Pesquisar este blog

terça-feira, 22 de setembro de 2026

RÚSSIA CONTINUA COM INVASÃO E UCRÂNIA ENFRENTA DIFICULDADES PARA RESISTIR


Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022, Daria conseguia dormir durante os bombardeios em Kiev. 
A jovem de 27 anos seguia a “regra das duas paredes”, buscando proteção dentro do apartamento. Mas o aumento da frequência e da intensidade dos ataques mudou sua percepção de segurança. Em julho, dezenas de mísseis balísticos russos mataram quase 60 civis em três grandes ataques e proporções semelhantes voltaram a ocorrer em agosto e setembro. Segundo análise da BBC Verify, Kiev registra hoje mais alertas aéreos diários do que em qualquer outro período da guerra. Durante um desses ataques, em maio, Daria percebeu que já não se sentia segura dentro de casa. As explosões fizeram as janelas de seu apartamento, no nono andar, abrir e bater repetidamente. Depois da morte de uma jovem mãe a caminho de um abrigo, em junho, Daria decidiu deixar Kiev. Ela passou a morar na casa da família, a 30 quilômetros da capital, e enfrenta quatro horas diárias de deslocamento. O caso dela representa uma mudança na rotina de muitos moradores da cidade. A Rússia passou a utilizar mais mísseis balísticos, que deixam pouco tempo para reação após os alertas e em alguns casos, o aviso chega apenas instantes antes das explosões ou simultaneamente a elas. Para quem não pode deixar Kiev, a situação é ainda mais difícil. Olha Vlasova, 62 anos, vive com a mãe, Nadia, de 98, que não consegue sair da cama. Durante os ataques, Olha cobre a mãe, protege a janela e se esconde em um guarda-roupa. Nadia usa um travesseiro para proteger o rosto contra possíveis estilhaços de vidro. As duas passam noites acordadas, acompanhando notícias e esperando o fim dos bombardeios.


Com os ataques durante o dia, escolas, comércio e transporte público também são afetados. Estações de metrô suspendem o funcionamento e shopping centers fecham durante os alertas.
A interrupção do transporte dificulta inclusive o contato entre familiares que vivem em lados diferentes da cidade. Olha afirma que uma corrida de táxi para atravessar o rio Dnieper pode custar até 1.000 grívnias. Ela também critica a demora de países aliados em fornecer mais sistemas de defesa antiaérea à Ucrânia. O presidente Volodimir Zelenski tem pedido repetidamente mais interceptadores e equipamentos de defesa. Enquanto isso, famílias mantêm planos de emergência para enfrentar novos ataques. Natalia Bushkovska, mãe de dois filhos, prepara colchões, cobertores e uma mochila com itens essenciais. Entre os objetos estão um torniquete e um apito para facilitar eventual resgate entre os escombros. Seus filhos também aprenderam técnicas de primeiros socorros e mantêm bolsas de emergência. Natalia afirma que as noites de bombardeios provocam cansaço e dificultam a recuperação física e emocional. Na quinta-feira (17), um novo ataque russo com mísseis balísticos contra Kiev deixou 20 pessoas feridas, incluindo duas crianças. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário