Nesse mês que terminou, agosto, mais de 119 mil leitores acompanharam nosso blog, derrubando números anteriores, 111 mil em maio. É motivo de alegria, seguido de responsabilidade na escolha das matérias que prestam para informar bem o leitor no Brasil e em vários países. São pessoas do Brasil, dos Estados Unidos, de Singapura, da Alemanha, de Israel, Hong Kong, Vietnã, Suécia, México, Argentina, Equador, Irã, Indonésia, Áustria, Rússia e de muitos outros países. Em abril/2014, poucos meses depois de nossa aposentadoria, instalamos o Blog que, sem interrupção, prossegue até o presente. É certo que, no primeiro momento, entre abril/2014 e dezembro/2014, o número de leitores era pequeno, bem diferente dos mais de 100 mil atuais.
Aproveito dessa oportunidade para apresentar uma das publicações, mostrando uma das primeiras comarcas que visitamos, na condição de corregedor. Trata-se da antiga comarca de Pau Brasil, infelizmente, desativada. Na época, a comarca de Pau Brasil era representada pelos servidores abaixo. Com a continuidade, exibiremos outras comarcas visitadas na nossa gestão de corregedor.
Essa foto, março/2013, retrata o motivo da falência da Justiça na Bahia e a verdadeira escravidão na qual trabalhavam os servidores. Nada mudou.
O quadro de servidores conta com:
05 servidores para todos os Cartórios: Feitos Cíveis; Feitos Criminais; Cartório do Registro de Imóveis; Cartório do Registro Civil; e Tabelionato de Notas.
Deveria ter 46 servidores, tem 05. Não é situação isolada.
A deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez pediu que o governo de Donald Trump explique os motivos da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, em vigor desde 6 de agosto. No mês passado, Trump decretou Emergência Nacional e alegou que a alíquota extra responde a ameaças à segurança nacional dos EUA. O questionamento de AOC foi feito por meio de uma emenda ao projeto de lei do Orçamento de Defesa, ainda em tramitação. Na proposta, ela exige que o Departamento de Defesa apresente relatório detalhando políticas brasileiras que constituam ameaça “incomum e extraordinária” à segurança, política externa e economia dos EUA. A parlamentar também pediu avaliação sobre o impacto das tarifas nas relações bilaterais.
O tarifaço não atinge todos os produtos. Foram excluídos 694 itens, o que equivale a 43% das exportações brasileiras em 2024. Estão isentos, por exemplo, suco de laranja, derivados de petróleo e produtos de aviação civil. Segundo o governo brasileiro, a tarifa afeta 36% das exportações aos EUA, incluindo máquinas agrícolas, carnes e café. O Orçamento da Defesa já soma 985 propostas de emenda, e a de AOC pode não ter apoio suficiente, pois os democratas são minoria no Congresso. Trump também relacionou a sobretaxa ao julgamento de Jair Bolsonaro no STF, em ação sobre tentativa de golpe de Estado.
O STF está em completo desalinho com os tribunais de outros países. Bem verdade, que, no Brasil, a Corte funciona como instância recursal e julga em torno de 10 mil processos por ano; em boa parte de outros países, a Corte atua somente em temas constitucionais e direitos fundamentais. É o caso do Tribunal Constitucional da Alemanha que julga 100 processos por ano ou da Suprema Corte dos Estados Unidos que decide 80 processos. Por outro lado, os ministros brasileiros dispõem de um mínimo de quatro assessores jurídicos, além de juízes auxiliares, estes escolhidos nas faculdades de direito do país, e estagiários. Há nos Estados Unidos o costume de que um ministro não identificado pode escrever e publicar decisão em nome de todos. Em 2024/2025, a Suprema Corte publicou decisões somente em 67 processos, importando esse número em que cinco ministros escreveram sete votos vencedores e quatro escreveram oito votos, além de votos vencidos e votos de acordo com todos.
