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terça-feira, 20 de outubro de 2026

ONDE SE VIVE POR MAIS DE 100 ANOS


A
pequena cidade de Bolotana, na Sardenha, Itália, pode ser uma nova candidata ao título de “zona azul”, regiões conhecidas pela concentração de pessoas que vivem mais de 100 anos. O vilarejo tem pouco mais de 2,2 mil habitantes e apresenta índices excepcionais de longevidade, especialmente entre as mulheres. Estudo publicado na revista Frontiers in Aging estima que 13,8% das mulheres que chegam aos 70 anos em Bolotana alcançarão os 100 anos. Na Itália, essa probabilidade é de 3,5%, e nos Estados Unidos, de 3,6%. A expectativa de vida feminina após os 70 anos também se destaca: 20,85 anos adicionais, contra 18,06 anos na média italiana. A pesquisa foi conduzida com dados de mortalidade de 2021 a 2025 e identificou uma possível área de longevidade fora da tradicional zona azul da Sardenha, historicamente associada sobretudo aos homens. Os pesquisadores consideram confiáveis os registros locais, preservados em arquivos civis e religiosos que permitem verificar as idades dos moradores. Entre 3.060 pessoas nascidas em Bolotana entre 1900 e 1925, foram identificados 38 centenários. Em 2025, o vilarejo tinha 12 moradores com pelo menos 100 anos. Após a morte de seis deles, as sobreviventes eram todas mulheres, e as duas mais velhas tinham 102 anos. Os homens também apresentam bons resultados: a probabilidade de chegarem aos 100 anos após completar 70 anos é estimada em 4,92%, mais de três vezes a média italiana. Entre as possíveis explicações estão fatores genéticos, alimentação equilibrada, atividade física e fortes vínculos familiares. Segundo os pesquisadores, os moradores caminham bastante, consomem alimentos produzidos localmente e mantêm relações familiares próximas, enquanto o isolamento social parece ser incomum.

O pesquisador Giovanni Mario Pes destaca a intensidade das relações sociais entre as mulheres centenárias. Um exemplo é Giovanna Marras, de 101 anos, que vive com a irmã, cozinha com ela e conversa diariamente. O prefeito Francesco Manconi também atribui a longevidade à alimentação fresca, ao ambiente natural e às caminhadas diárias, que podem chegar a 20 quilômetros entre alguns idosos. Apesar dos resultados promissores, os cientistas recomendam cautela. O número reduzido de habitantes aumenta as incertezas estatísticas, e as estimativas variam conforme o período analisado. Entre 2015 e 2019, a probabilidade de uma mulher de 70 anos alcançar os 100 era estimada em apenas 1,46%, contra 13,83% no período de 2021 a 2025. Por isso, Bolotana ainda é considerada candidata a zona azul. Estudos mais longos serão necessários para confirmar se a vantagem de longevidade é consistente. O objetivo dos pesquisadores é descobrir quais fatores explicam esse fenômeno e se as experiências locais podem ajudar outras populações a viver mais e melhor. 

MORTES NO TRÂNSITO


São Paulo registrou 782 mortes no trânsito nos nove primeiros meses de 2026, segundo dados do Infosiga. É o terceiro maior número para o período desde o início da série histórica, em 2015. O recorde foi de 841 mortes em 2015, seguido por 798 em 2024. Em média, quase três pessoas morrem diariamente em acidentes na capital paulista. Setembro foi o mês mais letal de 2026, com 108 mortes registradas. Entre janeiro e setembro, 379 motociclistas morreram, um aumento de 4% sobre 2025. O total supera o recorde anterior, de 364 mortes de motociclistas no mesmo período do ano passado. As mortes de ciclistas subiram 18%, passando de 22 para 26 casos. Já os óbitos de ocupantes de automóveis caíram de 68 para 65, redução de 4,4%. A Prefeitura afirma manter ações permanentes para aumentar a segurança e prevenir acidentes.A CET destaca a faixa azul exclusiva para motos, com 232,7 quilômetros distribuídos por 46 vias. O espaço atende aproximadamente 500 mil motociclistas diariamente, segundo a administração municipal. Estudos apontam redução de 26,6% na severidade dos acidentes com motos que utilizam a faixa. Especialistas, porém, defendem medidas adicionais, como redução de velocidades e maior fiscalização. Guilherme Nafalski, do Instituto Cordial, também cobra intervenções em pontos críticos e execução do Plano de Segurança Viária. Ele atribui parte do aumento à expansão das viagens de moto para trabalho e à redução do transporte coletivo. A mudança nos deslocamentos ampliou ainda a presença de bicicletas elétricas e outros veículos autopropelidos. 

Estudo do Instituto Cordial identificou aumento de mortes em cruzamentos durante a implantação da faixa azul. O especialista defende campanhas educativas, intervenções baseadas em dados e retomada do Comitê Permanente de Segurança Viária. Em 12 meses, a capital registrou 26.305 acidentes, com custo estimado de R$ 6 bilhões. A Marginal Pinheiros foi a via mais letal, com 14 mortes em sete acidentes fatais. A Prefeitura cita operações em pontos perigosos, limites de 30 km/h e rotas escolares seguras. Também menciona travessias elevadas, ampliação de faixas de pedestres e implantação de minirrotatórias. A CET afirma monitorar acidentes e reforçar a fiscalização com agentes e equipamentos eletrônicos. No estado de São Paulo, as mortes no trânsito caíram 4% nos nove primeiros meses de 2026. Entretanto, os óbitos envolvendo motociclistas aumentaram 2% no período. Entre agosto e setembro, as mortes cresceram 8,1%, com alta de 28,9% entre pedestres. O Detran-SP atribui suas ações à integração de dados, educação, fiscalização e melhorias nas vias. O órgão afirma trabalhar com municípios e instituições para prevenir acidentes e fortalecer a segurança viária.

 

FLÁVIO PROMETE NÃO DEMARCAR NOVAS TERRAS INDÍGENAS


A promessa de Flávio Bolsonaro (PL) de não demarcar novas terras indígenas pode deixar 286 territórios sem conclusão dos processos, caso seja eleito presidente no próximo dia 25. 
Desse total, 45 terras já foram delimitadas pela Funai e 73 tiveram seus limites reconhecidos pelo Ministério da Justiça. Outras 168 áreas ainda estão em estudo para identificação e definição territorial. Flávio afirmou que nenhuma nova reserva será demarcada durante seu eventual governo, em declaração feita a produtores rurais em Sinop (MT). A campanha do candidato não respondeu aos questionamentos sobre demarcações e exploração de terras indígenas já homologadas. O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, alerta que uma vitória de Flávio ameaçaria a continuidade da política de proteção territorial. Segundo ele, oito terras estão prontas para homologação presidencial e outras 20 aguardam portarias declaratórias do Ministério da Justiça. O ministro teme que medidas já aprovadas sejam revogadas e prevê o possível encerramento da pasta, criada pelo presidente Lula em 2023. A presidente da Funai, Lucia Alberta Andrade Baré, lembra que nenhuma terra indígena foi homologada durante o governo Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022. Na atual gestão Lula, 20 terras foram oficialmente reconhecidas e destinadas aos povos indígenas. O diretor de demarcação da Funai, Manoel Prado, alerta que o enfraquecimento da política indigenista pode favorecer invasões e conflitos fundiários. O programa de Flávio também propõe dar autonomia a indígenas e quilombolas para decidir sobre atividades produtivas em terras homologadas. Entre as possibilidades estão agricultura, mineração, construção de usinas e abertura de estradas, mas o plano não explica como essas medidas seriam implementadas.

Para Lucia, a proposta ignora iniciativas econômicas já desenvolvidas pelos próprios indígenas, como produção de café e turismo comunitário. Ela teme que a exploração econômica abra espaço para terceiros e atividades predatórias nos territórios protegidos.
Eloy Terena defende incentivos à produção indígena, desde que beneficiem as comunidades e respeitem sua organização social. O ministro critica arrendamentos de terras para o agronegócio, que podem concentrar renda em poucas lideranças e provocar disputas internas.
A Funai também aponta conflitos relacionados a arrendamentos, especialmente na região Sul, como exemplo dos riscos envolvidos. Segundo Eloy, lideranças indígenas já relatam ameaças de invasores que pretendem retornar a territórios dos quais foram retirados. Garimpeiros, madeireiros e criadores de gado estariam entre os grupos mencionados nas ameaças. O ministro afirma que os relatos vêm da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste, aumentando a preocupação com a segurança das comunidades indígenas. 

IATES DE LUXO E OUTRAS EMBARCAÇÕES, CASA DE PRAIA SÃO BENESSES DO DITADOR COREANO

Navios à disposição do ditador coreano
Imagens de satélite identificaram quatro iates de luxo próximos a Wonsan, na Coreia do Norte, em 2026. A maior embarcação mede 80 metros e possui uma piscina de 50 metros e toboáguas. O iate permaneceu em um estaleiro de manutenção durante meses, antes de seguir para a península de Kalma. A região abriga uma casa de praia utilizada pelo líder norte-coreano Kim Jong Un e sua família. Outras embarcações também foram vistas repetidamente nas proximidades das propriedades da família. Ex-autoridades, desertores e especialistas acreditam que os iates sejam utilizados por Kim e seus familiares. Segundo Ri Jong Ho, ex-funcionário do Escritório 39, os barcos são levados à região durante o verão. No inverno, as embarcações costumam permanecer em instalações de manutenção. O custo dos iates não foi confirmado, mas modelos semelhantes podem valer mais de US$ 100 milhões. A riqueza da elite norte-coreana permanece difícil de calcular, devido ao sigilo imposto pelo regime. Enquanto isso, o país enfrenta pobreza, escassez de alimentos e graves violações dos direitos humanos. Relatório da ONU de 2025 aponta que cerca de 40% da população sofre de desnutrição. A Coreia do Norte também mantém um orçamento militar elevado e um programa nuclear submetido a sanções. Wonsan tem importância histórica para a família Kim e serviu como refúgio de lazer para seus integrantes. 

Desertores relatam que a elite utiliza as casas de praia da região para descansar e praticar esportes aquáticos. A imprensa estatal raramente apresenta as viagens de Kim como férias, preferindo descrevê-las como atividades oficiais. Em julho de 2025, foi inaugurado o resort turístico Wonsan Kalma, destinado a visitantes estrangeiros e locais. O complexo possui hotéis, restaurantes, lojas, instalações esportivas e parques aquáticos. Entretanto, o acesso ao lazer continua limitado para a maioria dos cidadãos norte-coreanos. O PIB per capita do país foi estimado em US$ 667 em 2024, muito abaixo dos US$ 36.227 da Coreia do Sul. Embora trabalhadores tenham direito legal a 14 dias de férias anuais, esse benefício raramente é respeitado. As viagens também dependem de autorização oficial para deslocamentos entre cidades e regiões. A BBC identificou embarcações de 50, 55, 60 e 80 metros circulando perto de Wonsan. O iate de 80 metros foi observado nas águas próximas a Kalma desde julho até outubro. Barcos menores aparentemente transportam pessoas, combustível e suprimentos para as embarcações maiores. Segundo especialistas, ilhas próximas oferecem locais isolados, permitindo privacidade e discrição. Imagens históricas mostram uma embarcação semelhante na região já em 2002, durante o governo de Kim Jong Il. Em 2013, o ex-jogador Dennis Rodman relatou ter praticado esqui aquático com Kim Jong Un perto de Wonsan. Ele também descreveu um barco de 60 metros utilizado durante a visita, cuja identidade não foi confirmada. O contraste entre o luxo da liderança e as dificuldades da população evidencia as desigualdades do país. Para Ri Jong Ho, enquanto Kim dispõe de iates luxuosos, muitos norte-coreanos lutam diariamente para conseguir uma refeição.