Copom e Fed adotaram direções opostas nos juros na última quarta-feira (16). O Banco Central brasileiro reduziu a Selic para 13,75%, enquanto o Fed elevou os juros para 3,75% a 4%. A redução do diferencial de juros tende a diminuir a atratividade dos ativos brasileiros, porque os juros maiores, os Treasuries dos EUA passam a oferecer maior remuneração aos investidores. Ainda assim, analistas avaliam que outros fatores mantêm o Brasil atraente para o capital estrangeiro entre os quais estão o petróleo valorizado, a elevada Selic e o relativo isolamento geopolítico brasileiro. Segundo Vitor Kayo, da Nomad, a diferença entre os juros brasileiros e americanos continua grande e a mudança reduz o incentivo aos investimentos no Brasil, mas não significa interrupção dos fluxos. No mercado americano, havia 57% de chance de nova alta dos juros em outubro, segundo o FedWatch. No Brasil, 57% das posições nas Opções de Copom indicavam Selic de 13,5% em novembro. A redução do diferencial também pode pressionar o real e favorecer a valorização do dólar. O cenário diminui ainda o incentivo ao chamado carry trade, baseado no diferencial de juros. O petróleo acima de US$ 100 beneficia empresas brasileiras e aumenta a arrecadação do país. Rachel de Sá, da XP, destaca também os investimentos estrangeiros em data centers no Brasil. Em maio, a Ascenty anunciou R$ 30 bilhões para um complexo de inteligência artificial em São Paulo. Segundo ela, investidores consideram tanto os juros quanto a atratividade das empresas e da Bolsa.
A perda de força do chamado trade de inteligência artificial também favorece uma rotação de investimentos. Com menor concentração em empresas de tecnologia, parte dos recursos pode migrar para outros mercados. Para 2027, o mercado projeta juros americanos de até 4,5%, enquanto o Focus prevê Selic de 12%. A desaceleração da economia brasileira pode abrir espaço para novas reduções dos juros domésticos. O Focus estima crescimento de 1,45% do PIB brasileiro em 2027, ante 1,89% em 2026. Incertezas externas e fiscais, porém, dificultam prever a trajetória dos juros e do câmbio. Entre os fatores estão o preço do petróleo, as decisões do Fed e a política fiscal brasileira. Mesmo com a queda, a Selic de 13,75% mantém a renda fixa brasileira atrativa. Os investimentos pós-fixados continuam sendo considerados alternativas diante das incertezas. Nos EUA, os rendimentos dos Treasuries subiram com a perspectiva de juros mais altos. A taxa do Treasury de dois anos chegou a 4,745%, maior nível desde 2024. No Brasil, a expectativa de cortes da Selic aumentou o interesse por títulos prefixados. Esses papéis permitem travar taxas elevadas antes de uma eventual queda dos juros. Para analistas, a combinação de incertezas externas e internas recomenda cautela nas alocações.
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