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quarta-feira, 8 de julho de 2026

DUAS EM CADA TRÊS MULHERES SOFRERAM VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM 2024


Duas em cada três mulheres atendidas na rede de saúde após sofrerem violência doméstica em 2024 já haviam sido agredidas anteriormente, segundo o Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Com base em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), o estudo mostra que a reincidência ocorreu em 66,2% dos casos com resposta válida. Das 186.177 mulheres atendidas, cerca de 100,8 mil relataram agressões anteriores, o equivalente a aproximadamente 276 vítimas por diaOutras 51,4 mil mulheres (33,8%) informaram que aquele foi o primeiro episódio de violência, enquanto 33,8 mil registros não continham essa informação. Segundo os pesquisadores, os dados revelam que a violência doméstica costuma ser repetitiva, mantendo muitas vítimas expostas por longos períodos antes de buscarem ajuda. Para a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, romper esse ciclo é um dos principais desafios, já que as agressões ocorrem, em grande parte, dentro de relações familiares e afetivas.

O Atlas ressalta que os números representam apenas parte da realidade, pois muitas vítimas deixam de procurar atendimento ou denunciar os agressores por medo, dependência financeira ou dificuldades de acesso à rede de proteção. O governo federal anunciou medidas para reforçar o combate à violência de gênero, incluindo ações do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, a criação do Cadastro Nacional de Agressores, ampliação do afastamento imediato do agressor e redução da burocracia para concessão de medidas protetivas. O estudo reforça a necessidade de fortalecer a prevenção e a rede de acolhimento para interromper o ciclo da violência. 

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