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quarta-feira, 15 de julho de 2026

ILHA, QUE JÁ TEVE 5.300 MORADORES, ESTÁ ABANDONADA


No mar, diante da costa de Nagasaki, no Japão, a ilha de Hashima, ou Gunkanjima ("Ilha Encouraçado"), abriga as ruínas de uma antiga cidade industrial construída sobre uma pequena área de terra. Comprada pela Mitsubishi em 1890, a ilha foi transformada em um centro de mineração submarina de carvão, essencial para a industrialização japonesa. Como o espaço era reduzido, surgiram edifícios residenciais, escola, hospital, comércio, cinema e áreas de lazer, formando uma comunidade vertical protegida por muralhas contra tufões. No auge, em 1959, Hashima chegou a reunir cerca de 5.300 moradores, tornando-se uma das áreas mais densamente povoadas do mundo. A ilha oferecia infraestrutura moderna para a época, com eletricidade, serviços e moradias próximas ao trabalho. Durante a Segunda Guerra Mundial, porém, trabalhadores coreanos e chineses foram submetidos a trabalho forçado em condições precárias, tornando Hashima símbolo também de exploração humana. Com a substituição do carvão pelo petróleo, a mina perdeu importância econômica.

Em janeiro de 1974, as atividades foram encerradas e, em abril do mesmo ano, os últimos moradores deixaram a ilha. Sem manutenção, os prédios passaram a sofrer com a ação da maresia, chuvas e tufões, provocando desabamentos e deterioração. Objetos abandonados nos apartamentos reforçam a sensação de que a cidade foi deixada às pressas. Desde 2009, parte da ilha pode ser visitada por turistas em áreas controladas. Em 2015, Hashima foi incluída no Patrimônio Mundial da UNESCO como parte dos Sítios da Revolução Industrial Meiji. Hoje, a antiga cidade do carvão permanece como uma impressionante cidade fantasma, reunindo engenharia, memória histórica e as marcas de um passado de prosperidade e sofrimento. 

NOVO TARIFAÇO DE TRUMP É AGUARDADO PARA HOJE


Prazo para relatório dos EUA sobre Brasil termina nesta quarta-feira (15), após consultas públicas do Escritório do Representante Comercial (USTR) sobre supostas práticas desleais no comércio brasileiro. O governo, empresários e setor privado aguardam o documento para saber se novas tarifas serão anunciadas. A expectativa é de que a decisão final dependa de um alinhamento entre o USTR e o presidente Donald Trump, podendo atrasar alguns dias. Ainda assim, prevalece a avaliação de que um novo tarifaço é praticamente inevitável. Em junho, o USTR propôs tarifa de 25% sobre produtos brasileiros com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, a medida pode atingir 21% das exportações brasileiras, preservando alguns produtos essenciais ao mercado americano. Além dessa cobrança, Trump propôs outra tarifa de 12,5% relacionada à investigação sobre trabalho forçado e já instituiu uma tarifa global de 10%, válida por 150 dias, com base na Seção 122 da legislação comercial dos EUA.

Especialistas afirmam que não há clareza sobre a soma dessas tarifas, devido às diversas exceções e regras. O Brasil aposta na ampliação da lista de produtos isentos, como agropecuários, aeronaves, fertilizantes, minerais estratégicos e insumos industriais, reduzindo o impacto efetivo das medidas. A investigação americana também aborda temas como Pix, comércio digital, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. Representantes brasileiros consideram que as audiências tiveram caráter técnico, mas avaliam que a decisão sobre as tarifas já estava definida por razões políticas.

 

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA PRODUTIVIDADE


Economistas e executivos divergem sobre o impacto da inteligência artificial na produtividade dos trabalhadores nos Estados Unidos. Apesar disso, a produtividade do trabalho cresce no ritmo mais forte das últimas duas décadas. Especialistas avaliam que a IA ainda não é o principal fator dessa evolução. Digitalização, trabalho remoto e mercado de trabalho aquecido também impulsionam o aumento da eficiência. O ex-presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que os ganhos atuais são expressivos e que os efeitos da IA generativa ainda estão apenas começando. Maior produtividade permite que empresas produzam mais com o mesmo número de trabalhadores, elevem receitas, invistam, aumentem salários e preservem a lucratividade. Segundo a KKR, setores como saúde, tecnologia e varejo já colhem benefícios da computação em nuvem, prontuários digitais e aprendizado de máquina. O baixo desemprego também incentiva empresas a buscar mais eficiência diante da dificuldade de contratar mão de obra.

Por outro lado, parte do avanço decorre de cortes de empregos, especialmente nos setores de tecnologia e finanças, onde empresas fazem mais com menos funcionários. Pesquisas do Fed indicam que muitas companhias adiaram contratações graças aos ganhos proporcionados pela IA. Economistas alertam, porém, que os dados de produtividade são voláteis e ainda não comprovam uma relação direta entre IA e crescimento da eficiência. Além disso, inflação, tarifas comerciais e choques no preço do petróleo podem distorcer os indicadores no curto prazo. Outra dúvida é se os ganhos de produtividade serão compartilhados com os trabalhadores, já que, nos últimos anos, os salários cresceram em ritmo inferior ao da produtividade.

 

TARIFAS AMERICANAS CAUSAM PERDAS E INCERTEZAS AO BRASIL


Após um ano das tarifas impostas pelos Estados Unidos, setores da indústria brasileira ainda enfrentam perdas e incertezas. Entre os mais afetados estão aço, alumínio, couro, calçados, móveis, têxteis, tabaco, madeira e armas. Desde abril de 2025, parte dos produtos brasileiros passou a pagar tarifa de 10%. Já o aço e o alumínio enfrentam taxa de 50%, aplicada por razões de segurança nacional. Agora, o governo Donald Trump avalia ampliar as restrições com base na Seção 301, que investiga práticas comerciais consideradas desleais, incluindo questões como etanol, Pix, propriedade intelectual e desmatamento. As exportações de aço para os EUA caíram de US$ 3,8 bilhões em 2023 para US$ 2,6 bilhões em 2025. O Sindifer alerta que até 55% das fábricas de ferro-gusa podem interromper atividades caso novas tarifas sejam adotadas.

No setor de máquinas, houve queda de 9,1% nas vendas aos EUA, compensada parcialmente pelo crescimento das exportações para Argentina, Singapura, Peru e Chile. Couro, calçados, móveis e têxteis também registraram retração nas exportações para o mercado americano e buscam ampliar vendas para países da América Latina, Ásia e Europa. Entidades do setor afirmam, porém, que o mercado dos EUA continua estratégico e não pode ser substituído rapidamente, devido às exigências técnicas e aos contratos de longo prazo. Na indústria moveleira, um terço das exportações tem como destino os EUA. Já o setor madeireiro teme nova redução na produção, demissões e queda dos investimentos caso as tarifas sejam ampliadas. 

COM DRONES UCRÂNIA ATINGE EMBARCAÇÕES RUSSAS


A Rússia acusou a Ucrânia de praticar “terrorismo” após uma intensificação dos ataques contra embarcações no Mar de Azov, rota estratégica por onde passa cerca de um quarto das exportações russas de grãos. Segundo Moscou, a ofensiva ameaça o comércio marítimo e amplia os riscos para a navegação.  Autoridades ucranianas afirmaram que drones atingiram 11 embarcações russas em um único dia, entre petroleiros, navios de carga e um rebocador. Kiev informou que, nos últimos nove dias, já foram atacados 116 navios ligados à logística russa, alegando que os alvos têm importância militar. 

A escalada levou à restrição do tráfego marítimo no Mar de Azov, afetando a movimentação de cargas pelo estreito de Kerch e pelo canal Azov-Don. Diante da situação, a Rússia anunciou que pretende redirecionar parte das exportações de grãos para portos do Mar Negro e do Báltico, enquanto busca manter os compromissos com compradores internacionais. 

RENÚNCIA DA PRIMEIRA-MINISTRA NA UCRÂNIA


O Parlamento da Ucrânia aprovou ontem, 14, a renúncia da primeira-ministra Iulia Sviridenko, como parte de uma reforma ministerial determinada pelo presidente Volodimir Zelenski. O presidente ainda não anunciou um substituto e afirmou apenas que o país está mudando sua estratégia política diante de novos desafios. Sviridenko ocupava o cargo havia um ano e era considerada próxima das autoridades americanas. Ela negociou um acordo de investimentos em minerais com os Estados Unidos após o encontro entre Zelenski e Donald Trump na Casa Branca. A mudança ocorre em um momento crítico da guerra contra a Rússia, que intensificou os ataques com mísseis, enquanto a Ucrânia amplia seus projetos de defesa aérea.

Zelenski informou que pretende reorganizar áreas da política externa e ofereceu à ex-premiê um novo cargo ligado às relações com um parceiro estratégico, sem revelar qual. A imprensa ucraniana aponta Sergiy Koretsky, presidente da estatal de energia Naftogaz, como principal cotado para assumir o governo. O setor de energia é prioridade no país devido aos graves danos causados pelos ataques russos à rede elétrica e aos apagões registrados durante o inverno.

 

DÉFICIT ORÇAMENTÁRIO DOS EUA: US$ 120 BILHÕES


Após as tarifas impostas por Donald Trump serem consideradas ilegais, o aumento dos reembolsos fez o déficit orçamentário dos EUA atingir US$ 120 bilhões em junho, informou o Departamento do Tesouro. O resultado contrasta com o superávit de US$ 27 bilhões registrado no mesmo mês de 2025. A arrecadação bruta com tarifas somou US$ 23,6 bilhões, mas os reembolsos alcançaram US$ 49,2 bilhões, gerando saldo negativo de US$ 25,6 bilhões. Os reembolsos começaram em maio, após a Suprema Corte considerar ilegais as tarifas mais amplas de Trump com base na IEEPA. Em junho, os pagamentos mais que dobraram em relação ao mês anterior.

Em junho de 2025, a arrecadação líquida com tarifas havia superado US$ 100 bilhões no ano fiscal, resultado celebrado pelo então secretário do Tesouro, Scott Bessent. O governo ainda enfrenta disputas judiciais e prepara novas tarifas, enquanto um juiz federal criticou a demora nos reembolsos. Até agora, maio e junho somam cerca de US$ 71 bilhões devolvidos, o equivalente a 42% dos US$ 166 bilhões em tarifas sujeitas a restituição. O Tesouro não comentou o futuro dos pagamentos. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 15/07/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

TAXAÇÃO DOS EUA PODE SAIR HOJE
Governo Lula não espera recuo de Trump em tarifaço contra o Brasil
Visão do Correio: Pragmatismo contra as incertezas da gestão Trump 

 O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Genial/Quaest
Lula lidera todos os cenários de segundo turno e aumenta vantagem contra Flávio Bolsonaro


Pré-candidato à reeleição possui 45% das intenções de voto em disputa contra o senador, que marca 37%

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Inglaterra e Argentina fazem semifinal tensa e ainda em busca do melhor futebol


Técnicos criticaram atuação das equipes nas quartas de final Rivalidade histórica terá seu 1º capítulo com Messi em campo

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Secretário de Salvador é afastado pela Justiça


A JUSTIÇA da Bahia determinou o afastamento cautelar do secretário das Prefeituras-Bairro de Salvador, Luciano Ricardo Gomes Sandes


CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Negociadores do Brasil dizem que tarifas dos EUA seriam “injustas” e debatem até o fim


Washington deu prazo até a quinta-feira para adotar novas medidas comerciais


DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT

Exames nacionais: Ministro da Educação diz que decisão de estender prazo de correção foi "política"

Fernando Alexandre continua a acreditar que o modelo digital é "mais equitativo" e "muito mais eficiente" do que o anterior, que se baseava nas folhas de teste em papel. 

terça-feira, 14 de julho de 2026

RADAR JUDICIAL

VEREADORA JANAINA CRITICA PROMOTORA

A vereadora e professora de Direito Penal da USP, Janaina Paschoal, criticou a promotora Elayne Rodrigues por ameaçar retirar o Ministério Público de uma cerimônia em Duque de Caxias (RJ) após uma oração evangélica. Para Janaina, a atitude foi lamentável e revelou confusão entre Estado laico e Estado ateu. Ela afirmou que a laicidade prevista na Constituição garante a liberdade de manifestação de todas as religiões, e não a exclusão da fé do espaço público. A parlamentar lembrou ainda que o preâmbulo da Constituição faz referência a Deus, figura comum a diversas tradições religiosas. Por fim, avaliou que a promotora errou ao expor convicções pessoais como se representassem a posição institucional do Ministério Público.


AVIÃO REDUZ ALTITUDE DE 34 PARA 10 MIL PÉS EM CINCO MINUTOS

Um avião da LATAM que fazia o voo LA3039, entre Confins (MG) e Congonhas (SP), realizou uma descida acentuada na manhã de ontem, 13, após uma intercorrência técnica. A aeronave, um Airbus A320, decolou às 9h39 e, cerca de 20 minutos depois, reduziu a altitude de 34 mil para cerca de 10 mil pés em aproximadamente cinco minutos. O procedimento é adotado quando há necessidade de voar em nível seguro para passageiros e tripulantes, como em casos de possível falha na pressurização. O avião seguiu viagem em altitude reduzida e pousou em segurança em Congonhas às 10h48. Ninguém ficou ferido. A LATAM informou que solicitou prioridade para pouso devido a uma questão técnica, mas não confirmou se houve despressurização da cabine. Segundo a empresa, todos os protocolos de segurança foram seguidos e o desembarque ocorreu normalmente.


ÁRBITRO HOLANDÊS É ENCONTRADO MORTO

A Real Associação Neerlandesa de Futebol (KNVB) informou ontem, 13, a morte do árbitro holandês Rob Dieperink, de 38 anos. Ele foi encontrado morto em casa, e a causa da morte não foi divulgada. Em abril, Dieperink foi preso após uma partida da Conference League por suspeita de crimes sexuais envolvendo um adolescente de 17 anos. Segundo a imprensa britânica, ele teria tentado levar o jovem ao quarto de hotel. A Polícia de Londres arquivou o único caso remanescente por falta de provas. Mesmo assim, a Fifa o retirou da equipe de arbitragem da Copa do Mundo de 2026. Em nota, a KNVB lamentou a morte e prestou solidariedade à família, amigos e colegas do árbitro. 

PENSÃO ALIMENTÍCIA MAIOR NÚMERO DE CASOS NA JUSTIÇA

A pensão alimentícia foi o principal motivo de demandas jurídicas no Brasil em 2026, segundo levantamento da ViaJusta, plataforma do Projuris. Entre janeiro e abril, conflitos sobre pensão representaram 12,58% das 22.776 solicitações registradas. Em seguida aparecem cobranças indevidas (9,80%) e disputas trabalhistas sobre verbas rescisórias (7,97%). Questões de separação, guarda e visitas somaram 4,82%, enquanto divórcios responderam por 3,39%. O Direito de Família lidera as demandas, com 27,9%, seguido pelo Direito do Consumidor (26,4%), concentrando mais da metade dos casos. Também são frequentes reclamações sobre produtos com defeito, fraudes e conflitos com instituições financeiras. O estudo aponta crescimento da busca por soluções extrajudiciais, como Procon, Ministério do Trabalho e acordos, antes do ingresso na Justiça.

TRUMP CONDENOU TAXA E AGORA ESTÁ COBRANDO

Donald Trump afirmou ontem, 13, que os EUA vão assumir o controle do estreito de Hormuz e cobrar 20% sobre toda a carga transportada pela região. Em publicação na Truth Social, disse que o país será o "guardião do estreito" e que a taxa servirá para reembolsar os custos da segurança marítima. A declaração contradiz posições anteriores do próprio presidente e o memorando preliminar firmado com o Irã, que previa isenção temporária. Teerã reagiu imediatamente, afirmando que não permitirá interferência americana na administração da via e que contestará qualquer ação sem autorização iraniana. A Guarda Revolucionária também advertiu que a cooperação de países vizinhos com Washington será considerada um ato de guerra. O impasse ocorre em meio à escalada do conflito, com novos ataques dos EUA e represálias iranianas. Especialistas em direito internacional afirmam que tanto o bloqueio quanto a cobrança de pedágio no estreito violam normas internacionais sobre liberdade de navegação.

TRUMP VOLTA ATRÁS E NÃO COBRARÁ A TAXA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou hoje, 14, que desistiu de cobrar a taxa de 20% sobre cargas transportadas por navios que cruzam o Estreito de Ormuz, medida divulgada no dia anterior. Segundo ele, a cobrança será substituída por acordos comerciais e de investimento com países do Golfo Pérsico, que fariam aportes bilionários nos EUA. Trump não informou quais governos aderiram ao compromisso, e nenhum deles confirmou o acordo. O presidente afirmou que considera inadequada a cobrança de taxas sobre a navegação, embora defenda que os EUA sejam compensados por protegerem a rota. Apesar da mudança, Trump manteve a decisão de impor um bloqueio naval no Estreito de Ormuz, direcionado apenas a embarcações iranianas ao longo da costa do Irã. As Forças Armadas americanas informaram que a operação começaria ainda nesta terça-feira. O estreito é uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo e gás, responsável por cerca de 20% do comércio global desses produtos. A decisão ocorre após o rompimento do cessar-fogo firmado entre EUA e Irã em junho e a retomada das hostilidades entre os dois países.

Santana, 14 de julho de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.


SOBRETAXA AMERICANA IMPLICA EM MEDIDAS DE RETALIAÇÃO


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que não há espaço para um acordo com os Estados Unidos antes da próxima quarta-feira (15), quando deve ser anunciada uma nova etapa do tarifaço sobre produtos brasileiros. Apesar disso, técnicos brasileiros ainda não descartam um último contato com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, na véspera da decisão. Durante evento em São José dos Campos (SP), Lula afirmou que "não vai ter tarifaço". A investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), baseada na Seção 301 da Lei de Comércio, concluiu que o Brasil adota práticas consideradas discriminatórias e recomendou uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções.

O ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, afirmou que não haverá concessões em temas considerados inegociáveis, como o Pix e o etanol, sem que os EUA também revisem as tarifas sobre o açúcar brasileiro. Segundo ele, o governo considera a proposta americana abusiva e injusta. O Planalto também rejeita reduzir a tarifa de importação do etanol americano, alegando prejuízos ao setor produtivo do Nordeste. O governo espera que os EUA definam um prazo para a entrada em vigor das tarifas, abrindo espaço para novas negociações em nível ministerial. Caso a sobretaxa seja confirmada, o Brasil deverá avaliar a adoção de medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Econômica, em vigor desde o ano passado. 

AGENTE DO SERVIÇO DE IMIGRAÇÃO E ALFÂNDEGA DOS EUA MATA UM MOTORISTA


Um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) matou a tiros um motorista durante uma abordagem na cidade de Biddeford, no estado do Maine, no dia de ontem, 13. É o segundo caso de uso de força letal pelo ICE em uma semana e o nono desde o início da nova ofensiva migratória do governo Donald Trump. 
Organizações de defesa dos imigrantes identificaram a vítima como um colombiano de 26 anos, autorizado a trabalhar nos Estados Unidos. Segundo o Departamento de Segurança Interna, agentes monitoravam um endereço ligado a uma ordem de deportação. Ao tentar abordar um veículo que deixava o local, o motorista tentou fugir e, segundo as autoridades, avançou contra os agentes, levando um policial a disparar.

O senador Angus King afirmou que o alvo da operação não era o homem morto e questionou se o uso da força letal foi justificado. Ele também informou que os agentes não utilizavam câmeras corporais. O FBI, o Departamento de Segurança Interna e a Procuradoria-Geral do Maine investigam o caso. O agente envolvido foi afastado. Testemunhas relataram cenas de desespero da esposa e da filha da vítima. Horas depois, dezenas de manifestantes protestaram em Biddeford contra o ICE e a política migratória do governo Trump. 

TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL É QUESTIONADO POR TRUMP


O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou ontem, 13, uma nova ofensiva do governo Donald Trump contra o Tribunal Penal Internacional (TPI). Em vídeo nas redes sociais, afirmou que a corte representa "uma ameaça intolerável à soberania americana" e prometeu ampliar as sanções contra seus integrantes. Criado em 2002 e sediado em Haia, o TPI julga crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. Trump critica a atuação da corte contra líderes de Israel e investigações envolvendo autoridades americanas. Rubio disse que o TPI trava uma "guerra" contra os EUA por meio do direito internacional e alegou que o tribunal ameaça o sistema político e jurídico americano.

O Departamento de Estado informou que pretende enfraquecer a capacidade de atuação do TPI, impedindo ações contra militares e autoridades dos EUA. Entre as medidas estudadas estão novas sanções, restrições de visto e pressão para que outros países abandonem o tribunal. Em fevereiro, Trump já havia imposto sanções ao TPI. A iniciativa é uma resposta, principalmente, às investigações contra Israel. O tribunal expediu mandados de prisão contra o premiê israelense Benjamin Netanyahu, em 2024, e contra o presidente russo Vladimir Putin, em 2023. O presidente americano não aceita autoridade que questiona suas intempestivas intromissões nos assuntos internos de outros países, principalmente, quando o TPI condena os crimes de Trump e de seu fiel escudeiro de Israel.