Diferente é o número de processos nos 13 tribunais federais de recurso, que julgam em torno de 300 por ano, enquanto os juízes federais de primeira instância chegam a julgar a média de 500 processos por ano. No âmbito estadual, a carga é maior e os juízes julgam em média mil processos por ano. Os ministros da Suprema Corte tem duas atividades comuns, consistentes em audiência de sustentação oral e participação em conferência para decidir nos certiorari, que são ordens da corte para um tribunal inferior mandar subir processo em reexame. Os pedidos de certiorari são, normalmente, estudados pelas equipes jurídicas; em dois anos foram 97% os pedidos de certiorari rejeitados, sem necessidade de apreciação dos ministros. As petições de amicus curiae, ou seja amigos da corte, são selecionadas pelos ministros sobre as que devem ser submetidas ao magistrado. Os ministros são auxiliados por advogados, professores e profissionais do Direito, visando firmar seu entendimento no caso. Além do pequeno número de processos decididos pelos ministros da Suprema Corte, eles entram de férias em 1º de julho e só retornam na primeira segunda-feira do mês de outubro, portanto quase 100 dias de férias.
Os salários dos ministros e juízes situam-se entre US$ 303.600 para os ministros da Suprema Corte por ano e US$ 247.400, por ano, para juízes de primeiro grau. O presidente da Suprema Corte percebe US$ 317.500 por ano, equivalente a US$ 26.458, por mês, ou seja em torno de R$ 150 mil por mês. Os juízes de primeiro grau recebem US$ 247.400 por ano, US$ 20.616 por mês, ou seja, em torno de R$ 115 mil por mês. Diferente é o cenário no Brasil, onde o STF julga mais de 10 mil processos por ano e os ministros, apesar das regalias, que também acontecem nos Estados Unidos, não ganham os valores embolsados pelos magistrados americanos, apesar de por aqui trabalharem e produzirem infinitamente mais que os americanos. Esse cenário mostra a folga dos membros da Suprema Corte, os altos salários, correspondentes a mais de quatro vezes os ganhos dos ministros brasileiros. Junto a isso, o fato de pouco trabalho e escolha do que querem julgar. A leveza da atividade na Suprema Corte, juntamente com a grandiosidade dos altos salários, contrapõe-se com a atividade dos magistrados brasileiros e ganhos bem menores.
Os Estados Unidos combinou com Israel para construir um paraíso turístico, denominado de Riviera do Oriente Médio, na terra arrasadas pelos israelenses, deixando mais de 60 mil palestinos mortos, incluindo 20 mil crianças. Isso conta em relatório de 38 páginas, obtido pelo Washington Post, onde detalha os planos de Donald Trump para o pós-guerra em Gaza. O projeto foi denominado de GREAT, prevê transformar o enclave em um “protetorado” administrado pelos EUA por 10 anos. Para desalojar os palestinos, os Estados Unidos pagam US$ 5 mil, mais subsídios de alimentação e aluguel por quatro anos. A população seria incentivada a migrar para outros países ou áreas controladas por Washington. Além de resorts, o plano prevê polos de tecnologia e indústrias de ponta em Gaza. O projeto tem participação de israelenses ligados à Fundação Humanitária de Gaza (GHF). O Boston Consulting Group ficaria responsável pelo planejamento financeiro.
Para o embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, trata-se de “roubo” e colonialismo disfarçado. Ele afirmou que os palestinos precisam de justiça e liberdade, não de “presentes ilusórios”. Alzeben destacou a história milenar de Gaza como porto e centro comercial do Mediterrâneo. Ele criticou Washington por agir com “cegueira perigosa” diante das mudanças no mundo. “Nem o povo palestino nem qualquer povo digno aceitará viver na humilhação”, afirmou. Já Eytan Gilboa, professor em Israel, chamou o plano de “fantasia”. Segundo ele, moradores de Gaza não desejariam migrar para países africanos ou do Terceiro Mundo. Enquanto isso, uma flotilha humanitária com 20 barcos e ativistas de 44 países zarpou de Barcelona. Entre eles estavam Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila. Milhares se despediram da flotilha, em ato de solidariedade aos palestinos.
Greta disse que a missão “não deveria existir” e que o povo está sendo privado do básico. No mesmo dia, Israel confirmou a morte de Abu Obeida, porta-voz militar do Hamas. Ele era considerado o chefe de propaganda mais eficaz do grupo. Segundo Gilboa, sua eliminação enfraquece a liderança do Hamas. Alzeben reforçou: “A Palestina não está à venda, nem para aluguel ou servidão”. Ele comparou a situação atual à tragédia dos povos originários das Américas.
