Norma Listman e Saqib Keval, donos do restaurante Masala e Maíz, receberam sua primeira estrela Michelin, mas não estavam na cerimônia: preferiram prestigiar um amigo. O casal é mais conhecido pela iniciativa “coma o que quiser, pague o quanto puder”, que prioriza a comunidade em vez de prestígio. No evento, clientes recebem pratos exclusivos sem preço fixo e deixam no envelope o valor que consideram justo, especificando a parte destinada à equipe. A ideia é democratizar o acesso à boa comida em uma cidade marcada pela desigualdade e pela gentrificação. Os pratos são servidos com a mesma qualidade de sempre, e, segundo os proprietários, não há prejuízo: alguns pagam mais, outros deixam presentes, equilibrando os custos. A prática já inspirou outros restaurantes da Cidade do México, que aderiram ao “Dia do coma o que quiser, pague o quanto puder”, com mais de 20 estabelecimentos participando pela primeira vez. Para os idealizadores, a estrela Michelin ajuda a ampliar a visibilidade do projeto, podendo gerar impacto internacional. Restaurantes de outros países, como Chile, Colômbia e Peru, já demonstraram interesse.
Exemplos como a Padaria Valle Luna e o Expendio de Maíz, também estrelado, aderiram ao evento, reforçando a ideia de solidariedade coletiva. Participantes, como o Loup Bar, destacam o caráter de união e retribuição à comunidade. A proposta busca quebrar barreiras sociais e tornar a gastronomia acessível a todos. Iniciativas semelhantes já existem, como o Annalakshmi em Singapura e o Rethink Cafe em Nova York, mostrando que o movimento tem potencial global. Listman e Keval acreditam que, mesmo em um setor de margens estreitas, é possível sonhar e construir modelos mais justos. Eles esperam que o conceito se torne uma tradição mundial, ajudando a equilibrar desigualdades sociais através da gastronomia.
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