ampliam sua cobertura de folhas 66% mais rápido que as naturais, favorecidas pelo manejo intensivo e por espécies de rápido crescimento. Mesmo comparadas a florestas naturais semelhantes, cresceram 4,6% mais. A vantagem, porém, diminui após 30 a 40 anos. Já as florestas naturais armazenam carbono de forma mais estável e são mais resilientes no longo prazo. Pesquisadores alertam que modelos climáticos precisam diferenciar florestas plantadas e naturais. Apesar de críticas ao estudo, o reflorestamento chinês já funciona como importante sumidouro de carbono e reforça a necessidade de estratégias de plantio mais eficientes.



COMO NASCE UMA ESTRELA

Pela primeira vez, cientistas observaram um fenômeno que enfraquece o campo magnético de um "berçário estelar", permitindo o colapso que dá origem às estrelas. A descoberta foi publicada na revista Astronomy & Astrophysics por pesquisadores da Universidade de Kyushu e do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre. O estudo analisou o núcleo pré-estelar L1544, na nuvem molecular de Touro, usando o radiotelescópio de 30 metros do IRAM. Para investigar regiões muito frias, os cientistas utilizaram o íon diazenílio-d1 (N2D+) e a molécula amônia para-monodeuterada (para-NH2D). As observações revelaram uma diferença de velocidade de cerca de 0,05 km/s entre íons e partículas neutras, evidenciando a chamada difusão ambipolar. Nesse processo, as partículas neutras se desprendem do campo magnético e são atraídas pela gravidade, enquanto os íons permanecem presos ao campo. Com o enfraquecimento gradual do magnetismo, a gravidade passa a dominar, provocando o colapso do núcleo e o nascimento de uma protoestrela. Os pesquisadores pretendem confirmar o fenômeno em outros núcleos pré-estelares, ampliando o entendimento sobre a formação de estrelas e a origem dos sistemas planetários.

TRUMP DIZ: " MIL MÍSSEIS ESTÃO PRONTOS E CARREGADOS

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os militares americanos estão prontos para atacar o Irã caso Teerã tente assassiná-lo. Em publicação nas redes sociais, disse que "mil mísseis estão prontos e carregados", com milhares de outros em seguida. Segundo Trump, as ordens já foram dadas e as Forças Armadas poderiam "destruir completamente" áreas do Irã por até um ano, com possibilidade de prorrogação. A mensagem termina com a expressão "Louvado seja Alá". A declaração foi feita após apoiadores iranianos pedirem sua morte durante o funeral de Ali Khamenei. Dias antes, o Wall Street Journal informou que Israel compartilhou com Washington inteligência sobre um suposto novo plano iraniano para matar Trump. O Irã promete vingança desde a morte do general Qassem Soleimani, em 2020, e nega envolvimento em conspirações contra o presidente americano.

AUXÍLIO-REFEIÇÃO DURANTE AS AS FÉRIAS 

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, acionou o STF para contestar decisão da Justiça gaúcha que garantiu aos servidores estaduais o auxílio-refeição durante as férias e sua inclusão no cálculo do terço constitucional. A ação foi distribuída à ministra Cármen Lúcia. Leite sustenta que a decisão contraria a legislação estadual e entendimento consolidado da Justiça local. Segundo o governo, o auxílio-refeição tem caráter indenizatório e só é devido durante o efetivo exercício do cargo. O Executivo afirma que a medida pode gerar impacto de R$ 266 milhões aos cofres estaduais, sem contar valores retroativos e despesas futuras. O governador destaca que o estado está no Regime de Recuperação Fiscal e que a decisão compromete o planejamento financeiro. Em liminar, pede a suspensão dos efeitos da decisão e das ações judiciais sobre o tema. No mérito, solicita que o STF exclua o auxílio-refeição da base de cálculo das férias e do terço constitucional dos servidores civis e militares estaduais. 

ASSOCIAÇÃO DE FUTEBOL ARGENTINA SOB INVESTIGAÇÃO

A Associação de Futebol Argentino (AFA) é investigada pelo FBI por suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro envolvendo o sistema financeiro dos EUA. A apuração busca esclarecer como a entidade movimentou milhões de dólares por bancos americanos e se houve violação da legislação local. O empresário Guillermo Tofoni já prestou informações aos investigadores. Um dos focos é a empresa TourProdEnter LLC, de Javier Faroni, que recebeu pagamentos de contratos internacionais da AFA. Segundo o jornal La Nación, a empresa movimentou US$ 260 milhões, dos quais apenas parte teve destino comprovado. Cerca de US$ 57 milhões foram transferidos para empresas e pessoas sem justificativa econômica aparente. O Departamento de Justiça dos EUA também avalia ouvir ex-integrantes do governo de Javier Milei que tiveram acesso a informações sobre a entidade. Dirigentes da AFA, entre eles Claudio Tapia e Pablo Toviggino, podem ser chamados a prestar esclarecimentos.

Santana, 11 de julho de 2026

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

BILIONÁRIOS NÃO PAGAM IMPOSTO DE RENDA


O economista Gabriel Zucman, professor da Escola de Economia de Paris e da Universidade da Califórnia em Berkeley, defende que é preciso enfrentar a concentração de riqueza dos bilionários para proteger a democracia. Em seu novo livro, "Os Bilionários Não Pagam Imposto de Renda e Nós Vamos Acabar com Isso", ele afirma que os super-ricos pagam proporcionalmente menos impostos que a população em geral. 
Segundo seus estudos, na França a carga tributária média é de 51%, mas os bilionários pagam cerca de 25%. No Brasil, a média é de 42,5%, enquanto os mais ricos recolhem apenas 20%. Isso ocorre porque grande parte de sua riqueza está em empresas, permitindo benefícios fiscais e adiamento da tributação. Como solução, Zucman propõe um imposto mínimo de 2% sobre o patrimônio dos muito ricos, funcionando como um piso tributário. A medida reduziria a evasão fiscal, por incidir sobre a riqueza e não apenas sobre a renda.

No Brasil, onde metade do patrimônio é composta por imóveis e ativos pouco transferíveis ao exterior, o economista considera difícil escapar dessa tributação. Pelos seus cálculos, a medida arrecadaria cerca de R$ 30 bilhões por ano, ajudando a reduzir o déficit fiscal. Para Zucman, porém, o principal objetivo não é apenas aumentar a arrecadação, mas limitar o acúmulo excessivo de riqueza e poder. Ele argumenta que fortunas bilionárias permitem influenciar a mídia, os mercados, eleições e políticas públicas, ameaçando o equilíbrio democrático. O economista estima que o Brasil tenha cerca de 70 bilionários e aproximadamente 1.400 pessoas com patrimônio superior a US$ 100 milhões. Questionado se os próprios bilionários poderiam apoiar a proposta, respondeu que o tema deve ser decidido pela sociedade, por meio do debate democrático e do voto.

UCRANIA X RÚSSIA


A guerra entre Ucrânia e Rússia, desencadeada pela agressão sem motivação, da Rússia, prossegue e os ucranianos têm obtido significativas vitórias com os ataques direcionados para as bases militares, os depósitos de munição e combustível, as refinarias de petróleo, os centros de comando e comunicações, a infraestrutura logística que abastece as tropas e os aeroportos e instalações militares na Crimeia, área anexada pelos russos. Nesse cenário, Kiev serve-se de drones de longo alcance, além de mísseis; os drones são usados para atingir alvos, incluindo regiões próximas à Moscou, bem distante de onde são lançados. As últimas incursões aconteceram no terminal petrolífero de São Petersburgo, além de refinarias de petróleo e uma fábrica de componentes para mísseis, na região de Penza. De grande significado tem sido o uso dos drones para atingir pontos mais distantes.

O objetivo dos ucranianos situa-se em dificultar o abastecimentos das tropas russas, aumentando o custo econômico da guerra, já sentida por Vladimir Putin. Segundo informações de Kiev, a capacidade de combustíveis da Rússia, em algumas regiões, estão comprometidas em pouco mais de 40%. Putin responde com bombardeios contra cidades ucranianas, inclusive contra a capital, Kiev; alega o dirigente russo que os ataques servem-se para retaliar as ofensivas ucranianas contra seu país. Recentemente, Putin, em conversa telefônica, discutiu por mais de uma hora com o presidente Donald Trump e tratou fundamentalmente sobre a guerra com a Ucrânia. O presidente americano disse de sua "disposição de contribuir para um fim rápido das hostilidades e para a busca de soluções que superem a crise". Donald Trump anuncia que está perto de conseguir acordo entre os líderes russo e ucraniano, mas não merece fé as declarações de Trump.      

No início deste mês, a Rússia realizou intensos ataques aéreos contra Kiev, matando 30 ucranianos. A resposta de Kiev situa-se na intensidade do uso dos drones, atingindo até mesmo a capital. A conversação entre as lideranças dos dois países não tem sido seguida de descontinuidade nos ataques, apesar das afirmações do presidente Donald Trump de que a guerra está no final. Em Ancara, na cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte, o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha garantiu apoio contínuo à defesa da Ucrânia, em demonstração inequívoca de que a Europa apoia a luta de defesa empreendida por Kiev.  

Santana, 11 de julho de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.


EUA DIVULGAM NOVOS DOCUMENTOS SOBRE OBJETOS NÃO IDENTIFICADOS


O governo de Donald Trump divulgou ontem, 10 novo lote de arquivos sobre fenômenos aéreos não identificados (UAPs), como parte da política de retirada de sigilo de documentos históricos sobre o tema. O pacote reúne 40 arquivos inéditos: 14 documentos, 19 vídeos, quatro áudios e três imagens produzidos pelo Pentágono, CIA, FBI, Nasa e Departamento de Energia. Entre os registros estão imagens feitas por astronautas do ônibus espacial Columbia, entre novembro e dezembro de 1996, mostrando um objeto próximo à Terra em diferentes posições e movimentos. Também foi divulgado o depoimento de um aviador militar que relatou ter visto, durante um voo de treinamento, um objeto com características de deslocamento incompatíveis com aeronaves conhecidas. O material inclui ainda gravações de sensores infravermelhos e relatórios de ocorrências investigadas pelas Forças Armadas ao longo das últimas décadas.

Segundo o governo, a abertura dos arquivos busca ampliar a transparência das investigações conduzidas por agências federais. Em fevereiro, Trump determinou que órgãos de segurança e inteligência identificassem documentos passíveis de desclassificação e os reunissem em um portal público. Apesar da divulgação, as autoridades ressaltam que os arquivos não comprovam a existência de vida extraterrestre. Os casos continuam classificados como "não identificados" porque os dados disponíveis não permitem determinar sua origem. Nos últimos anos, os EUA passaram a tratar os UAPs como uma possível questão de segurança nacional, investigando se alguns fenômenos podem estar ligados a tecnologias de países rivais, falhas de sensores ou eventos atmosféricos ainda sem explicação.

CATAR PROMOVE MEDIAÇÃO NA GUERRA ENTRE IRÃ E EUA


O Catar intensificou a mediação para evitar uma escalada do conflito entre Irã e Estados Unidos, enviando representantes a Teerã e mantendo diálogo com Washington. Apesar disso, o presidente Donald Trump afirmou que o cessar-fogo chegou ao fim e disse que o Irã pediu a continuidade das conversas. Teerã negou ter solicitado negociações, afirmando apenas que recebeu mediadores catarianos. 
Enquanto isso, iranianos visitaram o túmulo do aiatolá Ali Khamenei, morto em ataque israelo-americano. Os confrontos foram retomados após o rompimento da trégua firmada em junho, e o chanceler Abbas Araghchi viajará a Omã para discutir a situação do Estreito de Ormuz.

Os EUA também ampliaram sanções contra o banqueiro Ali Ansari, acusado de financiar a liderança iraniana. Especialistas avaliam que nenhum dos lados deseja uma guerra em larga escala. Segundo Uri Bar-Joseph, EUA e Irã enfrentam limitações políticas, econômicas e militares, tornando improvável uma escalada prolongada. Alon Ben-Meir afirma que Trump busca evitar impactos eleitorais e conter a inflação, enquanto o Irã, com a economia fragilizada, tenta fortalecer sua posição antes de negociar. Para ele, ambos têm interesse em encerrar rapidamente a troca de ataques. Trump também pretende garantir a reabertura do Estreito de Ormuz, enquanto Teerã condiciona um acordo ao alívio das sanções e ao desbloqueio de ativos financeiros. 

PREVENTIVA SÓ MEDIANTE PEDIDO DO MINISTÉRIO PÚBLICO


O Código de Processo Penal, após as mudanças do pacote anticrime (Lei 13.964/2019), determina que a prisão preventiva só pode ser decretada mediante pedido do Ministério Público, do querelante, do assistente de acusação ou por representação da autoridade policial. A nova regra impede que o juiz mantenha ou decrete prisão cautelar de ofício quando o próprio MP pede a liberdade provisória. Com base nesse entendimento, a juíza Gisele Vieira de Resende, da Central Especializada das Garantias do Recife, mandou soltar um motorista de aplicativo preso em flagrante por lesão corporal grave e dano qualificado. A prisão foi substituída por medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.

O investigado havia tido a prisão mantida na audiência de custódia, mas o Ministério Público posteriormente defendeu sua soltura por considerar frágeis os fundamentos da prisão. A defesa também requereu a liberdade provisória. Na decisão, a magistrada destacou que o pacote anticrime reforçou o sistema acusatório, que separa as funções de acusar, defender e julgar, impedindo a atuação de ofício do juiz em medidas excepcionais como a prisão preventiva. Segundo ela, manter a prisão diante de manifestação favorável do MP à liberdade equivaleria a decretar uma nova prisão de ofício, prática vedada pela legislação vigente. Por isso, concedeu a liberdade provisória, condicionada ao cumprimento das medidas cautelares.