Um juiz federal emitiu ontem, 31, uma ordem de restrição impedindo o governo Trump de deportar 10 crianças migrantes desacompanhadas para a Guatemala. A decisão foi tomada após advogados, representando a National Immigration Law Center, alegarem que as remoções violariam as leis dos EUA. O juiz distrital Sparkle Sooknanan, de Washington, ordenou que a administração se abstivesse das deportações por 14 dias. Também marcou uma audiência para este domingo. As crianças têm entre 10 e 17 anos. O governo Trump firmou acordo com a Guatemala para permitir essas remoções. A deportação começaria neste fim de semana. Fontes confirmaram o plano à Reuters. A CNN já havia noticiado na sexta-feira (29). Trump intensificou a repressão migratória desde seu retorno à Casa Branca em janeiro.
Nos EUA, crianças desacompanhadas são enviadas a abrigos até encontrarem familiares ou lares adotivos. Na quinta-feira (28), Melissa Johnston, do Escritório de Reassentamento de Refugiados, pediu a suspensão da liberação de crianças guatemaltecas. Apenas aquelas com pais ou responsáveis legais nos EUA seriam liberadas. Em queixa legal, o National Immigration Law Center e o Young Center denunciaram “clara violação das proteções legais”.
A ação afirma que crianças correm risco de abusos, negligência e até tortura na Guatemala. Os autores acusam o governo de planejar transferi-las ilegalmente ao ICE. O Irrequieto presidente partiu para o ataque e pediu impeachment do juiz distrital. Aliás, essa é a conduta de Trump: quem se aventurar a questionar suas decisões torna-se inimigo e ele passa a perseguir.
Com derrota na PEC da Blindagem, oposição concentra esforços na anistia
Movimentação contra ampliação das prerrogativas parlamentares consolidou a vitória do governo, que contou com a articulação do Centrão para barrar a iniciativa
O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ
Economia
Brasil menos conectado: companhias reduzem malha aérea, e cidades ficam sem voos
Número de aeroportos com linhas comerciais cai 15%, mesmo com recorde no volume de passageiros
FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP
Julgamento de Bolsonaro cura ferida na democracia, e anistia seria traição, diz Miguel Reale Jr.
Com papel no impeachment de Dilma e na origem da lei pela qual ex-presidente é acusado, jurista defende processo no STF, mas avalia que condenação poderia ser por menos crimes
TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA
Vitória supera goleada e bate o Atlético-MG para respirar no Brasileirão
Rubro-Negro volta a vencer depois de seis jogos e afunda o Galo na crise
CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS
Terremoto mata mais de 800 pessoas no Afeganistão
Autoridades estimam que 2,5 mil tenham ficado feridos
DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT
Autárquicas. Mais de um terço dos candidatos à Câmara de Lisboa vivem fora da cidade
Perda de população da capital também se reflete nos dez primeiros nomes das listas que a disputam. Só 57 estão recenseados em Lisboa, incluindo todos os da coligação liderada por Alexandra Leitão.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou ontem, 30, que emitirá uma ordem executiva exigindo identificação em todos os votos. Ele também declarou que só haverá votação pelo correio para doentes e militares distantes. A medida seria a segunda intervenção de seu mandato no sistema eleitoral, após decreto de março que exigiu prova de cidadania para votar. Trump, sem apresentar provas, insiste que perdeu em 2020 por fraude e acusa imigrantes de votar ilegalmente. Ele também pede o fim das urnas eletrônicas, defendendo cédulas em papel e contagens manuais. No início de agosto, prometeu eliminar cédulas por correio e máquinas de votação antes de 2026, mas especialistas dizem que o presidente não tem poder constitucional para isso. As eleições de novembro de 2026 serão o primeiro grande teste político de seu novo mandato, quando democratas tentarão recuperar o controle do Congresso para conter sua agenda.
EX-PRESIDENTE É ASSASSINADO
O ex-presidente do Parlamento ucraniano Andriy Parubiy, de 54 anos, foi morto a tiros ontem, 30, em Lviv, oeste da Ucrânia. O atirador disparou várias vezes e fugiu, desencadeando uma caçada policial. Parubiy foi presidente do Parlamento entre 2016 e 2019 e líder dos protestos pró-Europa em 2013 e 2014. Também atuou como secretário do Conselho de Segurança Nacional durante a anexação da Crimeia pela Rússia. As autoridades não confirmaram ligação direta do crime com a guerra contra a Rússia. O presidente Volodimir Zelenski lamentou a morte e prometeu todos os recursos para a investigação. Líderes políticos, como Petro Poroshenko, prestaram homenagens, destacando seu papel na defesa da soberania ucraniana. A motivação e identidade do assassino ainda não foram reveladas.
PROMOTOR É PROCESSADO POR FALA RACISTA
Um promotor de Justiça do Rio Grande do Sul é investigado por fala racista durante sessão do Tribunal do Júri em São José do Norte, na quinta-feira (28). Segundo a CNN Brasil, ele teria dito que o réu não teria cometido crimes se tivesse recebido “chibatadas” quando jovem. O Tribunal de Justiça do RS confirmou que a fala foi registrada em ata e encaminhada à Corregedoria-Geral do Ministério Público. O comentário ocorreu durante julgamento de um réu acusado de homicídio qualificado e tentativa de feminicídio. O Conselho de Sentença condenou o acusado a 28 anos de prisão. O TJRS ressaltou que a atuação do MP é sujeita à fiscalização e controle interno. A defesa do réu considerou a fala racista e pediu providências.
A magistrada responsável registrou a manifestação em ata e comunicou aos órgãos competentes. O caso segue em análise pela Corregedoria do MP. Esclarecimentos adicionais devem ser solicitados diretamente ao Ministério Público.
TRUMP: "COMPLETO IDIOTA"
O vocalista do Green Day, Billie Joe Armstrong, voltou a criticar Donald Trump, chamando-o de “um completo idiota incapaz de liderar o país”. Ele afirmou que a música American Idiot (2004) segue atual e ganhou ainda mais peso durante a presidência de Trump. Armstrong também criticou o governo norte-americano, acusando-o de beneficiar bilionários enquanto ignora crises como o genocídio em Gaza. Na mesma entrevista à Rolling Stone Argentina, o músico destacou que o novo álbumSaviors(2024) dialoga com diferentes fases da carreira da banda, resgatando referências de faixas antigas e sucessos recentes. O Green Day está em turnê celebrando Dookie(1994),American Idiot(2004) eSaviors (2024). No Brasil, a banda iria tocar no festival The Town, em São Paulo, no dia 7 de setembro, mas o show no Rio foi cancelado.
MADURO É LÍDER DE "CARTEL DE LOS SOLES"
Os EUA enviaram uma frota de guerra e 4.000 militares à costa da Venezuela, reforçando acusações de narcoterrorismo contra Nicolás Maduro. Washington afirma que ele lidera o “Cartel de los Soles”, envolvido no tráfico de drogas da América do Sul para os EUA. A Casa Branca classificou esses grupos como terroristas, ampliando a pressão militar. Pesquisadores contestam a versão, apontando que o cartel não tem hierarquia clara, mas funciona como uma “rede de redes”. Essa rede inclui militares e políticos venezuelanos em diferentes níveis de poder. Especialistas afirmam que Maduro não é o chefe, mas sim um beneficiário do esquema.
Ele lucraria com uma “governança criminal híbrida” que ajudou a consolidar. Assim, os EUA buscam associar sua figura ao narcotráfico para isolar seu governo.
Pelo menos três empresas de inteligência artificial dos EUA usaram livros de Clarice Lispector, Chico Buarque, Paulo Coelho e outros autores brasileiros para treinar seus modelos sem autorização, sem pagar e a partir de cópias piratas da internet. As companhias envolvidas são a Meta (LLaMa), Anthropic (Claude) e Microsoft (Megatron-Turing), que utilizaram a base pirata Books3, com quase 200 mil títulos. As empresas defendem que se trata de “uso justo” e alegam que os modelos não reproduzem as obras, mas produzem conteúdo transformado. A Folha analisou a Books3 e encontrou 109 obras de 31 autores brasileiros, como Jorge Amado, Rubem Fonseca, Raduan Nassar, Bernardo Carvalho e Daniel Galera. Paulo Coelho é o mais pirateado (31 livros), seguido por Clarice, com traduções em inglês, sueco e italiano. Há também Jorge Amado, Paulo Freire, Rubem Fonseca, João Cabral de Melo Neto, além de Machado de Assis e Euclides da Cunha, únicos em domínio público. No total, apenas 21 livros nacionais aparecem em português. A base valoriza textos pela qualidade: “O Alienista” recebeu nota 8, “A Hora da Estrela”, 9.
Relatórios confirmam que Meta e Microsoft usaram a Books3; no caso da Anthropic, a prática está documentada em processo judicial. A Justiça americana já reconheceu “uso justo” em decisão preliminar favorável à Meta, mas o caso segue em curso. Os autores argumentam que as big techs competem com seus próprios livros e desvalorizam o mercado. Emails internos mostram que a Meta estuda pagar licenciamento. O caso da Anthropic é o mais grave, com risco de indenizações de até US$ 1 trilhão, pois além da Books3 usou também Library Genesis (5 milhões de livros) e PiLiMi (2 milhões). O juiz determinou julgamento em dezembro para calcular reparações. Benjamin Mann, cofundador da Anthropic, admitiu ter baixado livros piratas desde 2019, quando ainda estava na OpenAI. Na última semana, a Anthropic anunciou acordo com autores, ainda não detalhado, que aguarda validação judicial. Enquanto isso, o setor de IA observa com apreensão, já que outras empresas também usaram pirataria em seus treinamentos. Emails da Meta revelam que a empresa recorreu à Library Genesis e escondeu evidências. O temor é que todas as gigantes precisem pagar altos valores para compensar autores de livros, artigos e músicas.
Fora do alcance da Justiça, o Parlamento serviria de esconderijo aos infiltrados do crime organizado
O presidente da Câmara traduziu com precisão o espírito da coisa, quando disse que a chamada PEC da blindagem revelava "o espírito da Casa". Espírito do corpo em estado bruto é do que falou Hugo Motta (Republicanos-PB), num ato de franqueza.
Já numa demonstração de fraqueza deixou que a confusão tomasse conta da reunião de líderes que engendrava a votação à sorrelfa da noite adentro na quarta-feira (27), aceitando um texto apócrifo que propunha ampliar ainda mais a proteção de deputados e senadores de ações na Justiça.
Se a ideia era escancarar o absurdo e provocar a suspensão do debate diante da má repercussão, a condição de condutor do processo exigiria que defendesse essa posição com clareza.
Mas ficou parecendo que a intenção foi evitar uma derrota no plenário e adiar o exame do tema para retomá-lo em momento oportuno.
Os adeptos da causa não desistirão de transformar o Congresso numa espécie de esconderijo, indiferentes ao risco de se interditar investigações de ilícitos. De toda ordem.
Acabamos de ver revelada a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis e no mercado financeiro.
Já sabíamos, embora ainda sem ter a real dimensão, o quanto a bandidagem se imiscui na sociedade de no aparelho de Estado. Nos três poderes.
Como nosso assunto é o Legislativo, citemos apenas as câmaras municipais, assembleias estaduais e até o Congresso Nacional, onde há presença crescente dessas ligações perigosas.
Um dos caminhos de acesso, não o único, é o domínio de territórios nas grandes cidades. E, conforme constata há tempos o ex-ministro da Segurança Pública Raul Jungmann, "quem domina o território, controla o voto".
Os arquitetos da blindagem já pensaram que ao manter o Parlamento fora do alcance da Justiça, protegerão também os criminosos infiltrados, cada vez mais interessados nessa proteção?
Se não pensaram, conviria que atentassem a isso, sob pena de se tornarem cúmplices de máfias que ameaçam a segurança nacional.
O Exército de Israel deverá interromper ou reduzir a ajuda humanitária ao norte de Gaza enquanto expande a ofensiva contra o Hamas, um dia após declarar a cidade de Gaza como zona de combate. A medida deve gerar novas críticas internacionais diante da crise humanitária e da situação dos reféns, após quase 23 meses de guerra. Segundo uma fonte à Associated Press, Israel suspenderá em breve os lançamentos aéreos de ajuda e reduzirá caminhões de suprimentos ao norte, preparando a retirada de centenas de milhares de pessoas para o sul. Na sexta-feira, 29, o país encerrou pausas diurnas para entrega de ajuda, alegando que a cidade ainda abriga túneis do Hamas. A ONU afirma que Gaza precisa de ao menos 600 caminhões de suprimentos por dia. A Cruz Vermelha alertou que evacuar a cidade seria impossível de forma segura, diante da destruição e da escassez de alimentos, água e abrigo. Centenas de moradores já deixam a região, levando poucos pertences.
No sábado, disparos israelenses mataram quatro pessoas que tentavam obter ajuda. Autoridades de saúde relataram 15 mortos e mais de 200 feridos em 24h ao buscar suprimentos. O ministério de Gaza disse que dez pessoas, incluindo três crianças, morreram de fome nas últimas 24h. Desde o início da guerra, ao menos 332 palestinos, entre eles 124 crianças, morreram por desnutrição. O total de mortos chega a 63.371, quase metade mulheres e crianças. Israel não reconhece os números, mas não apresenta dados próprios nem permite jornalistas estrangeiros em Gaza. O ministério da Saúde local, ligado ao Hamas, é considerado pela ONU e especialistas a fonte mais confiável de baixas. As críticas à condução israelense crescem no cenário internacional.
Uma juíza federal dos EUA suspendeu, na sexta-feira (29), políticas do governo Trump que ampliavam deportações aceleradas de migrantes detidos longe da fronteira com o México. A juíza Jia Cobb, de Washington, atendeu a um grupo de defesa dos migrantes e suspendeu medidas adotadas em janeiro que expunham milhões a expulsões rápidas. O processo de remoção acelerada existe há quase três décadas, aplicado principalmente na fronteira. Trump ampliou o alcance para imigrantes em qualquer parte do país sem prova de residência de dois anos. Essa política já havia sido testada em 2019 e revogada por Biden. Segundo Cobb, a imigração fez uso “agressivo” do novo poder de deportação. Ela destacou que os migrantes agora afetados vivem há anos nos EUA. Por isso, têm interesse legítimo em permanecer e devem ter garantias da Quinta Emenda. Cobb criticou a ausência de adaptação de procedimentos para esse novo público. Ela afirmou que priorizar velocidade gera deportações equivocadas. Classificou o processo como “precário” e violador de direitos constitucionais.
O governo alegou que migrantes ilegais não têm direito ao devido processo. Para a juíza, esse argumento ameaça não só estrangeiros, mas todos. Cobb frisou que não questiona a lei em si, apenas sua aplicação ampliada. Regras constitucionais exigem chance de ser ouvido antes da expulsão. O governo pediu prazo para recorrer, mas Cobb recusou. O Departamento de Segurança Interna defendeu Trump, dizendo que ele tem mandato para deportar “os piores dos piores”. A ACLU, que representa a ONG Make the Road New York, não comentou. No início do mês, Cobb também bloqueou a deportação acelerada de migrantes autorizados a entrar sob programas humanitários.
Norma Listman e Saqib Keval, donos do restaurante Masala e Maíz, receberam sua primeira estrela Michelin, mas não estavam na cerimônia: preferiram prestigiar um amigo. O casal é mais conhecido pela iniciativa “coma o que quiser, pague o quanto puder”, que prioriza a comunidade em vez de prestígio. No evento, clientes recebem pratos exclusivos sem preço fixo e deixam no envelope o valor que consideram justo, especificando a parte destinada à equipe. A ideia é democratizar o acesso à boa comida em uma cidade marcada pela desigualdade e pela gentrificação. Os pratos são servidos com a mesma qualidade de sempre, e, segundo os proprietários, não há prejuízo: alguns pagam mais, outros deixam presentes, equilibrando os custos. A prática já inspirou outros restaurantes da Cidade do México, que aderiram ao “Dia do coma o que quiser, pague o quanto puder”, com mais de 20 estabelecimentos participando pela primeira vez. Para os idealizadores, a estrela Michelin ajuda a ampliar a visibilidade do projeto, podendo gerar impacto internacional. Restaurantes de outros países, como Chile, Colômbia e Peru, já demonstraram interesse.
Exemplos como a Padaria Valle Luna e o Expendio de Maíz, também estrelado, aderiram ao evento, reforçando a ideia de solidariedade coletiva. Participantes, como o Loup Bar, destacam o caráter de união e retribuição à comunidade. A proposta busca quebrar barreiras sociais e tornar a gastronomia acessível a todos. Iniciativas semelhantes já existem, como o Annalakshmi em Singapura e o Rethink Cafe em Nova York, mostrando que o movimento tem potencial global. Listman e Keval acreditam que, mesmo em um setor de margens estreitas, é possível sonhar e construir modelos mais justos. Eles esperam que o conceito se torne uma tradição mundial, ajudando a equilibrar desigualdades sociais através da gastronomia.