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sábado, 17 de outubro de 2026

MOBILIZAÇÃO DOS JOVENS NO SEGUNDO TURNO


O resultado apertado do primeiro turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) intensificou a mobilização de jovens para a etapa final da eleição presidencial. Eleitores de 16 a 24 anos buscam conquistar novos votos, convencer indecisos e reduzir a abstenção. A poucos dias do segundo turno, apoiadores dos dois candidatos ampliaram suas ações nas ruas, universidades e redes sociais. Isadora de Oliveira, de 24 anos, ajudou a organizar um ato pró-Lula em Brasília, que reuniu cerca de 60 mil pessoas. Ela defende ocupar faculdades, transportes públicos e espaços de convivência para dialogar com a população. Segundo Isadora, a mobilização estudantil é fundamental para construir alternativas políticas à direita. João Pedro Porto, de 18 anos, coordena um grupo universitário contrário à reeleição de Lula. Desde o primeiro turno, ele organiza adesivaços e manifestações em frente à faculdade. Para João Pedro, encontrar pessoas com opiniões semelhantes estimula os estudantes a expressar suas posições. Em 2026, 14,9 milhões de jovens de 16 a 24 anos votaram no primeiro turno. Em 2022, esse número havia chegado a 16,9 milhões, uma redução de aproximadamente dois milhões. Os dados do Tribunal Superior Eleitoral também apontam queda no número de jovens aptos a votar. A cientista política Marcela Machado, da Universidade de Brasília, afirma que o segundo turno costuma mobilizar mais a juventude. Nessa fase, a necessidade de escolher entre dois candidatos pode estimular maior participação política. 

A influência de amigos e pessoas próximas também contribui para o envolvimento dos jovens nas campanhas. Ao produzir conteúdos e debater política, eles alcançam pessoas distantes dos meios tradicionais de propaganda eleitoral. Alexandra Carvalho, de 22 anos, criou um canal de mensagens para divulgar materiais de campanha de Flávio Bolsonaro. Ela também incentiva reuniões e protestos na universidade onde estuda. Alexandra acredita que a mobilização conservadora precisa ultrapassar os limites das redes sociais. Daniella Dutra, de 21 anos, apoiadora de Lula, abriu seu perfil nas redes para ampliar o debate político. Ela pretende alcançar eleitores de outros estados, romper bolhas ideológicas e convencer indecisos. A jovem combina publicações digitais com atividades presenciais para ampliar o alcance da campanha. Outra estratégia são as banquinhas vira-voto, instaladas em paradas de ônibus e universidades. Bruna Lima, de 20 anos, conversa diretamente com trabalhadores e estudantes para entender suas escolhas eleitorais. Nesses encontros, apresenta argumentos e informações históricas para tentar conquistar novos apoiadores. A iniciativa também procura compreender por que alguns eleitores deixaram de votar no primeiro turno. Entre os jovens, a mobilização ocorre ainda em ambientes escolares, por meio de debates e conversas. Maria Clara Lobão, de 16 anos, decidiu participar da campanha, embora seu voto seja facultativo. Ela observa que colegas estão deixando de reproduzir automaticamente as opiniões dos pais. Segundo a estudante, muitos jovens passaram a pesquisar informações e formar suas próprias convicções políticas. 

TRUMP DEIXA UCRÂNIA E APROXIMA DE PUTIN


O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, recebeu apoio de líderes europeus em Bruxelas, em meio ao agravamento da crise com Donald Trump. O encontro ocorreu após Washington retomar posições favoráveis à Rússia na guerra iniciada em 2022. Zelenski criticou a aproximação americana com Vladimir Putin e a redução da assistência militar e tecnológica. Segundo ele, somente os Estados Unidos dispõem de capacidades essenciais para detectar ataques russos. O apoio inclui informações de satélites e sistemas de comunicação militar, como o Starlink. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, reconheceu que a Europa não consegue oferecer essas capacidades atualmente. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou trabalhar para ampliar a ajuda a Kiev. Zelenski pediu o fornecimento mínimo necessário de mísseis Patriot para enfrentar o inverno. A promessa belga de entregar mais caças F-16 usados foi uma das poucas notícias positivas. A crise começou após Trump reclamar dos ataques ucranianos contra refinarias russas. O presidente americano também enfrenta pressão interna devido à alta dos combustíveis antes das eleições legislativas de novembro. Trump busca atribuir a Zelenski parte da responsabilidade pela inflação energética nos Estados Unidos. O preço médio do galão de combustível, que era de US$ 3,90 antes da guerra no Oriente Médio, chegou a cerca de US$ 6,20. Especialistas relacionam a alta principalmente à guerra no Irã e às tensões no mercado internacional de petróleo. Os conflitos envolvendo a Arábia Saudita e os rebeldes houthis do Iêmen também contribuem para a instabilidade. 

A circulação irregular de petróleo pelo estreito de Hormuz agrava as preocupações com o abastecimento. Em julho, a Rússia suspendeu exportações de derivados, afetando países compradores, inclusive o Brasil. Na semana anterior, Trump defendeu um acordo para comprar diesel russo e pediu a saída de Zelenski do poder. Também anunciou um cessar-fogo parcial no setor energético sem consultar adequadamente os envolvidos. Posteriormente, Kiev enfrentou limitações no acesso a informações de inteligência e instabilidade nos serviços militares de satélite. O compartilhamento de imagens aparentemente foi restabelecido, mas persistiram problemas no sistema Starshield. Enquanto a Rússia continuava bombardeando instalações energéticas ucranianas, Zelenski aderiu inicialmente à trégua parcial. Depois, voltou a atacar refinarias russas, provocando novas críticas de Trump. O americano acusou o ucraniano de elevar os preços mundiais do petróleo e classificou os ataques como vergonhosos. Zelenski rebateu, lembrando que a Rússia lançou mil drones contra a Ucrânia em apenas um dia. Na avaliação ucraniana, Washington considera difícil negociar com Kiev, embora Moscou mantenha a ofensiva. A crise favorece Putin, que procura explorar as divergências entre os Estados Unidos e seus aliados europeus. Pela primeira vez, a televisão estatal russa exibiu imagens dos danos causados por drones em uma refinaria de Riazan. Putin também declarou inegociável a criação de uma zona de segurança na fronteira nordeste ucraniana. Moscou afirma controlar 70% dessa área e sustenta que pretende incorporá-la à sua estratégia territorial. O presidente russo declarou ainda que falta conquistar 10% da região de Donetsk, uma das áreas anexadas ilegalmente em 2022. A divisão ocidental fortalece a posição estratégica de Putin, enquanto a Ucrânia continua dependente de apoio militar externo.

 

VORCARO TEVE ACESSO A INFORMAÇÕES DE INQUÉRITO


Mensagens no celular de Daniel Vorcaro indicam que ele teve acesso a informações de um inquérito sigiloso sobre suspeitas de uso de informações privilegiadas envolvendo o Banco Master e Nelson Tanure. 
Em fevereiro de 2024, o ex-banqueiro acionou Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, para obter mais detalhes sobre a investigação.
Sicário teria recorrido a uma rede clandestina com acesso a sistemas da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Vorcaro também discutiu com o advogado Fábio Medina Osório a possibilidade de se antecipar às autoridades para evitar medidas cautelares, como buscas e apreensões. Em 15 de fevereiro, um advogado enviou a Vorcaro informações sobre o inquérito, que apurava possíveis crimes contra o sistema financeiro e o mercado de capitais.
Um minuto depois, Vorcaro encaminhou o material a Sicário, pedindo uma verificação urgente. Ele respondeu que mobilizaria contatos para dar atenção especial ao caso. Segundo investigação no Supremo Tribunal Federal, Sicário repassou o assunto a uma rede de espionagem que envolvia policiais federais aposentados e da ativa. As mensagens também mostram que Medina Osório enviou a Vorcaro os autos integrais do inquérito e sugeriu que ele cooperasse com o Ministério Público. O advogado propôs apresentar-se como responsável pelo programa de compliance do Banco Master e preparar documentos para demonstrar colaboração com as investigações. Segundo Osório, a estratégia poderia reduzir o risco de medidas cautelares contra o banqueiro.

Vorcaro, porém, pediu que ele não procurasse as autoridades naquele momento, e a proposta não avançou. Em nota, Osório afirmou ter recebido a cópia do inquérito de um jornalista e sustentou que sua intenção era incentivar a cooperação com o Ministério Público. Disse ainda que só tomou conhecimento da atuação de Sicário por meio da reportagem. A investigação sobre uso de informações privilegiadas avançou contra Nelson Tanure, que se tornou réu em janeiro de 2026, acusado de obter vantagens em negociações de ações da Gafisa. O Banco Master ingressou no processo como parte interessada, representado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O caso teve origem em uma denúncia apresentada, em 2022, por Vladimir Timmerman, gestor da ESH Capital. Tanure nega irregularidades e afirma que as operações foram debatidas e aprovadas pela maioria dos acionistas da Gafisa. Sua defesa também sustenta que a Comissão de Valores Mobiliários não apontou ilegalidades na operação. Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, morreu em março de 2026, após suicidar-se na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais.