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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

CORREIOS EM GREVE


Trabalhadores dos Correios aprovaram greve por tempo indeterminado em assembleias realizadas ontem, 10, em todo o país. 
Segundo a Findect, 35 assembleias haviam aprovado a paralisação até o início do movimento, às 22h. No Acre, a votação está prevista para o fim da tarde de hoje, 11. A categoria rejeitou a proposta apresentada pela empresa durante as negociações salariais e foram adotadas as medidas para manter os serviços e reduzir impactos aos clientes. Entre as ações estão o remanejamento de equipes e o reforço das atividades operacionais e logísticas. A empresa diz ter buscado uma solução negociada durante as tratativas com os trabalhadores, mas a proposta contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente. Entre os pontos oferecidos estavam reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios. A proposta também previa a manutenção da assistência à saúde dos empregados. A empresa reafirmou compromisso com a valorização dos funcionários e os serviços postais. Um dos principais pontos de divergência envolve o plano de saúde de funcionários, aposentados e dependentes. A Findect afirma que os trabalhadores rejeitam mudanças na condição dos Correios como mantenedores do plano. A decisão ocorreu após rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A greve acontece em meio a dificuldades financeiras enfrentadas pela estatal.

Na quinta-feira, os Correios pediram ao Tesouro Nacional garantia para contratar novo empréstimo de R$ 7 bilhões. O crédito será contratado com ABC, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan. A operação terá custo de 114,26% do CDI e prazo de 15 anos, com três anos de carência. O pedido de garantia ainda está em análise pelo Tesouro Nacional e se o aval for concedido, a União assumirá os pagamentos em caso de inadimplência dos Correios. A empresa registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre deste ano. O novo financiamento integra o plano de reestruturação financeira da estatal. Os Correios já contrataram empréstimo de R$ 12 bilhões em dezembro de 2025. Além disso, está prevista a entrada de outros R$ 6 bilhões em recursos da União em 2027. A situação financeira aumenta a pressão sobre a empresa durante a paralisação nacional. Os trabalhadores, por sua vez, mantêm a reivindicação de mudanças na proposta apresentada. A duração da greve dependerá das negociações entre a categoria e a direção dos Correios. A empresa informou que divulgará novas informações sobre a prestação dos serviços enquanto o movimento poderá afetar a rotina de entregas e atendimento em diferentes regiões do país. As negociações devem continuar durante a paralisação, diante do impasse entre as partes. 

POLÍCIA FEDERAL SUSPEITA QUE TOFFOLI RECEBEU MILHÕES DE VORCARO


A Polícia Federal suspeita que o ministro Dias Toffoli, do STF, seja proprietário ou beneficiário final do fundo Arleen, que recebeu R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master, segundo relatório obtido pela revista Piauí. 
O fundo comprou parte das cotas da Maridt, empresa dos irmãos de Toffoli, José Eugenio e José Carlos, ligada ao resort Tayayá, em Ribeirão Claro (SC). O jornal Folha de São Paulo revelou que Toffoli confirmou fazer parte do quadro societário da empresa e que o Arleen, antes pertencente ao ex-banqueiro, foi comprado pelo empresário Alberto Leite, amigo do ministro, em fevereiro de 2025. Um mês depois, o fundo passou a permitir investimentos no exterior e, em dezembro, transferiu seus ativos para a holding Égide I, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas. Segundo a PF, diversos elementos indicariam que Toffoli poderia ter sido beneficiário final ou proprietário de fato do Arleen e de seus ativos. O relatório aponta ainda possível uso de interpostas pessoas e estruturas no exterior, além de movimentações envolvendo a holding nas Ilhas Virgens Britânicas. A defesa de Toffoli afirma que ele jamais manteve recursos no exterior ou realizou operações, direta ou indiretamente, nas Ilhas Virgens Britânicas. O documento também levanta suspeitas de que Vorcaro tenha influenciado voto de Toffoli em processo sobre precatórios da destilaria Alcídia, do grupo Atvos. A decisão era relevante para o Banco Master, que tinha mais de R$ 10 bilhões em precatórios do setor sucroalcooleiro.

Diálogos extraídos do celular de Vorcaro indicariam atuação do diretor jurídico do banco, André Kruschewsky, e do ex-ministro Fábio Faria. Segundo a PF, Kruschewsky aparentava ter acesso ao STF para tentar retirar o processo de pauta. No dia do julgamento, Nunes Marques pediu vista e Toffoli registrou ausência justificada. O julgamento foi retomado posteriormente e terminou em 3 votos a 2 pela tese da Alcídia, com Toffoli votando a favor da empresa e desempatando o resultado. O gabinete do ministro nega qualquer alteração de voto. A PF encaminhou o relatório ao presidente do STF, Edson Fachin, porque Toffoli era relator do caso Master e ministros do Supremo dependem de autorização da Corte para serem investigados. O documento foi enviado ao tribunal para as providências cabíveis, que poderiam ser tomadas pelo novo relator do inquérito, André Mendonça que afirmou à Piauí que não ter recebido o relatório. O gabinete de Toffoli disse que o documento foi arquivado, com trânsito em julgado.
Também afirmou que, em fevereiro de 2026, os dez ministros do STF tiveram conhecimento de seu conteúdo e das informações apresentadas por Toffoli. Segundo a nota, a Corte deliberou que não havia motivo para reconhecer suspeição do ministro. 

EX-MARQUETEIRO DE FLÁVIO BOLSONARO TRANSFERIU ALTO VALOR PARA O DARK HORSE


O ex-marqueteiro da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Marcello de Oliveira Lopes, transferiu R$ 1 milhão para a Go Up Entertainment, produtora do filme
Dark Horse, inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro. A operação consta de relatório de inteligência financeira do Coaf sobre movimentações consideradas atípicas da empresa. O documento foi incorporado à decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que autorizou operação da Polícia Federal na quinta-feira (10/9). Entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a Go Up movimentou R$ 19,03 milhões. Foram R$ 8,95 milhões em créditos e R$ 10,07 milhões em débitos e Marcello aparece entre os principais remetentes de recursos para a produtora. A Moneycorp Banco de Câmbio foi a maior remetente, com R$ 3,92 milhões, a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural enviou R$ 2,61 milhões e a NTT Brasil transferiu R$ 750 mil para a empresa. Já o deputado Mário Frias (PL-SP) realizou transferências que somaram R$ 645,4 mil. O relatório da PF não esclarece a origem específica do R$ 1 milhão enviado por Marcello e não detalha, naquele trecho, a finalidade do pagamento. O documento não atribui ao publicitário qualquer irregularidade na operação. Marcello é citado apenas uma vez, na relação dos principais remetentes de recursos.
A transferência ocorreu meses antes de sua saída da campanha de Flávio Bolsonaro e ele deixou a equipe em 20 de maio, após a repercussão de áudios em que Flávio aparece pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar Dark Horse.

O nome de Flávio não aparece no trecho do relatório que lista os remetentes. Em nota, Marcello afirmou que o R$ 1 milhão foi destinado exclusivamente ao projeto cinematográfico.
Disse ainda que participou da produção como investidor. Segundo ele, os recursos eram próprios e foram transferidos diretamente de sua conta bancária e afirmou que a operação foi regular e formalizada. Ele classificou o negócio como estritamente empresarial e vinculado ao filme. A PF cumpriu ontem 49 mandados de busca e apreensão na investigação sobre o financiamento de Dark HorseEntre os alvos estão a produtora Karina Ferreira da Gama e Mário Frias. Marcello Lopes não está entre os investigados na operação. 

DIFÍCIL ANTECIPAR QUEM VENCERÁ A ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE


A 23 dias do primeiro turno, a ebulição política em Brasília impede qualquer prognóstico seguro sobre o resultado das eleições. 
A grave crise institucional do STF, os desdobramentos do Banco Master, do caso Dark Horse e das fraudes no INSS podem alterar o humor do eleitorado. A Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal e pela CGU, é o episódio mais recente a entrar nessa equação. A investigação envolve emendas parlamentares, organizações sociais, empresas, um deputado federal e a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. Mario Frias destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil. Relatórios do Coaf apontaram transferências até a produtora responsável por Dark Horse. O deputado também transferiu diretamente R$ 645,4 mil à empresa no fim do ano passado e a movimentação foi considerada atípica pelos investigadores diante da renda mensal declarada pelo parlamentar. Tudo precisa ser apurado, pois investigação policial não significa condenação, mas seria igualmente errado tratar um caso dessa dimensão como mais uma notícia passageira do ciclo eleitoral. O problema é que Brasília produz fatos em velocidade maior do que as pesquisas conseguem captá-los. Quando uma pesquisa começa, um cenário existe; quando termina, outro pode estar se formando. Na divulgação do resultado, talvez uma terceira realidade já esteja diante do eleitor. Essa dinâmica é especialmente importante na campanha de 2026. Até pouco tempo, predominava a avaliação de que Luiz Inácio Lula da Silva era favorito, mas as pesquisas mais recentes, passaram a indicar vantagem de Flávio Bolsonaro em um provável segundo turno.

Não se considera prudente transformar esses números em certeza, vez que pesquisa não é urna, mas também seria erro ignorar a mudança registrada nas sondagens. No momento, a disputa está concentrada nos dois nomes, apesar de ainda não está definido é quem chegará à frente e com qual vantagem. Outra variável impossível de medir antecipadamente é o que vai ocorrer na sequência. Uma investigação pode prejudicar uma candidatura, assim como uma declaração pode provocar uma reviravolta, daí a eleição está longe de estar decidida. O eleitorado pode mudar de humor rapidamente, e uma semana é tempo suficiente para alterar o cenário. A campanha seguirá sujeita a novos fatos e turbulências até o último momento. Neste momento, a única previsão realmente segura é que será uma eleição aos solavancos até o fim. 

LEVANTADO SIGILO DO ESCÂNDALO DO BANCO MASTER


O ministro André Mendonça, por determinação do presidente do STF, Edson Fachin, levantou na noite de ontem, 10, o sigilo de 14 procedimentos relacionados ao escândalo do Banco Master. 
Mendonça, porém, manteve em segredo investigações que poderiam comprometer futuras operações e diligências, entre as quais a apuração sobre recursos de Daniel Vorcaro destinados a um fundo nos Estados Unidos para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Também permaneceram sob sigilo a investigação sobre a relação do senador Jaques Wagner com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. Outra investigação preservada trata de informações da PF sobre Antônio Rueda e ACM Neto, encaminhadas ao ministro Alexandre de Moraes. Já os documentos sobre a relação entre Moraes e Vorcaro foram tornados públicos, embora parte deles já tivesse sido liberada na semana anterior. Entre os 14 procedimentos divulgados estão dois dos principais inquéritos sobre a engenharia financeira que resultou no rombo bilionário do Banco Master e o principal é o inquérito 5026, da Operação Compliance Zero, inicialmente relatado por Dias Toffoli. O processo foi remetido ao STF após a investigação que tramitava na Justiça Federal contra Vorcaro e outros suspeitos.
A partir dele foram abertas outras frentes de investigação. Cinco procedimentos agora públicos tratam direta ou indiretamente das prisões e buscas contra integrantes da chamada “A Turma”.
O grupo teria sido utilizado por Vorcaro para intimidar e perseguir adversários e desafetos. Mendonça também levantou o sigilo da investigação sobre o chamado “Projeto DV”, envolvendo influenciadores.

Segundo a PF, o objetivo seria influenciar a percepção pública sobre Vorcaro e o Banco Master. Documentos liberados também apontam pagamentos de viagens e jantares internacionais por Vorcaro para servidores do Banco Central. Os servidores são acusados de atuar para favorecer o Banco Master. A PF afirma que Vorcaro custeou parte da viagem do ex-chefe de Supervisão Bancária do BC, Belline Santana, e sua esposa a Paris. Também teria financiado viagem do ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza para a Disney, nos Estados Unidos. Segundo a investigação, Vorcaro teria tratado diretamente com prestadores de serviços para organizar a viagem a Paris. A PF relata que ele cuidou de reservas, restaurantes, recepção e logística, inclusive fornecendo o contato pessoal do servidor.
A decisão de Fachin ocorre às vésperas da sessão extraordinária do STF marcada para 15 de setembro. O plenário deverá analisar a controvérsia sobre relatório da PF que revelou diálogos entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. A PGR questiona a validade dessa parte da investigação e pediu a nulidade do relatório. Para Fachin, o levantamento do sigilo permitirá aos demais ministros conhecerem o conjunto de informações antes da sessão. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 11/9/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Contrato entre Banco Master e escritório de esposa de Moraes previa R$ 108 milhões líquidos

Contrato estabelecia pagamento mensal de R$ 3 milhões durante três anos e previa atuação em investigações, processos judiciais e programa de compliance da instituição financeira

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Em conversas com Fachin, ministros do STF alertam para pedido de vista, e aliados de Moraes querem julgamento conjunto com Mendonça

Magistrados foram atendidos individualmente pelo presidente do STF

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Empresa que intermediou recurso a produtora de 'Dark Horse' funciona em loja de noivas

Instituto contratado com verba de emenda deveria fazer letramento digital de adultos e adolescentes Empresários citados na investigação não respondem; produtora de filme sobre Bolsonaro nega irregularidades

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

TRE-BA proíbe uso de mulheres seminuas em atos de campanha de ACM Neto

O tribunal considerou que a ocorrência do episódio não foi contestada de forma específica pela defesa.

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

PF revela diálogos sobre festa de Vorcaro com autoridades e modelos em SP, aponta revista piauí

Documentos da Polícia Federal mostram organização de evento de Halloween por Daniel Vorcaro

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Líder do MI5 alerta que o próximo 11 de Setembro pode estar a ser planeado para onde não estamos a olhar

Ken McCallum diz que as agências de segurança precisam de estar preparadas para os desafios atuais e futuros. "Sabemos que o próximo choque estratégico, por definição, não se parecerá com o anterior".

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

CAIXA TENTA ENCERRAR A GREVE


A Caixa Econômica Federal apresentou nova proposta aos bancários para tentar encerrar a greve nacional iniciada nesta quinta-feira (10). 
A oferta, válida até sexta-feira (11), altera os percentuais de desconto do plano de saúde e inclui novos benefícios. Entre as medidas estão prêmio de R$ 3.000 por funcionário e pagamento da PLR no dia 18 de setembro. A Caixa também propôs elevar de 6,5% para 8% o teto de custeio do Saúde Caixa. O principal impasse da negociação é justamente o plano de saúde. Pela nova proposta, os empregados pagariam de 2,30% a 4,10% do salário-base, conforme a idade. Também haveria cobrança de R$ 480 a R$ 660 por dependente, de acordo com a faixa etária. A proposta será avaliada pelos empregados em assembleia na sexta-feira. O sindicato afirma que a mudança ocorreu diante da forte mobilização e insatisfação da categoria. A Caixa também anteciparia parcelas de sua contribuição à 13ª mensalidade para ajudar a cobrir o déficit do plano. A partir de 2027, seriam pagos valores referentes ao PAMS e destinados R$ 236 milhões a ações de prevenção à saúde.
Também estão previstos grupos de trabalho para discutir melhorias na eficiência e no financiamento do Saúde Caixa. No plano, a coparticipação anual por família subiria de R$ 3.600 para R$ 4.800. Haveria isenção de coparticipação em telemedicina e mudanças nas regras para dependentes e beneficiários.

Nesta quinta-feira, agências da Caixa amanheceram fechadas em São Paulo, Curitiba e outras localidades. Clientes encontraram cartazes informando sobre a greve, enquanto caixas eletrônicos continuaram funcionando. A paralisação não tem prazo definido para terminar. No Banco do Brasil, a greve é parcial e atinge alguns estados; em São Paulo, o funcionamento foi normal. Os empregados da Caixa e do BB também têm o plano de saúde como principal ponto de divergência. Bancos privados já aceitaram a proposta negociada pela categoria, com reajuste real de 0,6% acima da inflação. A Caixa afirma manter o diálogo aberto com as entidades sindicais para buscar um acordo. Enquanto durar a paralisação, o banco recomenda o uso de aplicativos, internet banking, WhatsApp e caixas eletrônicos. O atendimento também pode ser feito pelo Alô Caixa e pela rede Banco24Horas. O Banco do Brasil informa que participa da mesa geral de negociação dos bancários. O BB também mantém negociação específica com as entidades sindicais sobre questões do funcionalismo. O banco orienta clientes a usar aplicativo, internet banking, correspondentes bancários e canais telefônicos.
A nova proposta da Caixa representa uma tentativa de evitar o prolongamento da greve e retomar o atendimento normal. Os trabalhadores decidirão em assembleia se aceitam ou rejeitam as condições oferecidas. 

TRUMP PROMETE COMPRAR VOTO E RECLAMA SEU NOME NO ESTREITO DE ORMUZ


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu na quarta-feira (9) um pagamento de US$ 5 mil a cada adulto americano caso os republicanos mantenham o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato. 
Trump chamou a promessa de “dividendo Trump” e pediu aos eleitores que votassem como se seu nome ainda estivesse na cédula. “Se os republicanos vencerem, vocês vencem conosco e recebem cinco mil dólares”, declarou durante uma convenção republicana em Dallas, no Texas. O presidente não explicou de onde sairiam os recursos para financiar a medida e o custo poderia superar US$ 1 trilhão, cerca de R$ 5,1 trilhões. Trump afirmou apenas que os Estados Unidos “estão ganhando muito dinheiro”. A promessa ocorre em meio à queda dos índices de aprovação do presidente, que estão pouco acima de 30%. Pesquisas apontam dificuldades para os republicanos manterem o controle da Câmara e do Senado em novembro. A Decision Desk HQ prevê vitória democrata na Câmara, por 230 a 205 cadeiras e no Senado, a projeção é de 51 a 49 a favor dos democratas. Trump alertou que uma derrota republicana provocaria perdas em segurança, controle da fronteira e redução de impostos. Também associou o resultado eleitoral ao risco de o país entrar em uma trajetória que chamou de “comunista”. O presidente defendeu ainda a guerra contra o Irã, apesar da baixa popularidade do conflito. Segundo Trump, uma vitória americana provocaria queda imediata nos preços do petróleo.

Ele voltou a destacar a importância estratégica do Estreito de Ormuz para o transporte mundial de combustíveis, chegando a defender que o estreito recebesse seu nome. O presidente também afirmou que os preços dos alimentos e de outros produtos estão caindo rapidamente. A principal aposta republicana é mobilizar a base fiel a Trump sem afastar ainda mais os eleitores independentes. Durante a convenção, os republicanos destacaram cortes de impostos, endurecimento das leis migratórias e redução nos preços de medicamentos. O partido também explorou o discurso de que os democratas representam uma ameaça de extrema esquerda. A convenção exibiu uma mensagem em vídeo do senador democrata John Fetterman. Sua participação alimentou especulações sobre possível aproximação com os republicanos. Fetterman tem entrado em conflito com setores da esquerda democrata, especialmente por sua posição sobre Israel. Os republicanos esperam que esse tipo de divisão prejudique a tentativa democrata de conquistar o Senado. O evento foi dominado por cartazes de Trump, imagens do presidente e bandeiras americanas. As barracas venderam alimentos, lembranças e livros ligados à família Trump. Entre eles estava “Under Siege”, obra de Eric Trump, filho do presidente. A eleição de novembro será, portanto, um teste decisivo para a força política de Trump. O resultado poderá definir a capacidade do presidente de avançar sua agenda no restante do mandato. A promessa dos US$ 5 mil tornou-se um dos principais elementos de sua estratégia para mobilizar os eleitores republicanos. 

STF: PREDOMINAM "COICES INSTITUCIONAIS"


A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) mobilizou políticos, candidatos e sociedade civil, além de dividir o Judiciário. 
Para o professor Creomar de Souza, ministros transformaram a Corte em “tribunais próprios” por meio de decisões monocráticas. Segundo ele, a estrutura atual favorece decisões individuais e amplia os conflitos internos do Supremo. No dia 1º, André Mendonça retirou o sigilo de um inquérito com mensagens de Daniel Vorcaro para Alexandre de Moraes. Uma delas foi enviada dias antes da prisão do banqueiro, em novembro do ano passado. Dois dias depois, Moraes acusou Mendonça de improbidade, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade. Para o professor Souza, o episódio revela uma divisão entre grupos de ministros dentro do STF. De um lado, estariam Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Cristiano Zanin. De outro, formaria-se um grupo em torno de André Mendonça, com Nunes Marques e Luiz Fux. Edson Fachin estaria em posição delicada, enquanto Cármen Lúcia buscaria preservar sua independência. A crise também pode influenciar diretamente o eleitorado nas próximas eleições. Souza avalia que cresce a dúvida sobre a legitimidade da Suprema Corte, após anos de forte atuação política do STF, enquanto o governo Lula enfrenta um problema eleitoral porque sua narrativa não estava preparada para a crise. Além do caso Banco Master, o Supremo trata de questões relevantes, como as fraudes no INSS. O conjunto dos episódios, avalia o professor, provoca degradação da reputação do STF e perda de confiança da população. Ele considera que a política interna da Corte se tornou uma variável de risco para a estabilidade da República e para o processo eleitoral.

A crise possui ainda diferentes camadas de conflito entre os próprios ministros. A primeira envolve diretamente André Mendonça e Alexandre de Moraes. Outra surgiu com a atuação de Flávio Dino, que reconduziu o diretor-geral da Polícia Federal ao cargo. O professor defende o afastamento de Mendonça e Moraes de decisões com impacto eleitoral. Para ele, ambos deveriam declarar-se impedidos em processos capazes de influenciar diretamente a disputa política. O professor reconhece, porém, que esse cenário ideal não corresponde à realidade institucional de 2026 e o conflito ultrapassa o STF e envolve todos os Poderes da República. Assegura que a atual crise institucional começou a se aprofundar com as manifestações de 2013 e o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Depois vieram a prisão e a soltura de Lula, a eleição de Jair Bolsonaro e os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. A prisão de Bolsonaro também faz parte, em sua avaliação, da sequência de conflitos que alimentaram a crise atual. O especialista afirma que há quase uma década e meia de confrontos entre instituições. Em vez de uma relação harmônica entre os Poderes, predominariam disputas e “coices institucionais”. Para Souza, o impasse representa um desafio à estabilidade política e institucional do país. 

BRASIL PODE EXPORTAR ADICIONAL DE 40% DE CARNE BOVINA PARA EUA


A nova cota de importação de carne bovina aberta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode garantir ao Brasil até 40% do volume adicional que os americanos pretendem comprar nos próximos 90 dias. 
A estimativa é que os frigoríficos brasileiros forneçam entre 90 mil e 120 mil toneladas das 300 mil toneladas autorizadas pelo governo americano. A medida busca ampliar a oferta de carne nos Estados Unidos e reduzir os preços, principalmente da carne moída usada em hambúrgueres. Os Estados Unidos enfrentam redução do rebanho bovino, diminuindo a oferta e pressionando os preços. Como a recuperação do rebanho leva tempo, o país recorre às importações para aumentar a oferta no curto prazo. Segundo Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, o tamanho da indústria brasileira e o número de frigoríficos habilitados a exportar aos EUA colocam o Brasil em posição favorável. A nova cota é diferente da regra atual, pela qual o Brasil participa de uma cota compartilhada de 52,4 mil toneladas sem tarifa extra. Esse volume, segundo Iglesias, foi totalmente utilizado em apenas 15 dias. Depois disso, a carne brasileira continua entrando nos EUA, mas paga tarifa adicional de 26,4%. De janeiro a agosto, os Estados Unidos compraram 269,1 mil toneladas de carne bovina brasileira, gerando US$ 1,74 bilhão, alta de 28,7% sobre o mesmo período de 2025. A nova medida abre, por 90 dias, cota adicional de até 300 mil toneladas sem essa cobrança. Nem todos os principais fornecedores disputarão diretamente esse espaço. A Argentina já possui cotas próprias, enquanto Paraguai e países da América Central aparecem como concorrentes mais diretos.

O Brasil, porém, tem vantagem pela capacidade industrial e pela quantidade de frigoríficos credenciados. As 300 mil toneladas não serão divididas automaticamente. Cada exportador terá de conquistar espaço, e preço e capacidade de fornecimento serão decisivos. A demanda americana está concentrada nos chamados trimmings, pedaços retirados durante o processamento da carcaça e usados na produção de carne moída. Esse fator pode limitar o interesse dos frigoríficos brasileiros, já que o produto tem menor valor agregado. As empresas precisam comparar o preço oferecido pelos americanos, os custos de exportação e o retorno obtido em outros mercados. Segundo Iglesias, os frigoríficos ainda fazem essas contas. Uma alta excessiva dos preços pode reduzir o interesse dos compradores americanos e comprometer o objetivo de ampliar a oferta de carne a preços mais baixos. 

SUPREMA CORTE AUTORIZA TRUMP NA RESTRIÇÃO DE VOTOS PELO CORREIO


A Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou o governo de Donald Trump a avançar com planos para restringir o voto pelo correio antes das eleições de meio de mandato de novembro.
A decisão, tomada por maioria, permite a implementação provisória de uma ordem executiva assinada por Trump em março. A medida determina que o Serviço Postal participe da definição de quais eleitores poderão receber cédulas por correspondência. O governo também pretende criar listas estaduais de cidadania para identificar eleitores que não seriam cidadãos americanos. Essas listas poderiam ser utilizadas pelas autoridades eleitorais para retirar nomes dos registros de votação. A ordem ainda prevê que o Serviço Postal não envie cédulas a pessoas que não estejam nas listas aprovadas. A Suprema Corte ressaltou, porém, que sua decisão é preliminar e não representa uma conclusão definitiva sobre a legalidade da medida. Os três ministros liberais da Corte divergiram da maioria. A juíza Ketanji Brown Jackson afirmou que a decisão cria “caos e incerteza” às vésperas das eleições. A disputa judicial começou após vários Estados questionarem a autoridade de Trump para interferir nas regras eleitorais. Os autores das ações argumentam que a Constituição atribui ao Congresso e aos Estados, e não ao Executivo, poderes sobre as eleições. Em junho, a juíza federal Indira Talwani, de Massachusetts, havia suspendido a ordem presidencial. Segundo ela, a medida violava a separação de poderes e não havia autorização do Congresso para que o Serviço Postal assumisse novas funções eleitorais.

Neste mês, Talwani ampliou sua decisão e impediu a aplicação da ordem nas eleições de 2026.
A magistrada também destacou que o governo não apresentou provas de fraude ou de votação ilegal generalizada pelo correio. Um tribunal federal de apelação confirmou anteriormente a suspensão. Diante disso, o governo Trump recorreu em caráter emergencial à Suprema Corte.
Procuradores-gerais democratas afirmam que a ordem criaria um sistema inédito de verificação de eleitores e interceptação de cédulas. Eles alertam para possíveis erros nas listas de cidadania e para prejuízos a eleitores legítimos. Também apontam o risco de confusão entre os eleitores, especialmente porque muitos Estados já se preparam para iniciar a votação antecipada. A Casa Branca sustenta que precisa ter liberdade para combater irregularidades eleitorais e proteger a integridade das eleições. A decisão da Suprema Corte permite que o governo avance enquanto a discussão jurídica continua. O caso deverá retornar aos tribunais em prazo curto, diante da proximidade das eleições. A disputa sobre o voto pelo correio se soma a outras medidas de Trump que ampliam o conflito entre o Executivo, os Estados e o Judiciário. O episódio evidencia a tensão em torno dos limites do poder presidencial nos Estados Unidos. Também coloca em debate o futuro das instituições democráticas americanas e a influência de Trump sobre o processo eleitoral. Com as eleições de 2026 se aproximando, a batalha judicial poderá ter efeitos diretos sobre o direito de voto de milhões de americanos. 

DESPEJO CONTRA UNIVERSAL, EM GUARULHOS


A Justiça de São Paulo determinou o despejo de um templo da Igreja Universal em Guarulhos, na Grande SP. 
A decisão foi tomada pelo juiz Luiz Gustavo Pereira e confirmada pela 34ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP, mas ainda cabe recurso. O processo foi movido pelo proprietário do imóvel, alugado pela Universal desde 1998, ocupando um terreno de 1.200 metros quadrados na avenida Nova Cumbica. Segundo o proprietário, a igreja deixou de pagar o IPTU de 2023 e 2024, acumulando dívida de R$ 48,6 mil. A Universal também teria descumprido o contrato ao não renovar o seguro do imóvel. Além disso, ergueu uma parede provisória sem autorização e sem planta aprovada pela prefeitura. Na defesa, a igreja de Edir Macedo afirmou estar no local há 28 anos. Disse ainda que a desocupação provocaria danos irreparáveis aos frequentadores e às obras sociais. A Universal alegou ter quitado os débitos de IPTU e renovado o seguro. Sobre a divisória, afirmou que ela foi instalada no início da locação, sem reclamação do proprietário.

A defesa sustentou que não havia inadimplemento atual, grave ou essencial que justificasse o despejo. Os desembargadores, porém, rejeitaram os argumentos apresentados pela igreja. O relator Costa Wagner afirmou que o IPTU só foi depositado após a decisão de primeira instância. Segundo ele, isso não poderia ser considerado suficiente para afastar o descumprimento contratual. O relator também destacou que o imóvel permaneceu sem seguro por período significativo. Para a Justiça, isso caracterizou violação das obrigações previstas no contrato de locação. A Universal deverá ainda pagar multa contratual equivalente a três meses de aluguel.